12 TIROS, CIÚME E CONDENAÇÃO: HOMEM PEGA 16 ANOS POR MATAR ALEX EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Um crime marcado por violência extrema, motivação considerada fútil pela Justiça e uma execução com 12 disparos terminou com condenação no Tribunal do Júri de São José dos Campos. Rener Michael Salgado de Castro, de 31 anos, foi condenado nesta quinta-feira, 18, a 16 anos e quatro meses de prisão pela morte de Alex Victor Faria, de 26 anos, assassinado a tiros no Residencial Frei Galvão, na zona leste da cidade.
O julgamento reconheceu que Rener cometeu homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. A Justiça também negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, determinando que ele permaneça preso após a decisão do júri.
O crime aconteceu em 13 de julho de 2024, na Avenida das Oliveiras, esquina com a Rua Amêndoas. Segundo a investigação, Alex foi atacado por Rener, que trafegava pelo bairro em um Honda Civic. A vítima foi atingida por diversos disparos de arma de fogo e morreu em razão da gravidade dos ferimentos.
A sentença destacou a brutalidade da ação criminosa. De acordo com a decisão, Alex foi alvejado por 12 projéteis de arma de fogo, sendo sete disparos na cabeça. Ainda conforme o trecho da sentença condenatória, três desses tiros foram efetuados por trás, circunstância que reforçou o entendimento de que o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
A motivação apontada no processo está relacionada ao relacionamento de Alex com a ex-mulher do réu. A companheira da vítima na época do crime havia sido casada com Rener por 11 anos. Eles tinham um filho em comum. Segundo as investigações, o condenado não aceitava que a ex-esposa estivesse se relacionando com outro homem, situação que teria motivado o assassinato.
Ainda conforme as apurações, Rener também teria histórico de agressões contra a ex-companheira. Esse contexto foi considerado relevante dentro da investigação, já que a morte de Alex teria ocorrido em meio à inconformidade do réu com o novo relacionamento da mulher. O caso mobilizou a Delegacia de Defesa da Mulher e também a Delegacia de Homicídios de São José dos Campos.
Após o assassinato, Rener foi preso por policiais civis da DDM. A atuação da Delegacia de Defesa da Mulher ocorreu em razão do histórico envolvendo a ex-esposa do réu e do contexto de violência que cercava a relação anterior. A Delegacia de Homicídios também participou da investigação, reunindo elementos sobre a autoria, a dinâmica do crime, a motivação e as circunstâncias da execução.
Durante o processo, Rener admitiu ter matado Alex, mas alegou que teria agido em legítima defesa. A tese apresentada pela defesa, no entanto, não foi aceita pelo Tribunal do Júri. Para a Justiça, os elementos do caso não sustentaram a versão de legítima defesa, especialmente diante da quantidade de disparos, da região atingida e das circunstâncias em que a vítima foi alvejada.
Na decisão, a Justiça apontou que, como a legítima defesa não foi reconhecida, o réu não poderia ser beneficiado pela respectiva circunstância atenuante. Com isso, a condenação foi fixada em 16 anos e quatro meses de reclusão, com início do cumprimento da pena em regime fechado.
O crime chocou pela forma como foi executado e pelo contexto revelado durante a investigação. Alex Victor Faria, de 26 anos, foi morto em uma via pública da zona leste de São José dos Campos, em uma ação que, segundo a Justiça, teve motivação fútil e impediu qualquer chance efetiva de defesa da vítima.
Com a decisão do Tribunal do Júri, Rener Michael Salgado de Castro passa a cumprir pena pelo homicídio qualificado. A condenação encerra uma etapa importante do caso, que teve início com o assassinato em julho de 2024 e avançou com a prisão do réu, a investigação policial e o julgamento popular realizado em São José dos Campos.


