MAR VIROU ARMADILHA: VENDAVAL AFUNDA EMBARCAÇÃO E MATA PESCADOR EM SÃO SEBASTIÃO
O forte vendaval que atingiu o Litoral Norte transformou uma pescaria em tragédia nesta quarta-feira (29). Uma embarcação com cinco ocupantes naufragou nas proximidades da Praia das Cigarras, em São Sebastião, deixando um pescador de 50 anos morto e quatro sobreviventes, dois deles com quadro de hipotermia após permanecerem no mar durante as rajadas de vento.
O acidente aconteceu em meio à passagem de uma frente fria que provocou ventos de até 77 quilômetros por hora no município. A força das rajadas deixou o mar agitado, derrubou árvores, danificou estruturas e provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes bairros.
As cinco pessoas que estavam na embarcação foram retiradas da água com o auxílio de um barco particular identificado como Santa Clara. Após o resgate, as vítimas foram levadas até o píer do bairro São Francisco, onde equipes da Defesa Civil e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência aguardavam para prestar os primeiros atendimentos.
Quatro ocupantes sobreviveram. Dois apresentavam condições clínicas estáveis, enquanto outros dois foram atendidos com sinais de hipotermia, condição provocada pela queda da temperatura corporal após a permanência prolongada na água.
O pescador de 50 anos foi retirado do mar desacordado. Profissionais do Samu realizaram manobras de reanimação na tentativa de salvar a vítima, mas o homem não resistiu e morreu durante o deslocamento para atendimento hospitalar. A identidade dele não havia sido oficialmente divulgada.
A tragédia ocorreu na região da Praia das Cigarras, na Costa Norte de São Sebastião. Ainda não foram informados o nome da embarcação naufragada, o horário exato do acidente, o ponto de onde o grupo partiu ou se todos os ocupantes utilizavam coletes salva vidas no momento em que o barco virou.
Também não havia confirmação pública sobre as condições estruturais da embarcação ou sobre a abertura de investigação pela Marinha para apurar as circunstâncias do naufrágio. A análise deverá esclarecer se a embarcação foi surpreendida pelo vendaval, se houve falha mecânica ou se outros fatores contribuíram para o acidente.
Além do naufrágio, o vento provocou uma série de transtornos em São Sebastião. Árvores, postes e estruturas de iluminação caíram, imóveis foram destelhados e diferentes regiões registraram falta de energia elétrica.
Na Avenida Dario Leite Carrijo, no bairro Enseada, chapas de zinco instaladas no alambrado do Campo do Guarani foram arrancadas. Equipes municipais precisaram atuar no isolamento das áreas atingidas e na retirada de materiais que ofereciam risco à população.
Na Rua da Praia, no Centro Histórico, uma pessoa foi atingida por uma sombrinha arrastada pelo vento. A vítima recebeu atendimento do Samu e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento, sem ferimentos considerados graves.
O vendaval também danificou a estrutura de cobertura instalada na Rua da Praia e atingiu uma telha de zinco da Escola Municipal Professora Iraydes Lobo Vianna do Rego, no bairro Itatinga. Vidros foram quebrados em outros pontos da cidade.
As condições climáticas obrigaram a suspensão da travessia de balsas entre São Sebastião e Ilhabela. A interrupção foi determinada por segurança diante da intensidade das rajadas no Canal de São Sebastião.
O atendimento às ocorrências mobilizou equipes da Defesa Civil, Guarda Civil Municipal, Samu, Departamento de Trânsito, Secretaria de Serviços Públicos e Polícia Ambiental. Os trabalhos envolveram o socorro às vítimas, a retirada de obstáculos, o isolamento de áreas perigosas e o acompanhamento de estruturas danificadas.
A morte do pescador foi uma das três registradas no Estado de São Paulo em decorrência dos ventos fortes desta quarta-feira. Em Cesário Lange, um motorista de 62 anos morreu depois que uma árvore caiu sobre o veículo em que ele estava. Na Baixada Santista, outra pessoa morreu após ser atingida por uma árvore.
A Defesa Civil orienta que, durante episódios de ventania, a população evite permanecer próxima de árvores, postes, coberturas metálicas, muros, placas e estruturas que possam ser derrubadas. Embarcações de pequeno porte também devem evitar o mar enquanto permanecerem as condições adversas.


