Quinta-feira, Junho 4, 2026
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“A VERDADE VAI APARECER”: IRMÃ DE DHEORGE DEFENDE BRUNA E DIZ QUE INVESTIGAÇÃO AINDA PODE REVELAR DETALHES DA TRAGÉDIA NO MAR


A morte de Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, encontrado sem vida no mar do Litoral Norte após oito dias de buscas, segue provocando dor, comoção e questionamentos entre familiares e pessoas que acompanharam o caso. Natural de Alcântaras, no Ceará, e morador de São José do Rio Preto havia cerca de dez anos, Dheorge desapareceu após sair em uma moto aquática na região da Praia da Ponta das Canas, em Ilhabela, acompanhado da estudante Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, que sobreviveu depois de passar aproximadamente 42 horas à deriva em alto-mar.

Em uma publicação nas redes sociais, Lorrane Pereira, irmã de Dheorge, afirmou que ainda existem detalhes desconhecidos sobre o caso e que muita coisa poderá ser esclarecida pelas investigações. A manifestação chamou atenção porque, além da dor da perda, ela também saiu em defesa de Bruna, que vem sendo alvo de julgamentos e teorias nas redes sociais desde que foi resgatada com vida.

“Eu acredito na Bruna porque sei que ninguém colocaria a própria vida em risco em uma situação daquelas. É muito fácil julgar de longe, mas só quem passou pelo desespero sabe o peso da realidade”, escreveu Lorrane. A irmã também afirmou que as pessoas deveriam ter mais empatia com quem sobreviveu a uma situação extrema no mar, em vez de apontar culpados antes da conclusão das apurações.

Em outro trecho da publicação, Lorrane disse que a verdade será esclarecida. “Em vez de apontar o dedo e criar teorias cruéis, as pessoas deveriam ter empatia com quem também sobreviveu a um trauma. A verdade vai aparecer cedo ou mais tarde. Que Deus e a espiritualidade te blindem de todo esse julgamento maldoso”, declarou.

Dheorge e Bruna desapareceram no domingo, 24 de maio, depois que a moto aquática em que estavam apresentou pane mecânica e acabou sendo arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto. Os dois estavam com coletes salva-vidas e, segundo o relato de Bruna, tentaram resistir juntos às ondas antes de serem separados pelas condições extremas do oceano.

O desaparecimento mobilizou uma grande operação de buscas no Litoral Norte, com atuação do Grupamento de Bombeiros Marítimo, da Marinha do Brasil, da Força Aérea Brasileira e do helicóptero Águia da Polícia Militar. Bruna foi encontrada com vida por pescadores cerca de 42 horas depois, em um resgate considerado impressionante pela distância, pelo tempo em que permaneceu no mar e pelas condições enfrentadas.

O corpo de Dheorge foi localizado no mar em Ilhabela na segunda-feira, 1º, e a identidade foi confirmada pela Polícia Civil. Segundo as informações divulgadas, familiares reconheceram o corpo em uma funerária de São Sebastião por sinais característicos, como a bermuda que ele usava e lentes de contato nos dentes. Posteriormente, a confirmação também foi feita por análise de digitais e DNA.

O Instituto Médico Legal de Caraguatatuba apontou afogamento como causa da morte. Mesmo com a confirmação, a Marinha do Brasil e a Polícia Civil seguem responsáveis pela apuração das circunstâncias do acidente, incluindo a pane da moto aquática, a dinâmica da saída para o mar, as condições de navegação e o momento em que Dheorge e Bruna se separaram.

A irmã de Dheorge informou que o corpo será levado de carro para Alcântaras, no Ceará, terra natal do jovem. A viagem deve durar cerca de dois dias até que a família consiga realizar o velório e o sepultamento. A distância entre o local onde ele construiu parte da vida em São Paulo e a cidade onde nasceu tornou a despedida ainda mais dolorosa para os parentes.

O caso ganhou repercussão nacional após o resgate de Bruna. Em entrevista ao Domingo Espetacular, da TV Record, ela relatou que enfrentou frio intenso, desidratação, exaustão e episódios de alucinação enquanto tentava sobreviver no mar. Em um dos momentos mais marcantes do depoimento, a estudante contou que chegou a ouvir vozes e ver imagens que não existiam.

“Eu escutava alguma coisa me chamando: ‘Bruna, Bruna, vem cá’. E quando olhava para o breu eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção, só que não era um barco. Era uma montanha e atrás tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte”, relatou Bruna à Record.

A fala de Lorrane traz um novo tom ao caso. Em meio à dor pela perda do irmão, ela pediu cautela diante dos julgamentos e reforçou que a investigação deve ser o caminho para esclarecer o que realmente aconteceu. A tragédia no mar deixou uma família em luto, uma sobrevivente marcada pelo trauma e uma série de perguntas que ainda dependem das apurações oficiais.

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