Segunda-feira, Junho 8, 2026
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FALSA ADOLESCENTE, HISTÓRIA DE ABUSO E CPF DESCOBERTO: MULHER PRESA EM SC JÁ HAVIA TENTADO GOLPE NO SUL DE MINAS


A mulher de 37 anos presa em Santa Catarina por se passar por adolescente já havia protagonizado uma situação semelhante no Sul de Minas. Em novembro de 2022, Amanda Maria Souza de Oliveira esteve em Três Corações e se apresentou à rede de proteção como “Ana Clara”, uma suposta menina de 13 anos que dizia ter fugido do Ceará após sofrer abusos. A história, no entanto, levantou suspeitas entre profissionais do atendimento e terminou desmentida após a checagem de dados e a identificação do CPF verdadeiro.

O caso voltou à tona depois da prisão da mulher em Santa Catarina, onde ela também teria fingido ser menor de idade. Em Três Corações, segundo relatos de profissionais que atuavam na rede socioassistencial na época, o primeiro atendimento ocorreu no CREAS, após Amanda ser encontrada por um motorista em uma esquina da cidade. Sem documentos e alegando estar em situação de vulnerabilidade, ela foi encaminhada para atendimento psicossocial como se fosse uma adolescente.

De acordo com o diretor da Proteção Básica, Diego Henrique dos Santos, que atuava na rede naquele período, a mulher afirmou ter chegado ao município de carona com um caminhoneiro e disse não portar nenhum documento. Diante da versão apresentada, a equipe realizou os procedimentos iniciais de acolhimento e a encaminhou à Polícia Civil para registro da ocorrência e tentativa de emissão de documentos.

Após o atendimento inicial, Amanda foi levada ao abrigo municipal porque dizia estar com fome e precisava tomar banho. A medida foi adotada diante da informação de que se tratava de uma suposta adolescente em situação de risco. Naquele momento, a prioridade da rede foi garantir acolhimento, alimentação e proteção até que a história pudesse ser melhor verificada.

Com o avanço do atendimento, porém, detalhes da versão começaram a causar estranhamento. A suposta adolescente dizia se chamar Ana Clara, ter 13 anos e ser vítima de abusos, mas as informações repassadas não se confirmavam. A equipe passou a desconfiar da narrativa e iniciou a checagem dos dados apresentados. Foi nesse processo que o CPF verdadeiro foi identificado, revelando que ela não era menor de idade.

A partir da descoberta, o caso deixou de ser tratado como atendimento a adolescente em situação de vulnerabilidade e passou a ser registrado como suspeita de falsidade ideológica. A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, teria usado uma identidade falsa para acessar serviços de proteção, acolhimento e assistência.

A situação em Três Corações mostra que o caso registrado em Santa Catarina não teria sido isolado. Antes de ser presa por se passar por adolescente, Amanda já havia recorrido a uma narrativa semelhante no Sul de Minas, envolvendo fuga, suposto abuso, ausência de documentos e pedido de acolhimento. A repetição do padrão chamou atenção e reforçou a necessidade de verificação rigorosa em situações sensíveis.

O episódio também expõe o desafio enfrentado por equipes de assistência social, Conselho Tutelar, CREAS, abrigos e órgãos de proteção. Profissionais dessas áreas precisam acolher pessoas que relatam vulnerabilidade, violência ou abandono, mas também precisam checar informações para evitar fraudes e proteger serviços voltados a crianças, adolescentes e vítimas reais.

Em casos de suposto abuso ou abandono de menor, a rede de proteção costuma agir com urgência, justamente porque a demora pode colocar vítimas em risco. No entanto, quando alguém usa uma identidade falsa para simular vulnerabilidade, a situação compromete o funcionamento do sistema, mobiliza equipes e pode dificultar o atendimento de quem realmente precisa de proteção imediata.

Amanda Maria Souza de Oliveira ganhou repercussão após ser presa em Santa Catarina, acusada de fingir ser adolescente. O histórico em Três Corações passou a ser mais um capítulo da trajetória investigada, com suspeitas de que ela tenha repetido versões semelhantes em diferentes cidades para obter acolhimento, ajuda ou vantagens.

O caso registrado no Sul de Minas terminou em boletim de ocorrência por falsidade ideológica. Agora, com a repercussão nacional da prisão em Santa Catarina, a passagem dela por Três Corações voltou a ser lembrada como um alerta sobre a importância da integração entre órgãos públicos, cruzamento de dados e checagem documental em atendimentos de alta sensibilidade.

O espaço segue aberto para manifestação da defesa.

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