Segunda-feira, Agosto 10, 2026
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HORA DO JÚRI: MAIS DE UM ANO APÓS PEÃO DE RODEIO SER EXECUTADO A TIROS EM LAGOINHA, DOIS ACUSADOS SERÃO JULGADOS


Mais de um ano depois de um crime que chocou Lagoinha e repercutiu no meio do rodeio regional, dois homens acusados de envolvimento na morte de Matheus Expedito de Campos, de 24 anos, estarão diante do Tribunal do Júri. O julgamento está marcado para esta terça-feira (11), a partir das 9h, no Fórum de São Luiz do Paraitinga, e deverá colocar novamente em evidência os detalhes de uma execução registrada em plena manhã no Centro da pequena cidade do Vale do Paraíba.

Matheus era peão de rodeio, participava de competições e também trabalhava em uma borracharia em Lagoinha. Sua trajetória foi interrompida de forma violenta na manhã de 30 de abril de 2025. Naquele dia, pouco antes das 10h, ele havia acabado de tomar café em uma pastelaria e seguia para o trabalho quando foi surpreendido por dois homens que chegaram em uma motocicleta.

Segundo o boletim de ocorrência e os relatos reunidos durante a investigação, os suspeitos estavam em uma Honda CG 125 verde, sem placa. O passageiro desceu da motocicleta, aproximou-se da vítima e teria perguntado se ele era Matheus. Em seguida, foram efetuados os disparos.

Mesmo ferido, Matheus ainda tentou escapar e buscar abrigo em um estabelecimento próximo. A tentativa, no entanto, não foi suficiente para salvá-lo. O jovem recebeu atendimento, mas não resistiu aos ferimentos e morreu, deixando familiares, amigos, colegas de trabalho e pessoas ligadas ao rodeio diante de uma despedida precoce.

A forma como o crime aconteceu chamou atenção desde os primeiros momentos da investigação. O ataque ocorreu durante a manhã, no Centro da cidade, depois de Matheus sair de uma pastelaria. A Polícia Civil passou a reunir depoimentos, imagens de câmeras de segurança e elementos periciais para tentar identificar os envolvidos e reconstruir toda a sequência da ação.

Um projétil foi recolhido e encaminhado para análise. Os investigadores também passaram a procurar informações sobre a motocicleta descrita pelas testemunhas e a analisar imagens que pudessem mostrar a movimentação dos envolvidos antes e depois dos disparos.

Dez dias após a morte de Matheus, em 10 de maio de 2025, policiais civis e militares cumpriram um mandado de prisão temporária contra um suspeito. Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares e materiais relacionados a chips telefônicos, itens que passaram a integrar o conjunto de elementos analisados na investigação.

A apuração continuou durante os meses seguintes. Em 29 de julho de 2025, um segundo suspeito foi preso durante a chamada Operação Sicário, realizada pela Polícia Civil com apoio de equipes de diferentes delegacias da região.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil na época, esse segundo homem teria declarado ser o autor dos disparos que mataram Matheus. A declaração passou a integrar o processo, mas não representa, isoladamente, uma condenação. Caberá agora ao Tribunal do Júri analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa.

O julgamento desta terça-feira deverá contar com seis testemunhas. Depois da fase de depoimentos, os dois réus poderão ser interrogados diante do juiz, do Ministério Público, das defesas e dos jurados.

Por envolver dois acusados, o júri poderá se estender durante muitas horas. Somente a fase de debates entre acusação e defesa poderá alcançar até nove horas, considerando os tempos máximos previstos para manifestação inicial, réplica e tréplica.

A acusação poderá utilizar até duas horas e meia para apresentar sua tese. As defesas terão também até duas horas e meia. Caso haja réplica, o Ministério Público poderá utilizar mais duas horas e, posteriormente, as defesas poderão dispor de outras duas horas para a tréplica.

Esse período não inclui a escolha dos jurados, os depoimentos das seis testemunhas, os interrogatórios dos acusados, possíveis intervalos, leitura de peças permitidas, esclarecimentos e a votação final do Conselho de Sentença. Por isso, não existe previsão segura para o horário de encerramento do julgamento.

Mais de um ano depois dos tiros que interromperam a vida do jovem peão de rodeio, o processo chega agora a uma de suas etapas mais importantes. Sete jurados deverão ouvir as versões apresentadas durante o plenário e decidir, a partir das provas e das teses das partes, sobre a acusação formulada contra os dois homens.

A condição de réu não representa condenação antecipada. Os dois acusados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até que exista decisão judicial. Será o Conselho de Sentença que avaliará os fatos apresentados durante o julgamento.

Para familiares e pessoas próximas a Matheus, o júri também representa um novo capítulo de uma história iniciada naquela manhã de abril de 2025, quando um jovem de apenas 24 anos, conhecido pela participação no rodeio e pelo trabalho em Lagoinha, foi atingido por disparos depois de sair para mais um dia de trabalho.

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