“VOU TE MATAR”: VÍDEO REGISTRA AMEAÇA ANTES DE VIVIAN SER ENCONTRADA MORTA EM INCÊNDIO
Horas antes de ser encontrada morta dentro de uma casa atingida por um incêndio no Araretama, em Pindamonhangaba, Vívian Kathleen de Paiva Macedo, de 26 anos, aparece sendo perseguida por um homem que, segundo o boletim de ocorrência, arremessa pedras em sua direção e profere ameaças de morte. Uma câmera de segurança registrou parte da cena. Em determinado momento, conforme consta no registro policial, é possível ouvir a frase: “Vou te matar, ainda vou te matar.”
O vídeo acrescentou um novo e importante elemento à investigação da morte de Vívian, ocorrida na manhã desta quinta-feira (13). O caso, inicialmente conhecido como um incêndio residencial com vítima fatal, passou a ser cercado por questionamentos depois que a Polícia Civil teve acesso aos relatos sobre uma madrugada marcada por consumo de drogas, discussões, perseguição, ameaças e, horas depois, a morte da jovem.
Vívian foi encontrada sem vida em uma residência no bairro Araretama. Informações divulgadas pela TV Vanguarda apontam que ela estava grávida de aproximadamente sete meses. A gestação, porém, não aparece no boletim de ocorrência apresentado à reportagem e deverá ser confirmada pelos documentos e laudos oficiais.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 8h44 para atender a uma ocorrência de incêndio com uma pessoa morta. Quando os policiais chegaram ao endereço, as chamas já haviam sido controladas.
Segundo o boletim, moradores haviam retirado o corpo de Vívian do quarto e o colocado na sala antes da chegada do Corpo de Bombeiros. A morte já estava constatada quando as equipes policiais assumiram a ocorrência.
Mas os acontecimentos registrados antes do incêndio passaram a ocupar posição central na investigação.
Conforme o boletim de ocorrência, um homem identificado como Adilson, cunhado de Vívian, relatou aos policiais que havia permanecido na residência durante a madrugada. Segundo seu depoimento, houve consumo de drogas, entre elas crack, e discussões entre algumas das pessoas presentes no imóvel.
O companheiro de Vívian, identificado como Júlio, também estaria na residência durante parte da madrugada. De acordo com os relatos registrados pela polícia, ele teria participado do consumo de drogas e das discussões, mas deixou a casa por volta das 7h.
Após a saída de Júlio, teria ocorrido uma nova discussão entre Vívian e Adilson.
O que aconteceu em seguida foi parcialmente registrado por uma câmera de segurança instalada em uma residência vizinha.
Segundo o boletim, Vívian aparece saindo para a rua e sendo seguida por Adilson. As imagens mostram, conforme descrição da ocorrência, o homem arremessando pedras contra ela e fazendo ameaças.
Em uma delas, ele teria gritado: “Vou te matar, ainda vou te matar.”
A gravação foi entregue à Polícia Militar pela proprietária do imóvel onde a câmera estava instalada e passou a integrar os elementos da ocorrência. O vídeo deverá agora ser submetido à análise da Polícia Civil dentro do inquérito que apura a morte da jovem.
Adilson teria dito aos policiais que não agrediu fisicamente Vívian durante a perseguição.
Depois da situação registrada na rua, ambos retornaram à residência.
A partir desse ponto, existe uma versão apresentada por Adilson que ainda precisa ser confrontada com os demais elementos da investigação.
Segundo o relato dele registrado no boletim, após retornarem ao imóvel, ele entrou em um quarto e Vívian seguiu para outro cômodo, onde teria fechado a porta.
Adilson afirmou posteriormente que percebeu o incêndio e tentou entrar no quarto, mas não conseguiu. Disse também que começou a pedir ajuda, momento em que vizinhos teriam se aproximado para tentar controlar as chamas.
Essa versão não representa uma conclusão policial sobre o que aconteceu.
A origem do incêndio, a maneira como o fogo começou e as circunstâncias exatas da morte de Vívian permanecem sob investigação. A Polícia Civil deverá confrontar os depoimentos com as imagens de segurança, a perícia do imóvel e os exames realizados no corpo da vítima.
A sequência registrada antes do incêndio torna a análise do vídeo especialmente importante. A investigação precisará esclarecer o contexto das ameaças feitas pouco antes da morte e determinar se existe alguma relação entre a perseguição filmada e o que aconteceu posteriormente dentro da residência.
O companheiro de Vívian também foi localizado pelos policiais depois do incêndio. Segundo o boletim, Júlio estava em frente à residência de uma irmã.
Ele confirmou aos policiais que havia passado a noite no imóvel com Vívian e Adilson e relatou que ocorreram discussões. Disse ainda que decidiu deixar a casa para evitar que o conflito se agravasse.
Ainda de acordo com o relato registrado, outras três pessoas teriam permanecido na residência durante parte da madrugada: homens identificados como Márcio, Fernando e outro conhecido pelo apelido de “Caverna”.
A participação dessas pessoas nos acontecimentos e o que cada uma presenciou deverão ser esclarecidos por meio de depoimentos e outras diligências.
A Polícia Civil requisitou perícia no imóvel. O Instituto de Criminalística deverá analisar vestígios deixados pelo incêndio, enquanto o Instituto Médico-Legal será responsável pelos exames necessários para auxiliar na determinação da causa da morte.
Esses laudos poderão ser fundamentais para estabelecer onde as chamas tiveram início, como o incêndio se propagou e quais circunstâncias provocaram a morte de Vívian.
O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita, com dúvida quanto à possibilidade de suicídio, além de incêndio. Essa classificação não significa conclusão sobre a causa da morte, mas indica justamente que as autoridades ainda precisam esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Nenhuma hipótese deve ser tratada, neste momento, como definitiva.
A informação de que Vívian estaria grávida aumenta ainda mais a repercussão e a comoção provocadas pela morte. A confirmação oficial da gestação e do período gestacional deverá depender dos registros médicos e dos procedimentos periciais.
A jovem tinha apenas 26 anos.
Agora, o trabalho da Polícia Civil será reconstruir uma madrugada que começou com várias pessoas reunidas dentro de uma residência, passou por discussões e uma perseguição registrada por câmera e terminou, poucas horas depois, com Vívian morta em meio a um incêndio.
No centro da investigação está uma pergunta que os laudos, as imagens e os depoimentos deverão ajudar a responder: o que realmente aconteceu entre o momento em que Vívian foi filmada sendo ameaçada na rua e o incêndio que terminou com sua morte dentro da casa?
Até a última atualização, não havia conclusão oficial sobre eventual responsabilidade criminal pela morte de Vívian. Também não havia informação de prisão relacionada ao caso.


