Terça-feira, Agosto 18, 2026
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SEM LUZ, SEM ATENDIMENTO: FURTO DE CABOS ATINGE LAÇO AZUL E PREJUDICA CRIANÇAS COM AUTISMO EM VOLTA REDONDA


Um furto de cabos de energia elétrica provocou consequências muito além do prejuízo material em Volta Redonda. A Unidade Laço Azul, localizada no bairro Retiro e destinada ao atendimento especializado de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista e outras condições do neurodesenvolvimento, ficou sem condições de funcionamento depois que parte da fiação elétrica foi levada. Por causa do crime, os atendimentos programados para esta quarta-feira, 19 de agosto, precisaram ser suspensos, atingindo diretamente pacientes, familiares e profissionais que dependem da estrutura para dar continuidade às atividades terapêuticas e aos acompanhamentos realizados no espaço.

A situação chamou atenção porque o alvo não foi apenas um prédio público ou uma instalação elétrica. O crime atingiu um serviço criado especificamente para atender crianças que necessitam de acompanhamento contínuo e especializado. Muitas famílias organizam a rotina em função dos horários das terapias e demais atividades realizadas na unidade, e uma interrupção inesperada pode significar consultas desmarcadas, mudanças na rotina dos pacientes e necessidade de reorganização familiar. Até o momento, não foram divulgados oficialmente quantos metros de cabos foram furtados, o valor necessário para reparar os danos ou por quanto tempo a unidade poderá permanecer com os serviços afetados.

O Laço Azul é um dos principais serviços municipais voltados ao atendimento de crianças atípicas em Volta Redonda. A nova sede, no Retiro, foi inaugurada em outubro de 2025, na Avenida Antônio de Almeida, e recebeu o nome de Ruth Aiex Francisco. Na ocasião, a Prefeitura informou que aproximadamente 300 crianças eram beneficiadas pelo projeto, número que apareceu posteriormente em divulgações municipais na faixa de cerca de 330 atendidos. O espaço reúne diferentes modalidades de acompanhamento e busca oferecer atendimento multidisciplinar para auxiliar no desenvolvimento da comunicação, autonomia, interação social e outras habilidades importantes para crianças com TEA e condições relacionadas ao neurodesenvolvimento.

Ao longo de sua atuação, o projeto passou a reunir profissionais de áreas como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia e educação física. Neste ano, a unidade também passou a receber sessões de cinoterapia, atividade terapêutica assistida por cães realizada em parceria com a Polícia Militar. Toda essa estrutura depende de condições mínimas de funcionamento e, com a retirada dos cabos elétricos, os atendimentos desta quarta-feira tiveram de ser interrompidos enquanto são tomadas providências para recuperar o fornecimento e garantir novamente segurança para pacientes e trabalhadores.

O episódio ocorre em meio a um problema que há anos causa prejuízos significativos em Volta Redonda. Dados divulgados anteriormente pela Prefeitura apontam que cerca de 172,5 quilômetros de fios e cabos foram furtados ou roubados no município ao longo dos últimos cinco anos, considerando estruturas sob responsabilidade municipal. O prejuízo calculado chegou a aproximadamente R$ 3,47 milhões, sem incluir necessariamente todos os danos indiretos provocados pelas ocorrências. Os furtos já atingiram redes de iluminação pública, sistemas semafóricos, telecomunicações e outros equipamentos importantes para o funcionamento da cidade. Desta vez, porém, a consequência ficou ainda mais evidente porque os principais prejudicados foram crianças e famílias que dependem de atendimento especializado.

Diante da repetição desse tipo de crime, a administração municipal já havia intensificado as medidas de fiscalização durante 2026. Uma força-tarefa foi criada para atuar contra furtos e principalmente contra a receptação de cabos metálicos, com fiscalizações em ferros-velhos, depósitos e estabelecimentos que comercializam materiais recicláveis. A estratégia das autoridades é tentar atingir não apenas quem retira os fios das estruturas públicas, mas também o mercado clandestino que eventualmente compra e revende cobre e outros metais obtidos de forma ilegal. Em uma das ações realizadas neste ano, aproximadamente quatro quilos de fios de cobre foram encontrados em um estabelecimento no bairro Santo Agostinho, e o responsável foi encaminhado à 93ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos.

A Prefeitura também adotou medidas para dificultar a abertura de novos ferros-velhos e ampliar a fiscalização sobre os estabelecimentos já existentes. A preocupação é que a existência de compradores para materiais de origem ilícita possa estimular a repetição dos furtos. Apesar das ações adotadas, ocorrências continuam sendo registradas e provocando custos para o poder público e transtornos para a população. O caso do Laço Azul demonstra como uma ação que pode durar poucos minutos é capaz de interromper um serviço construído para atender centenas de crianças e suas famílias.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre suspeitos identificados pelo furto na unidade do Retiro. Também não há confirmação pública sobre existência de imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a movimentação dos responsáveis ou sobre a quantidade exata de material retirado. A apuração deverá buscar estabelecer quando o crime aconteceu, como os autores tiveram acesso à fiação e se os cabos levados podem ter sido posteriormente vendidos a algum estabelecimento ou receptador.

A expectativa das famílias agora está concentrada na recuperação da estrutura e na retomada dos atendimentos. Para quem utiliza regularmente o Laço Azul, a interrupção não representa apenas uma mudança de agenda. São crianças que possuem acompanhamento planejado, profissionais que trabalham dentro de uma sequência terapêutica e responsáveis que precisam organizar deslocamentos e compromissos para conseguir manter a frequência das atividades. Por isso, quanto maior o período necessário para a normalização, maior também poderá ser o transtorno para o público atendido.

O furto ocorrido no Laço Azul evidencia uma consequência que muitas vezes fica escondida por trás dos números sobre quilômetros de cabos levados e milhões de reais em prejuízos. Quando criminosos retiram fios de uma estrutura pública, o impacto pode chegar a semáforos apagados, ruas sem iluminação, serviços interrompidos e, como ocorreu agora no Retiro, crianças com autismo ficando temporariamente sem atendimento. Enquanto as autoridades trabalham para recuperar a estrutura e identificar os responsáveis, as famílias aguardam pela retomada de um serviço que faz parte da rotina e do desenvolvimento de seus filhos.

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