TATYANE EM PINDAMONHANGABA: MULHER TRANS PRESA É INVESTIGADA POR LIGAÇÃO COM AERONAVE APREENDIDA COM 470 KG DE COCAÍNA
Uma mulher trans foi presa em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, suspeita de ligação com uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas. Identificada pelo nome social Tatyane Gomes Corrêa, ela era procurada pela Justiça Federal em um processo que ainda trazia o nome civil Luiz Gustavo Corrêa. A prisão foi realizada por policiais da 2ª Delegacia de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas, o Dope, da Polícia Civil de São Paulo.
A prisão chama atenção pelo alcance da investigação. O caso está ligado à Operação Rota Andina, conduzida pela Polícia Federal após a apreensão de 470 quilos de cocaína em uma aeronave interceptada pela Força Aérea Brasileira em Santa Rita do Araguaia, em Goiás, em abril de 2025. O avião realizou um pouso forçado após a abordagem, e a partir da apreensão da droga os investigadores passaram a rastrear empresas, movimentações financeiras e pessoas que poderiam ter participação no esquema.
Segundo as investigações, o nome civil da suspeita aparecia vinculado a uma empresa apontada como relacionada a movimentações financeiras ligadas à compra da aeronave usada no transporte da droga. A polícia também identificou ligação do nome investigado com uma cooperativa no Rio Grande do Sul, que estaria sob análise por movimentações consideradas suspeitas. Para os investigadores, a apuração tenta esclarecer se Tatyane teria atuado como operadora financeira da organização criminosa.
A Polícia Civil informou que o trabalho de inteligência identificou que a investigada vivia em Pindamonhangaba e trabalhava em um salão de beleza. As equipes realizaram campana em frente ao imóvel onde ela estava e fizeram a abordagem no momento em que a mulher deixava a residência. Após a prisão, Tatyane foi levada para a sede da Divisão de Capturas, onde passou por exame papiloscópico para confirmação da identidade.
Um dos pontos que dificultou inicialmente a localização, segundo as informações policiais, foi o fato de a ordem judicial estar vinculada ao nome civil. Antes da decretação da prisão preventiva, Tatyane havia passado por transição de gênero e passou a utilizar o nome social, informação que não era conhecida pelas equipes no início da investigação. O delegado Rogério Barbosa afirmou que os levantamentos indicavam que o nome social já era o mais utilizado pela investigada, embora a alteração oficial dos documentos ainda não tivesse sido concluída.
Em depoimento, Tatyane negou envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Ela afirmou que teve os dados utilizados por criminosos sem seu conhecimento e disse não ter participação no esquema investigado. A versão apresentada por ela deverá ser analisada no decorrer da investigação, junto aos documentos, movimentações financeiras, vínculos empresariais e demais elementos reunidos pela Polícia Federal.
A prisão em Pindamonhangaba representa um dos desdobramentos da Operação Rota Andina, que teve 24 alvos e mira uma estrutura suspeita de atuar no transporte internacional de drogas. O ponto central da apuração é a aeronave apreendida em Goiás com quase meia tonelada de cocaína, além das possíveis conexões financeiras usadas para viabilizar a compra, operação ou ocultação de bens relacionados ao grupo investigado.
Após audiência de custódia, Tatyane deverá ser transferida para um Centro de Detenção Provisória. Posteriormente, a previsão é que ela seja encaminhada para Goiás, onde a investigação é conduzida pela Justiça Federal.


