O SONHO DA MOTO QUE TERMINOU NA DUTRA: SALETY MORRE A CAMINHO DO TRABALHO EM GUARATINGUETÁ
Salety Aparecida Brito Silva tinha apenas 21 anos e carregava um sonho simples, bonito e conquistado com esforço: ter a própria moto. A Honda CG 160 Titan azul era mais do que um veículo. Era a realização de um desejo antigo, o símbolo de uma vitória pessoal, de liberdade, de independência e de gratidão. Em agosto de 2025, quando conseguiu comprar a moto, ela dividiu a alegria nas redes sociais como quem celebra um presente esperado por muito tempo. Nove meses depois, esse mesmo sonho terminou de forma trágica na Rodovia Presidente Dutra, em Guaratinguetá, quando Salety morreu enquanto seguia para o trabalho.
O acidente aconteceu na noite de domingo, 24, no km 60,9 da Via Dutra, na pista sentido Rio de Janeiro. Salety trabalhava na AGC, fábrica instalada em Guaratinguetá, às margens da rodovia, e estava a caminho do serviço quando sofreu a queda com a motocicleta. Segundo as informações registradas pela Polícia Rodoviária Federal no boletim de ocorrência, não foram identificados outros veículos envolvidos no acidente.
De acordo com o registro policial, um policial rodoviário federal estava no atendimento de outro sinistro quando recebeu, pela central, a informação sobre um acidente com motocicleta no trecho de Guaratinguetá. Ao chegar ao local, por volta das 23h37, encontrou Salety caída na primeira faixa da esquerda, em posição de decúbito ventral. Populares já auxiliavam na sinalização da via, tentando evitar que a tragédia fosse ampliada por novos acidentes.
Uma equipe de resgate da concessionária que administra a rodovia também foi acionada e iniciou procedimentos de reanimação cardiopulmonar. Apesar das tentativas de salvamento, Salety não resistiu aos ferimentos. Após os trabalhos periciais, o corpo foi removido pelo serviço funerário, e houve requisição de exame necroscópico ao Instituto Médico Legal.
O boletim aponta indícios de que a motocicleta tenha colidido contra a mureta de concreto lateral da rodovia. No local, também foram observadas marcas de arrastamento. A pista estava molhada por causa de uma garoa fina, condição que, conforme consta no registro, pode ter contribuído para a queda. Quando a PRF chegou ao trecho, a moto já havia sido removida por terceiros para junto da mureta divisória, mas permaneceu no ponto da ocorrência até a chegada da perícia.
A história de Salety ganhou ainda mais força pela forma como ela falava da moto. Nas redes sociais, a jovem deixou registrada a felicidade de ter alcançado aquilo que tanto desejava. Em uma das publicações, escreveu que era apaixonada por moto e que nunca imaginou ter a própria, até ser abençoada com o que mais pedia a Deus. A frase, antes marcada pela alegria da conquista, agora emociona pela dor da despedida.
Em outras mensagens, Salety também falava sobre gratidão, fé e sobre reconhecer a mão de Deus nos detalhes da vida. As palavras revelam uma jovem que celebrava as próprias vitórias com intensidade e que enxergava nas conquistas um motivo para agradecer. A moto, que para ela representava um sonho realizado, passou a ser lembrada também como parte de uma história interrompida cedo demais.
No Instagram, Salety informava ser técnica em logística. O boletim registra que não foi possível contato imediato com familiares no momento da ocorrência, mas houve comunicação com uma pessoa identificada como supervisor imediato da jovem. A morte causou comoção entre pessoas que conheciam sua trajetória e acompanharam a alegria dela ao realizar o sonho da moto.
A ocorrência foi registrada como morte suspeita, com natureza de morte acidental. A Polícia Civil deverá analisar os laudos, a perícia, as condições da pista, as marcas deixadas no asfalto, o ponto de impacto, o estado da motocicleta e eventuais imagens de câmeras da rodovia para concluir a apuração. Até o registro do boletim, não havia indicação de outro veículo envolvido no acidente.


