ÁUDIO APÓS A MORTE DE VIVI AUMENTA SUSPEITA DE PREMEDITAÇÃO EM FEMINICÍDIO EM GUARATINGUETÁ
A investigação sobre a morte de Viviane Maria da Silva Vicente, de 24 anos, conhecida como Vivi, revelou novos elementos que aumentam a suspeita de premeditação no feminicídio registrado em Guaratinguetá. Segundo a Polícia Civil, o marido da vítima, Roque Aquino de Jesus, de 27 anos, teria tentado enganar familiares ao longo do dia em que a jovem foi encontrada morta dentro do apartamento onde vivia com ele e os dois filhos do casal.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi um áudio enviado por Roque a familiares de Viviane. Na mensagem, ele criticava a ausência da esposa e questionava o fato de ela não ter ido trabalhar. Segundo a investigação, naquele momento, Vivi já estaria morta dentro do imóvel. “E a mãe desse menino não apareceu ainda não? Ela acha que a vida é só vadiar, é? Esqueceu que tem trabalho, que tem filho”, dizia o áudio atribuído ao investigado.
Viviane era mãe de duas crianças, uma de 5 anos e outra de 1 ano e 8 meses. Ela trabalhava no restaurante da família e, na manhã de 23 de junho, já estaria pronta para sair de casa, mas não apareceu no trabalho. A ausência incomum, somada ao fato de ela não responder mensagens nem ligações, fez com que os parentes passassem a desconfiar de que algo grave havia acontecido.
De acordo com familiares, Roque apresentou versões diferentes para tentar justificar o desaparecimento da esposa. Primeiro, teria dito que Viviane havia saído de casa após uma discussão do casal e que não iria trabalhar. Depois, chegou a afirmar que ela estaria internada, informação que aumentou ainda mais a preocupação e a desconfiança da família.
As contradições no comportamento do investigado passaram a ser observadas pelos parentes e pela Polícia Civil. Para os investigadores, o áudio enviado com críticas à esposa pode indicar uma tentativa de criar uma versão falsa sobre o paradeiro de Viviane, como se ela estivesse viva e apenas ausente das obrigações familiares e profissionais.
Outro ponto considerado importante pela investigação foi o pedido feito por Roque para que familiares buscassem as crianças nas creches. Segundo os parentes, a atitude foi vista como incomum. Ao ser buscada, a filha mais velha, de 5 anos, entregou a chave do apartamento e disse que o pai havia pedido que ela a repassasse à família da mãe.
Para os familiares, a entrega da chave pode ter feito parte de uma tentativa de fazer com que o corpo fosse encontrado somente depois que o investigado já estivesse longe de Guaratinguetá. Sem conseguir contato com Viviane durante todo o dia, parentes decidiram ir até o apartamento na noite de 23 de junho. Roque acompanhou o irmão da vítima durante as buscas no imóvel.
Ao verificarem um quarto que estava fechado, os familiares encontraram um tapete cobrindo um volume. Embaixo dele estava o corpo de Viviane. Segundo a investigação, a jovem apresentava lesões no pescoço e no rosto compatíveis com estrangulamento. A Polícia Civil também apura a informação de que a filha mais velha do casal teria presenciado o crime.
Os investigadores apuram ainda se, antes de fugir, Roque retirou objetos do imóvel, levou o celular da vítima e realizou movimentações na conta bancária dela. Esses elementos fazem parte da investigação e deverão ser analisados para esclarecer a dinâmica do crime, a conduta do investigado antes e depois da morte e a possível intenção de dificultar a apuração.
O relacionamento de Viviane e Roque, que durou cerca de oito anos, foi descrito por familiares como conturbado e marcado por episódios de ciúmes, controle e conflitos. A irmã da vítima, Vitória da Silva, relatou que Vivi enfrentava comportamentos possessivos do companheiro, que questionava interações da esposa nas redes sociais e demonstrava desconfiança constante.
Familiares também afirmaram que o casal passou por separações ao longo do relacionamento, motivadas por traições e desentendimentos. Testemunhas relataram ter ouvido discussões e pedidos de socorro antes da morte da jovem, pontos que também deverão ser considerados pela Polícia Civil dentro do inquérito.
Após o crime, Roque deixou Guaratinguetá e percorreu aproximadamente 3 mil quilômetros até chegar a Iracema, no Ceará, cidade onde nasceu. Ele foi localizado no dia 25 de junho por policiais militares, escondido em uma pousada no bairro Beira Rio. Durante a abordagem, segundo a PM, o investigado teria apresentado um documento com dados de um familiar para tentar esconder a própria identidade.
Após diligências, os policiais confirmaram que se tratava de Roque Aquino de Jesus e cumpriram o mandado de prisão temporária expedido pela 1ª Vara Judicial da Comarca de Guaratinguetá. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Iracema e permaneceu à disposição da Justiça.
A morte de Viviane causou forte comoção em Guaratinguetá. Amigos e familiares passaram a cobrar justiça nas redes sociais e destacaram o impacto da tragédia sobre as duas crianças, que ficaram sem a mãe e com o pai preso. Uma familiar desabafou que a filha mais velha ainda pede para ligarem para a mãe, enquanto o filho menor ainda não compreende o que aconteceu.
O caso segue sendo investigado como feminicídio. A Polícia Civil deverá aprofundar a análise dos áudios, depoimentos, movimentações bancárias, objetos retirados do imóvel, laudos periciais e demais elementos reunidos para esclarecer a morte de Viviane Maria da Silva Vicente e apontar a responsabilidade criminal do investigado.


