TRAGÉDIA NO MAR DE ILHABELA: DONO DE MOTO AQUÁTICA USADA EM PASSEIO COM MORTE É INDICIADO PELA POLÍCIA CIVIL
A Polícia Civil indiciou Joaquim Rodrigues da Silva Neto, conhecido como Neto Mineiro, proprietário da moto aquática usada no passeio que terminou com uma mulher resgatada após mais de 40 horas à deriva e a morte de um homem no Litoral Norte. O caso, que teve grande repercussão em Ilhabela, segue sob investigação da Delegacia do município para esclarecer a dinâmica do ocorrido e eventuais responsabilidades.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Neto Mineiro foi indiciado por homicídio culposo majorado, falsidade ideológica e exercício ilegal de atividade. O indiciamento representa uma etapa da investigação policial e não significa condenação. A apuração ainda poderá passar por análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia, pedido de novas diligências ou outro encaminhamento dentro do processo.
A tragédia aconteceu após um passeio de moto aquática em Ilhabela. Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, desapareceu no dia 24 de maio, depois de deixar uma confraternização em uma lancha e sair para o passeio. As buscas mobilizaram equipes no mar durante vários dias, até que o corpo dele foi localizado pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo na manhã de 1º de junho, após nove dias de procura.
Na mesma ocorrência, Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, que também estava na moto aquática, foi encontrada com vida no dia 26 de maio. Ela passou mais de 40 horas à deriva em alto-mar e foi resgatada por um pescador nas proximidades da Ilha de Búzios, a cerca de 16 quilômetros da costa. O resgate de Bruna chamou atenção pelo tempo em que ela permaneceu no mar até ser localizada.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o laudo necroscópico elaborado pelo Instituto Médico Legal já foi concluído. A Polícia Civil também colheu novos depoimentos dentro da investigação. Esses elementos devem ajudar a esclarecer as circunstâncias do passeio, as condições em que a moto aquática era utilizada, a sequência dos fatos no mar e as responsabilidades atribuídas ao proprietário do equipamento.
O caso passou a ser apurado com foco em diferentes frentes. Além da morte de Dheorge, os investigadores analisam possíveis irregularidades ligadas à atividade realizada com a moto aquática e às informações prestadas no decorrer da apuração. Por isso, o indiciamento inclui, além do homicídio culposo majorado, os crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal de atividade, conforme informado pela SSP.
A defesa de Neto Mineiro informou, em nota, que ele não foi intimado a comparecer à delegacia e que o indiciamento ocorreu de forma indireta. O advogado Yuri Tomanik afirmou ainda que a capitulação apresentada pela autoridade policial é provisória e não representa culpa. Segundo a defesa, o enquadramento pode ser alterado pelo Ministério Público ou até resultar em arquivamento, dependendo da análise dos elementos reunidos.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Ilhabela. Com o indiciamento, o caso entra em uma nova fase, agora voltada à conclusão do inquérito e ao encaminhamento dos elementos às autoridades competentes. Ainda caberá ao Ministério Público avaliar o material produzido pela polícia e definir os próximos passos.
A morte de Dheorge e o resgate de Bruna após dezenas de horas em alto-mar marcaram uma das ocorrências mais impactantes registradas no Litoral Norte nos últimos meses. O desfecho da apuração deverá indicar se houve falhas, omissões ou irregularidades que contribuíram para a tragédia no mar de Ilhabela.

Dheorge Pereira Bernardino – vítima

