Terça-feira, Julho 21, 2026
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NOVO RUMO NO CASO BERENICE: POLÍCIA INVESTIGA POSSÍVEL PARTICIPAÇÃO DE OUTRAS PESSOAS NO CRIME


A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganhou um novo e importante desdobramento. A Polícia Civil trabalha agora com a possibilidade de que outras pessoas tenham participado do crime, além da empresária de 46 anos que permanece presa temporariamente e é apontada como a principal investigada no caso.

A informação foi confirmada pelo delegado Tadeu Ricardo de Castro, da Delegacia de Investigações Gerais de São Sebastião. Segundo ele, os indícios reunidos até o momento levantaram a hipótese de que a morte e a ocultação do corpo de Berenice não tenham sido praticadas por uma única pessoa.

O avanço da investigação ocorreu depois que os policiais conseguiram reconstruir o trajeto realizado pela caminhonete pertencente à empresária. Para acompanhar o deslocamento do veículo, foram utilizados registros de radares, imagens de câmeras de segurança e informações obtidas por meio de geolocalização.

Em depoimento, a investigada teria afirmado que Berenice estava em sua caminhonete e que havia sido deixada no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. As informações reunidas pela polícia, entretanto, indicaram que o veículo seguiu pela Rodovia Rio Santos em direção ao estado do Rio de Janeiro.

A caminhonete preta teria passado pela região de Paraty e retornado a Ubatuba somente algumas horas depois. Essa movimentação ocorreu no mesmo dia em que Berenice foi vista pela última vez e passou a integrar o conjunto de elementos analisados no inquérito.

Outro ponto considerado importante pelos investigadores foi encontrado durante a perícia realizada no veículo. Segundo o delegado, os policiais identificaram duas perfurações na lateral do passageiro que seriam compatíveis com disparos de arma de fogo.

Vestígios de sangue também foram localizados no interior da caminhonete, principalmente no banco do passageiro. Cães farejadores auxiliaram nas buscas, e os peritos utilizaram luminol, substância capaz de revelar resíduos de sangue que não podem ser percebidos a olho nu.

Os materiais recolhidos foram encaminhados para análise laboratorial. Os laudos ainda deverão confirmar se o sangue encontrado pertence a Berenice e se as perfurações identificadas na caminhonete foram realmente provocadas por disparos.

O corpo da cozinheira foi localizado no fim da tarde de sexta-feira, dia 17 de julho de 2026, em uma área de mata de difícil acesso na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis.

A localização ocorreu durante uma ação conjunta entre a Polícia Civil de São Paulo e o 3º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O corpo ficou preso a uma árvore em um trecho íngreme, sendo necessário o apoio do Corpo de Bombeiros para realizar a retirada.

Os investigadores trabalham com a possibilidade de que o corpo tenha sido lançado de uma parte mais alta da mata. Essa hipótese dependerá da análise do local, dos laudos periciais e dos exames realizados pelo Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro.

A confirmação de que o corpo era de Berenice ocorreu na manhã de sábado, dia 18 de julho. O reconhecimento foi realizado pelo filho da vítima, encerrando semanas de buscas pela cozinheira, desaparecida desde o dia 30 de junho.

Berenice trabalhava como cozinheira em um restaurante de Ubatuba e morava em uma pousada no bairro Ubatumirim. O último contato com a família havia ocorrido no dia 29 de junho.

De acordo com a investigação, entre 15h e 16h do dia seguinte, Berenice recebeu uma carona da proprietária do estabelecimento onde trabalhava. A empresária declarou que deixou a funcionária em um trevo da rodovia, em Ubatumirim, mas essa versão passou a ser questionada depois da análise dos deslocamentos da caminhonete.

A principal investigada está presa temporariamente desde o dia 10 de julho, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Último Rastro. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos dois veículos, telefones celulares, um passaporte e três armas de fogo na residência da empresária.

A prisão temporária foi decretada após os investigadores identificarem contradições nos depoimentos prestados e reunirem elementos considerados relevantes para a apuração. A defesa informou que não se manifestará antes da conclusão do inquérito.

Uma das linhas de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por um conflito trabalhista. Berenice havia sido dispensada por causa da baixa temporada e pretendia retornar para sua casa, em Igaratá, depois de receber os valores que afirmava ter direito.

O filho da cozinheira relatou que a mãe vinha discutindo com a empregadora nos dias anteriores ao desaparecimento. Segundo ele, pessoas que estavam no estabelecimento também teriam presenciado uma discussão considerada séria entre as duas no próprio dia em que Berenice desapareceu.

A Polícia Civil ainda deverá esclarecer quem participou da morte, de que forma o crime foi praticado, como o corpo foi transportado até Angra dos Reis e qual teria sido a participação de cada pessoa investigada. Os laudos do sangue, das perfurações na caminhonete, das armas apreendidas e do exame necroscópico são aguardados para o avanço do inquérito.

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