JUSTIÇA APÓS CARRO EM CHAMAS: HOMEM É CONDENADO A 22 ANOS PELA MORTE DE SUÍÇO EM JACAREÍ
Quase dois anos depois de um crime que começou com um carro incendiado e terminou com a descoberta de um homicídio brutal, o Tribunal do Júri de Jacareí condenou um homem a 22 anos de prisão, em regime fechado, pela morte do suíço Jean-Daniel Chollet, de 31 anos. A vítima foi encontrada carbonizada dentro do próprio veículo no Jardim Flórida, em Jacareí, em um caso que mobilizou a Polícia Civil e teve como peça importante a análise de câmeras de segurança espalhadas pela cidade.
O julgamento ocorreu na quinta-feira, dia 25 de junho. O réu Guilherme foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, destruição de cadáver e furto. A decisão reconheceu sua responsabilidade pela morte da vítima, pela destruição do corpo e do veículo, além da subtração de pertences de Jean-Daniel. A pena total foi fixada em 22 anos de prisão, com regime inicial fechado.
Um segundo réu, Gabriel, também foi julgado, mas recebeu condenação diferente. Ele foi sentenciado a dois anos de prisão, em regime aberto, apenas pelo crime de furto. Conforme o resultado divulgado, Gabriel não foi condenado pelo homicídio, o que demonstra que o Conselho de Sentença reconheceu participações distintas entre os envolvidos no caso.
Jean-Daniel Chollet era suíço, tinha 31 anos, morava em Nazaré Paulista e vivia no Brasil desde 2017. Ele foi encontrado morto na manhã de 28 de julho de 2024, dentro do próprio carro incendiado na região da Rua Missouri, no Jardim Flórida, em Jacareí. O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas e, durante o atendimento, encontrou o corpo carbonizado no interior do veículo.
A identificação da vítima ocorreu dias depois. A partir daí, a Polícia Civil passou a investigar o que havia acontecido antes do carro ser incendiado. As apurações apontaram que Jean-Daniel havia saído de casa no dia anterior ao crime e passou por Jacareí depois de deixar uma festa de rodeio em Igaratá.
Durante o trajeto, a vítima parou em um posto de combustíveis na Avenida Pensilvânia. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele conversou com dois homens. Em seguida, os suspeitos entraram no veículo, e o grupo deixou o local. Esse registro passou a ser considerado uma das peças centrais da investigação.
De acordo com as informações apuradas durante o caso, Jean-Daniel foi morto a facadas. Depois do crime, o veículo foi incendiado com o corpo da vítima dentro, e pertences foram levados. A dinâmica levou a Polícia Civil a investigar não apenas o homicídio, mas também a destruição de cadáver e o furto.
A Delegacia de Investigações Gerais de Jacareí, por meio da equipe de Homicídios, teve papel fundamental na elucidação do caso. Os investigadores analisaram imagens de câmeras instaladas em diferentes pontos da cidade, refizeram parte do trajeto percorrido pelo carro e reuniram elementos que permitiram identificar os suspeitos.
As prisões ocorreram em 10 de agosto de 2024, 13 dias após o corpo ser encontrado. Na ocasião, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão temporária e de busca em Jacareí e Suzano. Um dos suspeitos foi localizado no Jardim Flórida, região onde o carro havia sido encontrado incendiado. O outro foi localizado em uma clínica de recuperação em Suzano, na Grande São Paulo.
Durante a investigação, policiais também encontraram o telefone celular de Jean-Daniel em um terreno baldio. O aparelho e os demais elementos reunidos contribuíram para fortalecer a apuração e levar o caso ao Tribunal do Júri.
No julgamento, coube aos jurados analisar as provas apresentadas e decidir sobre a responsabilidade dos réus. O Conselho de Sentença condenou Guilherme pelos crimes mais graves ligados à morte da vítima e condenou Gabriel apenas pelo furto. Após a decisão dos jurados, a pena foi fixada pelo juiz responsável pela sessão.
A condenação representa um desfecho importante para um crime que causou grande repercussão em Jacareí pela forma como o corpo foi encontrado e pela sequência de violência apontada na investigação. O caso também evidenciou a importância do trabalho de inteligência policial, da análise de imagens e da reconstrução do trajeto da vítima para esclarecer crimes complexos.
Com a decisão, Guilherme deverá cumprir pena em regime inicial fechado. Gabriel recebeu pena de dois anos em regime aberto. O resultado do julgamento marca uma nova etapa no caso Jean-Daniel Chollet, que teve início com um carro em chamas no Jardim Flórida e terminou com a condenação de um dos réus por homicídio qualificado.


