MULHER RELATA TER DEIXADO MATERNIDADE COM FETO EM EMBALAGEM PLÁSTICA APÓS PERDA GESTACIONAL EM VARGINHA
Uma mulher que sofreu uma perda gestacional com 12 semanas de gravidez relatou ter deixado o Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, carregando o feto dentro de uma embalagem plástica transparente. O caso foi divulgado após a repercussão de denúncias relacionadas ao atendimento na maternidade da unidade.
A paciente, que preferiu não ter a identidade divulgada, afirmou que procurou atendimento após sofrer uma perda gestacional espontânea. Segundo o relato, durante os procedimentos realizados no hospital, o feto foi colocado em uma embalagem plástica transparente e entregue a ela.
A mulher afirmou que, inicialmente, não percebeu a dimensão da situação, mas que o impacto emocional aumentou nos dias seguintes.
“Não deixa de ser um filho, não deixa de ser um amor, não deixa de ser um sonho. E aí você vê ele ali na sua mão e depois você ter que carregar ele por todo o processo do hospital dentro de uma embalagem transparente, é muito difícil”, relatou.
Segundo a paciente, sentimentos de tristeza, raiva e angústia surgiram após o atendimento.
“Acredito que no dia eu não tive noção da gravidade do que aconteceu, mas com o passar dos dias eu fui sentindo um sentimento de raiva. É raiva, tristeza e angústia. É um descaso”, afirmou.
De acordo com o relato, no dia seguinte ao atendimento, representantes do hospital entraram em contato com a paciente, pediram desculpas e informaram que o procedimento teria ocorrido por engano.
Até o momento, o Hospital Regional não apresentou publicamente uma explicação específica sobre o episódio nem informou qual procedimento deveria ter sido adotado nesse tipo de situação.
O relato foi divulgado após outras denúncias envolvendo a maternidade da unidade ganharem repercussão. Entre elas está o caso de Keyla Ferreira Batista, de 32 anos, que morreu após complicações no período pós-parto.
Keyla havia sido submetida a uma cesariana no Hospital Regional e, segundo informações apresentadas pela família, passou a sentir fortes dores e apresentar alterações abdominais nos dias seguintes ao procedimento.
Ela recebeu alta, mas voltou a apresentar piora do quadro após deixar a unidade. Posteriormente, exames realizados em outro hospital indicaram obstrução intestinal e quadro infeccioso.
Keyla retornou ao Hospital Regional, passou por uma cirurgia de emergência e foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva. Ela morreu no domingo, dia 2 de agosto.
A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte. Exames periciais foram solicitados e testemunhas deverão ser ouvidas durante o inquérito.
Até o momento, não há conclusão oficial apontando negligência ou responsabilidade de profissionais no atendimento prestado à paciente.
O Hospital Regional também abriu um procedimento interno para analisar o caso e informou que deverá fornecer documentos e esclarecimentos às autoridades responsáveis pela investigação.
Após a repercussão da morte de Keyla, outras mulheres passaram a relatar experiências vividas durante atendimentos na maternidade.
Entre as denúncias divulgadas estão relatos de sucessivos exames de toque, dificuldades relacionadas ao controle da dor durante o trabalho de parto e questionamentos sobre a forma como pacientes foram atendidas.
Essas ocorrências ainda estão em fase de apuração e não há conclusão oficial sobre eventual irregularidade nos casos relatados.
O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais informou que denúncias formais ou procedimentos instaurados de ofício são analisados conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional. Os procedimentos tramitam sob sigilo.
O Hospital Regional informou que todas as denúncias encaminhadas pelos canais oficiais da instituição são tratadas com seriedade e confidencialidade e encaminhadas aos setores internos competentes ou às autoridades responsáveis.
A Polícia Civil informou que, até o momento, apura os fatos relacionados à morte de Keyla Ferreira Batista. Não há confirmação pública de abertura de inquérito específico sobre o episódio envolvendo a mulher que relatou ter recebido o feto em uma embalagem plástica.
O caso ocorre em um período em que está em vigor a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, que estabelece diretrizes para o atendimento de mulheres e famílias em situações de perda gestacional, incluindo medidas de acolhimento e acompanhamento.


