PINÇA NO ABDÔMEN E PARTE DO INTESTINO NECROSADA: PACIENTE DENUNCIA CASO EM SANTA CASA
Uma paciente de 34 anos denuncia que uma pinça cirúrgica de aproximadamente 18 centímetros permaneceu dentro de seu abdômen durante cerca de três meses após uma histerectomia realizada na Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista. Érica Cristina Bannai Von Hoonholtz afirma que o instrumento só foi descoberto depois que procurou atendimento médico com dores intensas, vômitos e a sensação de que algo tentava sair de seu corpo.
Segundo o relato da paciente, os sintomas aumentaram gradualmente após a cirurgia para a retirada do útero. Em abril, diante do agravamento das dores, ela retornou ao hospital e passou por exames de imagem. Um raio-X revelou a presença de um objeto metálico no abdômen.
O instrumento foi identificado como uma pinça Kelly, material utilizado em procedimentos cirúrgicos para segurar tecidos ou auxiliar no controle de sangramentos. Embora tenha aparência semelhante à de uma tesoura, trata-se de uma pinça cirúrgica que, conforme a denúncia, media aproximadamente 18 centímetros.
Érica contou que chegou ao hospital desnorteada pela dor e que os medicamentos administrados inicialmente não conseguiram controlar os sintomas. Ela também apresentava episódios persistentes de vômito.
Na madrugada de 11 de abril, a paciente foi levada às pressas ao centro cirúrgico para a retirada do instrumento. Durante o procedimento, segundo ela, os médicos também constataram que uma parte do intestino delgado estava necrosada.
A relação entre a presença da pinça e todas as complicações enfrentadas por Érica ainda dependerá da análise dos prontuários, dos laudos médicos e de eventuais perícias. A paciente, no entanto, afirma que os problemas de saúde começaram depois da histerectomia e se agravaram enquanto o instrumento permanecia em seu corpo.
Desde o primeiro procedimento, Érica relata ter passado por quatro cirurgias. Além da histerectomia e da operação emergencial para retirar a pinça, ela precisou ser submetida a uma intervenção para corrigir uma hérnia e drenar um abscesso intestinal.
Posteriormente, uma nova cirurgia foi necessária para o tratamento de um abscesso hepático. A paciente afirma que ainda enfrenta as consequências físicas e emocionais do caso e teme precisar voltar ao centro cirúrgico caso sua recuperação não aconteça como esperado.
Érica também relatou impactos em sua vida profissional e familiar. Ela trabalha como atendente e afirma ter perdido uma oportunidade de emprego como agente comunitária de saúde durante o período marcado pelas internações, procedimentos e limitações provocadas pelo tratamento.
Segundo a paciente, representantes da Santa Casa reconheceram internamente que o instrumento havia sido localizado e passaram a oferecer assistência médica relacionada às complicações. Como Érica perdeu o convênio de saúde, o hospital teria assumido os custos dos atendimentos vinculados ao caso.
Os três filhos da paciente também passaram a receber acompanhamento psicológico oferecido pela instituição. Érica afirma que a assistência tem sido prestada sempre que apresenta alguma dor ou precisa retornar ao hospital.
A paciente contou ainda que foi procurada por representantes do médico responsável pela histerectomia dois dias após a retirada da pinça. Segundo ela, uma proposta de acordo chegou a ser apresentada, mas as negociações não avançaram.
Érica também declarou que a Santa Casa tentou intermediar uma reunião entre as partes. Ela preferiu não prosseguir com as conversas naquele momento.
Além da denúncia envolvendo o instrumento cirúrgico, a paciente afirma que o médico teria sugerido, antes e depois da histerectomia, a realização de uma cirurgia estética particular para retirada de excesso de pele e gordura abdominal. O valor apresentado, conforme Érica, teria sido de R$ 8,5 mil.
Essa afirmação integra a versão da paciente e ainda não recebeu resposta pública específica do profissional. A reportagem não teve acesso a documentos que permitam confirmar as circunstâncias em que a proposta teria sido realizada.
Outra publicação identificou o médico responsável pelo procedimento como Juliano Noronha Ribeiro. Uma versão atribuída ao profissional aponta que a contagem dos instrumentos utilizados durante a cirurgia seria responsabilidade da equipe de enfermagem.
A definição de responsabilidade dependerá da análise dos protocolos adotados pelo hospital, dos registros de entrada e saída dos instrumentais, dos prontuários, dos depoimentos dos profissionais envolvidos e de eventual perícia técnica.
Érica registrou um boletim de ocorrência. O caso também passou a ser analisado na esfera criminal, com um Termo Circunstanciado em andamento desde 28 de maio no Juizado Especial Cível e Criminal de Bragança Paulista.
A existência do procedimento não significa condenação ou definição antecipada de responsabilidade. Caberá às autoridades analisar os documentos médicos, os depoimentos, os exames e outros elementos reunidos durante a apuração.
Procurada, a Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista informou que não comenta publicamente casos individualizados em respeito ao sigilo assistencial, à privacidade dos pacientes e à legislação de proteção de dados pessoais.
A instituição declarou ainda que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários pelos canais oficiais.
Até a última atualização, não havia sido divulgado o resultado de eventual investigação interna da Santa Casa. Também não foram apresentados publicamente os registros da contagem dos materiais utilizados na histerectomia, a identificação de todos os integrantes da equipe cirúrgica ou uma conclusão pericial sobre as complicações relatadas.
O espaço permanece aberto para manifestação do médico citado, de seus representantes legais, dos profissionais que participaram da cirurgia e da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista. Qualquer posicionamento encaminhado poderá ser acrescentado à reportagem para garantir o direito de resposta e a apresentação das versões de todas as partes envolvidas.

