FIM DAS CHARRETES COM CAVALOS: PARATY ACERTA TROCA POR VEÍCULOS ELÉTRICOS E PRIMEIRO MODELO PODE RODAR EM SETEMBRO
Uma das imagens mais tradicionais dos passeios turísticos de Paraty está prestes a mudar. A Prefeitura e representantes dos charreteiros firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, que estabelece a substituição gradual das charretes puxadas por cavalos por veículos elétricos. O acordo prevê prazo de até 16 meses para a conclusão da transição, mas a expectativa do município é acelerar o processo e colocar a primeira charrete elétrica em funcionamento já em setembro de 2026.
A mudança representa uma nova etapa de uma discussão que se arrasta há mais de dois anos no município. O objetivo é manter a atividade turística desenvolvida pelos charreteiros, principalmente na região histórica de Paraty, mas retirar definitivamente os animais da função de tração. A proposta tenta conciliar a preservação de um serviço tradicional da cidade com medidas voltadas ao bem estar animal e à modernização do transporte turístico.
O TAC foi construído após negociações entre a administração municipal e os profissionais que trabalham com os passeios. Durante as discussões, representantes da categoria apresentaram sugestões e parte das propostas foi incorporada ao texto final. A substituição não acontecerá de uma única vez. A intenção é permitir que os trabalhadores tenham tempo para adaptação enquanto os novos veículos são produzidos e disponibilizados.
A implantação das charretes elétricas deverá contar com participação da iniciativa privada e, segundo as informações divulgadas, não deverá gerar custos de aquisição para os cofres municipais. A expectativa é utilizar parcerias e doações institucionais para viabilizar os veículos que substituirão as carruagens atualmente movimentadas pela força dos animais.
A primeira unidade já estaria em processo de produção, com trabalhos relacionados à estrutura e aos acabamentos. A intenção é que o modelo mantenha características visuais compatíveis com o cenário histórico de Paraty, evitando que a modernização descaracterize a experiência turística oferecida aos visitantes.
O prefeito de Paraty, Zezé, classificou a assinatura do acordo como um marco para o município e apontou setembro como a expectativa para a entrada em operação da primeira charrete elétrica. Inicialmente, o veículo deverá passar por uma fase de implantação e testes antes de a substituição avançar para as demais unidades utilizadas no serviço turístico.
O presidente da associação dos charreteiros, Lorival Trindade, também destacou o diálogo mantido durante o processo e avaliou a chegada dos veículos elétricos como uma mudança importante para o futuro da atividade. O acordo busca justamente impedir que o fim da utilização dos cavalos represente o desaparecimento do trabalho desenvolvido pelos profissionais que dependem economicamente dos passeios.
A substituição das charretes de tração animal, porém, não nasceu com o TAC firmado agora. Em dezembro de 2024, Paraty já havia aprovado a Lei Municipal nº 2.520, que estabeleceu a proibição da circulação de charretes, carroças e outros veículos movidos por animais quando utilizados em atividades turísticas. A legislação estabelecia que a proibição entraria em vigor a partir de 1º de janeiro de 2025.
A própria lei abriu caminho para a adoção de um novo modelo. O texto garantiu aos proprietários das charretes a possibilidade de optar por meios de transporte sem tração animal destinados ao atendimento de turistas. Também autorizou o município a firmar convênios com instituições públicas e privadas para ajudar a viabilizar a mudança.
Outro ponto previsto na legislação envolve os animais atualmente utilizados no trabalho. A lei permite que, em determinadas situações, o município receba cavalos por meio de doação quando os proprietários não tiverem condições financeiras para mantê-los. Esses animais poderão receber destinação conforme as possibilidades previstas legalmente, incluindo encaminhamento para adoção ou locais de acolhimento.
A legislação também abriu possibilidade para medidas de apoio social aos proprietários atingidos pelo encerramento da tração animal, incluindo auxílio social e alimentação, desde que as condições sejam definidas a partir de entendimento entre o poder público e os trabalhadores.
Apesar de a proibição existir desde janeiro de 2025, a implantação efetiva do novo modelo enfrentou um período de transição. Em abril daquele ano, a Comissão de Defesa do Cidadão e Meio Ambiente da Câmara Municipal chegou a cobrar da Prefeitura a apresentação de um plano de ação para colocar a legislação em prática, incluindo etapas e prazos.
Naquele momento, a utilização de carruagens elétricas já aparecia como uma das principais alternativas apresentadas para manter os passeios turísticos. A discussão envolvia não somente a Prefeitura e os trabalhadores, mas também a possibilidade de participação de instituições ligadas à preservação do patrimônio histórico, órgãos de controle e representantes do Poder Judiciário.
A ideia de retirar os cavalos dos passeios turísticos é ainda anterior à aprovação da lei. Em fevereiro de 2024, já havia discussões envolvendo a Prefeitura e a Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro para buscar alternativas à tração animal no Centro Histórico. Entre as opções avaliadas estava justamente a utilização de carruagens elétricas.
Agora, com a assinatura do TAC nesta semana, a administração municipal e os charreteiros tentam estabelecer uma solução definitiva para uma questão que vinha sendo discutida desde então. O prazo máximo estipulado é de 16 meses, mas a substituição poderá ser concluída antes caso a produção e a disponibilização dos veículos aconteçam em ritmo mais acelerado.
A transição também ganha importância por ocorrer em uma cidade reconhecida internacionalmente por seu patrimônio histórico e pela forte atividade turística. Nesse contexto, o desafio será manter a identidade visual e a experiência dos tradicionais passeios pelas ruas de Paraty sem que animais continuem sendo utilizados para movimentar os veículos.
Ainda não foram divulgadas oficialmente informações como a quantidade total de charretes que serão substituídas, o número de trabalhadores diretamente atendidos, o custo individual dos veículos elétricos, a autonomia das baterias, a capacidade de passageiros ou o fabricante responsável pelos modelos.
Também não foram apresentados, até o momento, detalhes individualizados sobre a destinação de todos os cavalos que atualmente são utilizados na atividade. A legislação municipal, entretanto, já estabelece possibilidades para os casos em que os proprietários não possam continuar responsáveis pelos animais.
A previsão de colocar a primeira charrete elétrica nas ruas já em setembro transforma os próximos meses em um período decisivo para o novo modelo. Caso o cronograma seja mantido, Paraty começará a trocar uma tradição marcada pela força animal por veículos elétricos, preservando os passeios turísticos e modificando a maneira como eles serão realizados.


