CÓDIGOS DO PCC NO FORRO DO QUARTO DE UM BEBÊ: POLÍCIA PRENDE SUSPEITO DE OPERAR FINANÇAS DA FACÇÃO EM SÃO JOSÉ
Documentos com códigos, senhas e contrassenhas atribuídos ao Primeiro Comando da Capital foram encontrados escondidos no forro do teto do quarto de um bebê durante uma operação da Polícia Civil em São José dos Campos. A ação terminou com a prisão de um homem investigado como possível responsável pela contabilidade e pela movimentação financeira da organização criminosa.
O suspeito foi identificado como Leonardo Henrique Dias da Silva, conhecido pelo apelido de Tubarão. De acordo com a Polícia Civil, ele exerceria uma função estratégica dentro da estrutura financeira da facção, controlando valores provenientes de pontos de venda de drogas e movimentando recursos por transferências bancárias, Pix e estabelecimentos comerciais.
A prisão aconteceu na manhã de quarta-feira (29), durante o cumprimento de três mandados de busca e apreensão na Zona Sul de São José dos Campos. A operação foi conduzida por equipes do 3º Distrito Policial, com apoio da Delegacia da Infância e Juventude.
A investigação vinha sendo realizada havia meses. Segundo o investigador chefe do 3º DP, Alexandre Pereira, o trabalho começou após a prisão de pessoas apontadas como integrantes de escalões inferiores da organização criminosa. A análise de aparelhos celulares apreendidos em diligências anteriores teria permitido aos policiais avançar até o suspeito responsável pelo setor financeiro.
Na residência de Leonardo, os agentes realizaram buscas e localizaram diversos materiais escondidos no forro do teto do quarto de um bebê. No local estavam quatro smartphones, um telefone celular do tipo radinho, um chip, R$ 1.005 em dinheiro e documentos considerados importantes para a investigação.
Entre as anotações apreendidas havia registros atribuídos ao PCC e um documento contendo códigos, senhas e contrassenhas. Conforme a Polícia Civil, o sistema seria utilizado para permitir a comunicação entre integrantes da facção que estavam em liberdade e membros presos em unidades penitenciárias.
A polícia ainda deverá realizar a análise técnica dos documentos e aparelhos eletrônicos. O objetivo é identificar contatos, mensagens, transferências, contas bancárias, chaves Pix e registros que possam revelar a participação de outras pessoas na estrutura financeira investigada.
Alexandre Pereira afirmou que o material representa um elemento importante para demonstrar a suposta posição ocupada por Leonardo na organização. Segundo o investigador, ele seria um integrante que não atuava diretamente na venda ou no transporte de entorpecentes, mas participava da administração e da movimentação do dinheiro obtido pela estrutura criminosa.
As investigações também identificaram uma movimentação considerada intensa por meio de transferências via Pix, além da circulação de dinheiro em espécie proveniente de pontos de venda de drogas. Parte dos valores, conforme a suspeita policial, seria movimentada por meio de estabelecimentos comerciais ligados ao investigado.
Por esse motivo, os policiais também cumpriram mandados em uma adega e em uma loja de roupas localizadas no bairro Campo dos Alemães. Os dois comércios passaram a ser investigados como possíveis locais utilizados para receber, movimentar ou ocultar dinheiro ligado ao tráfico.
Na adega, os agentes apreenderam R$ 279 em espécie e uma máquina de cartão. Na loja de roupas foram encontrados R$ 83, outra máquina de cartão e um aparelho celular. Somados aos R$ 1.005 encontrados na residência, os valores apreendidos durante a operação chegaram a R$ 1.367.
As máquinas de cartão, isoladamente, não comprovam a existência de lavagem de dinheiro. A Polícia Civil deverá confrontar os registros dos equipamentos com o faturamento dos estabelecimentos, os titulares das contas vinculadas, as transferências realizadas e a atividade comercial declarada.
A investigação busca verificar se vendas fictícias ou movimentações incompatíveis com o funcionamento dos comércios eram utilizadas para dar aparência legal a recursos provenientes do tráfico. Também será apurado se outras empresas, contas bancárias ou pessoas eram usadas na circulação dos valores.
Apesar de a operação estar relacionada ao tráfico de drogas, não houve informação sobre apreensão de entorpecentes, armas ou munições nos três endereços. O foco da ação estava nos documentos, aparelhos eletrônicos, valores em espécie e possíveis indícios de atuação financeira em benefício da organização criminosa.
Com base nos elementos localizados durante as buscas e nas informações reunidas ao longo da investigação, Leonardo foi preso em flagrante pelos crimes de financiar ou custear o tráfico de drogas e integrar organização criminosa.
Após os procedimentos realizados no 3º Distrito Policial, ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Caçapava, onde permaneceu à disposição da Justiça. Até a última atualização, não havia informação pública sobre o resultado da audiência de custódia ou eventual manifestação da defesa.
A Polícia Civil continuará analisando os telefones, os documentos, as máquinas de cartão e os registros financeiros apreendidos. A investigação também pretende identificar outros integrantes envolvidos no recebimento, controle e distribuição do dinheiro atribuído ao tráfico de drogas na região.
Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181. Informações também podem ser encaminhadas diretamente ao 3º Distrito Policial de São José dos Campos pelo telefone e WhatsApp (12) 99709-6427.


