Sexta-feira, Maio 22, 2026
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“ELE PEDIU PARA ELA SE DESPEDIR DE MIM”: MÃE RELATA DESESPERO ANTES DE CARRO CAPOTAR COM FILHA DE 7 ANOS NA DUTRA


Uma chamada de vídeo, uma criança sorrindo e dando tchau para a mãe, ameaças pelo celular e, minutos depois, o silêncio de uma ligação interrompida no meio da Via Dutra. Foi assim que começou o desespero de uma mãe em São José dos Campos, antes de descobrir que o carro dirigido pelo ex-companheiro havia capotado com a filha de 7 anos dentro do veículo, na manhã de quarta-feira, 20, no km 141 da rodovia, na altura do Jardim Motorama, na zona leste da cidade.

O caso ganhou contornos ainda mais graves após o relato da mãe da menina, que contou ter recebido uma chamada de vídeo do ex-marido pouco antes do acidente. Segundo ela, o homem dizia que havia bebido, que estava dirigindo em alta velocidade pela Dutra e que provocaria um acidente. Durante a ligação, a criança aparecia dentro do carro, no banco da frente, enquanto o pai pedia para que ela se despedisse da mãe. “Na hora foi desesperador, porque eu estava olhando pra chamada e era só pra eu dar tchau”, relatou a mulher.

A mãe contou que tentou manter a calma ao ver a filha pela tela, mandando beijos e ignorando as falas do ex-companheiro, mas conseguiu perceber que ele afirmava estar na Dutra e correndo. Pouco depois, a imagem sumiu. Diante da situação, ela acionou a polícia e informou que o homem havia pegado a filha, dito que estava na rodovia e que iria jogar o carro. Segundo o relato, as viaturas foram acionadas rapidamente e, logo em seguida, sirenes começaram a passar pela região.

Antes da ligação, a madrugada já teria sido marcada por mensagens e tentativas insistentes de contato. Mesmo bloqueado em uma rede social, o homem teria continuado enviando mensagens e fazendo ligações. Em uma das mensagens, escreveu que queria uma resposta. Em outra, afirmou que ela iria se arrepender. A mãe também relatou que o ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento e que, após a separação, as ameaças, ofensas e tentativas de controle se tornaram frequentes.

Após receberem as informações da mãe, equipes da Polícia Rodoviária Federal iniciaram buscas pela rodovia e localizaram o veículo, um GM Corsa prata, capotado em um barranco às margens da Dutra. A menina foi socorrida pela equipe de resgate da concessionária RioSP e levada ao Hospital Municipal da Vila Industrial, em São José dos Campos. O estado de saúde dela não foi divulgado.

O reencontro da mãe com a filha no hospital revelou outra cena de angústia. A mulher contou que a criança chegou sem roupa, enrolada em uma manta térmica, porque estava molhada. Depois, soube que a menina teria ficado submersa na água após o capotamento. Segundo o relato da mãe, a criança estava com terra no ouvido, no nariz e na boca, muito assustada e chorando. Ela afirmou ainda que foi informada de que uma terceira pessoa retirou a menina do carro e que o choro teria ajudado alguém a perceber que havia uma criança dentro do veículo.

O pai da menina, de 43 anos, sofreu ferimentos leves. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o teste do bafômetro confirmou que ele estava embriagado. Para os agentes, o acidente teria sido provocado de forma intencional. Ele foi preso em flagrante e levado para a Central de Flagrantes de São José dos Campos. Inicialmente, o caso foi registrado como ameaça e retenção de menor, mas também deve ser investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio.

Na quinta-feira, 21, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a prisão em flagrante do homem foi convertida em prisão preventiva. A decisão mantém o suspeito preso enquanto o caso segue sob investigação. A apuração deverá analisar as mensagens enviadas à mãe, a chamada de vídeo feita antes do capotamento, o resultado do teste do bafômetro, a dinâmica do acidente e os relatos de testemunhas e equipes que atenderam a ocorrência.

A defesa do pai da criança afirmou, em nota, que repudia as acusações e sustenta que ele exercia o direito de convivência com a filha. Os advogados alegaram que uma testemunha teria presenciado o acidente e relatado que um caminhão teve um pneu estourado pouco antes do capotamento, provocando um barulho que teria assustado o motorista. A defesa também afirmou que o pai retirou o cinto da filha e a resgatou do veículo, além de dizer que ele mantinha relação saudável e cordial com a mãe da criança.

Os advogados informaram ainda que ingressaram com pedido de habeas corpus para tentar a liberação do homem. A nota da defesa, no entanto, não se manifestou sobre a chamada de vídeo e as mensagens que a mãe afirma ter recebido antes do acidente, nem sobre o consumo de bebida alcoólica apontado pela Polícia Rodoviária Federal. Segundo a defesa, as acusações serão contestadas ao longo do processo.

Para a mãe, a cena da filha sorrindo e dando tchau dentro do carro pouco antes do capotamento se transformou em uma imagem impossível de esquecer. Ela afirmou que o ex-companheiro usava a criança como forma de tentar contato após o fim da relação e declarou que nunca negou o acesso dele à filha. Abalada, disse não conseguir compreender como uma pessoa que dias antes acompanhava a menina no hospital, após uma convulsão, poderia colocá-la em uma situação de risco tão grave.

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