Domingo, Junho 21, 2026
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16 ANOS DO CRIME DO LAGO: CASAL MORTO NO DIA DOS NAMORADOS AINDA ESPERA JUSTIÇA COM CONDENADO FORAGIDO


Saudade, revolta e uma ferida que nunca fechou. Dezesseis anos após o assassinato de Rodolfo Rodrigues Cabral, de 25 anos, e Kátia Carolina de Carvalho, de 23, a família das vítimas ainda convive com a dor da perda e com a indignação de saber que o homem condenado pelo duplo homicídio permanece foragido. O crime aconteceu na noite de 12 de junho de 2010, em São José dos Campos, e ficou conhecido como “Crime do Lago”.

O casal foi morto no bairro Jardim Santa Júlia, em uma noite que deveria marcar o primeiro Dia dos Namorados dos dois. Segundo a denúncia do Ministério Público, Fabiano Ferreira Secundo, ex-namorado de Kátia, não aceitava o fim do relacionamento e, movido por ciúmes, perseguiu Rodolfo e Kátia até surpreendê-los nas proximidades de um lago, onde efetuou os disparos que tiraram a vida dos jovens.

Passados mais de uma década e meia, a família segue cobrando a prisão de Fabiano, condenado pelo Tribunal do Júri a 26 anos de prisão em regime fechado. Mesmo após a condenação, ele não foi preso definitivamente e acabou fugindo depois de perder recursos na Justiça. Desde então, nunca mais foi localizado.

A dor permanece viva especialmente para Paty Cabral, de 51 anos, irmã de Rodolfo. Atendente de loja, ela transformou as redes sociais em um espaço de memória, cobrança e resistência para que o caso não seja esquecido. Para ela, a condenação só terá sentido completo quando o responsável pela morte do irmão e de Kátia estiver preso e cumprindo a pena.

“Não vou deixar esse caso cair no esquecimento. Só quero que ele seja preso e cumpra a pena. Talvez assim a nossa família consiga ter um pouco de paz”, afirma Paty.

A irmã de Rodolfo relata que o assassinato provocou consequências devastadoras na família. Segundo ela, o sofrimento causado pelo crime abriu um ciclo de tristeza que atingiu profundamente os parentes. Paty afirma que, depois da morte do irmão, perdeu a mãe, o irmão mais velho, o tio e, recentemente, o pai, todos consumidos por uma dor que nunca conseguiu ser superada.

“Minha família entrou em depressão. Depois do assassinato do meu irmão, perdi minha mãe, meu irmão mais velho, meu tio e, recentemente, meu pai. Todos foram consumidos pela tristeza que esse crime causou. A saudade será eterna”, desabafa.

Rodolfo é lembrado pela família como um jovem querido, trabalhador e sonhador. Ele atuava como açougueiro no Mercado Municipal de São José dos Campos e alimentava o desejo de se tornar jogador de futebol. De acordo com Paty, o irmão tinha muitos amigos, era conhecido pelo carisma e carregava planos que foram interrompidos de forma brutal.

Kátia havia conhecido Rodolfo cerca de um mês antes do crime. A relação ainda estava no começo, e o Dia dos Namorados de 2010 seria o primeiro encontro romântico do casal. O que deveria ser uma noite de afeto e início de uma história acabou se transformando em uma das páginas mais dolorosas para as duas famílias.

“Meu irmão era um sonhador. Todo mundo gostava dele. Eles estavam começando uma história quando tudo acabou”, lembra Paty.

Durante as investigações, Fabiano confessou o crime na delegacia, e o depoimento gravado foi apresentado durante o julgamento. Depois, em plenário, ele negou a autoria e alegou que teria sido coagido por policiais civis a confessar os homicídios. Na casa do acusado, foram apreendidas munições de diversos calibres e uma arma de brinquedo. A arma usada no crime nunca foi localizada.

Fabiano permaneceu preso por cerca de três anos e três meses no Centro de Detenção Provisória. Posteriormente, conseguiu responder a parte do processo em liberdade até ser levado a julgamento. Em 24 de abril de 2015, depois de aproximadamente 16 horas de sessão, o Tribunal do Júri o condenou a 26 anos de prisão, reconhecendo que os dois homicídios foram cometidos por motivo fútil.

Para a família de Rodolfo e Kátia, a fuga do condenado impede que o sentimento de justiça seja concluído. A ausência de Fabiano no cumprimento da pena mantém aberta a sensação de impunidade e prolonga a dor de quem perdeu dois jovens em uma noite marcada por violência e ciúmes.

“Enquanto ele estiver solto, nossa dor continua aberta. A justiça só será feita quando ele estiver preso pagando pelo que fez”, afirma Paty.

Dezesseis anos depois, o Crime do Lago continua sendo lembrado não apenas pela brutalidade do duplo homicídio, mas também pela luta da família para manter viva a memória de Rodolfo e Kátia. A cobrança agora é para que Fabiano Ferreira Secundo seja localizado, preso e cumpra a pena determinada pela Justiça.

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