Quarta-feira, Maio 20, 2026
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DIABO DO PCC: QUEM É O CRIMINOSO PRESO EM UBATUBA E INVESTIGADO POR TRÁFICO, HOMICÍDIOS E ATAQUE A ÔNIBUS

A prisão de Edigleison Brito dos Santos Figueiredo, de 31 anos, conhecido pelo apelido de “Diabo”, colocou fim a uma caçada policial contra um dos nomes apontados pelas investigações como mais procurados de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Ele foi preso nesta terça-feira, dia 19, em uma ação da Polícia Civil coordenada pela delegada Ana Carolina Pereira de Oliveira, após trabalho de inteligência e diligências que localizaram o investigado.

Segundo informações divulgadas pelas forças de segurança, Edigleison é apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, e investigado por atuação no tráfico de drogas em Ubatuba. Para a polícia, ele teria função estratégica na logística do tráfico e ligação com ações relacionadas ao chamado “tribunal do crime”, expressão usada para se referir a julgamentos e punições impostos por integrantes de facções dentro do universo criminoso.

As investigações também apuram a suspeita de participação de “Diabo” em homicídios registrados no município. Além disso, ele é investigado por envolvimento em esquemas de distribuição de drogas apreendidas em operações realizadas nos últimos anos. O conjunto de suspeitas, somado aos antecedentes criminais e à condenação já existente, fez com que Edigleison passasse a ser tratado como um alvo prioritário das forças policiais na cidade.

A prisão aconteceu um dia depois de uma operação do 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia, o BAEP, no bairro Sesmaria, em Ubatuba. Na segunda-feira, dia 18, os policiais foram até um imóvel onde o suspeito poderia estar escondido, mas encontraram apenas a companheira dele. Durante buscas autorizadas na residência, os agentes localizaram R$ 18.797 em espécie dentro de um guarda-roupas.

Conforme o boletim de ocorrência daquela ação, a mulher inicialmente negou conhecer Edigleison e afirmou que seu companheiro se chamava João Guilherme. Depois, acompanhada por uma advogada, confirmou que Edigleison Brito seria seu companheiro. Segundo o BAEP, o dinheiro apreendido pertenceria ao investigado. Nenhum outro material ilícito foi encontrado no imóvel, mas a quantia foi recolhida e deverá ter a origem investigada pela Polícia Civil.

Além das suspeitas atuais, Edigleison Brito dos Santos Figueiredo já possui condenação definitiva por um caso que marcou Ubatuba em 2020. Ele foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo crime de incêndio com risco à integridade física e ao patrimônio de terceiros, previsto no artigo 250 do Código Penal, após ataques contra ônibus na Rodovia Rio Santos, a BR 101.

O crime ocorreu na noite de 28 de abril de 2020, na altura do bairro Mato Dentro. Segundo a denúncia do Ministério Público, um grupo formado por cerca de 20 pessoas interceptou dois ônibus intermunicipais das empresas Pássaro Marrom e Expresso Verde Bus durante um protesto motivado pela morte de um adolescente em uma ação policial na comunidade Anchieta. Motoristas e passageiros foram obrigados a descer dos veículos, que foram incendiados em seguida. Um dos coletivos acabou totalmente destruído pelas chamas.

As investigações apontaram que Edigleison e outros três denunciados participaram da ação criminosa. Imagens de câmeras de segurança, laudos periciais e reconhecimentos ajudaram na identificação dos envolvidos. Na sentença, a Justiça absolveu os réus da acusação de roubo por falta de provas suficientes sobre a autoria das subtrações de dinheiro durante o tumulto, mas considerou comprovada a participação dos acusados nos incêndios.

Segundo registros policiais e judiciais, “Diabo” possui antecedentes por roubo, dano ao patrimônio, incêndio, associação criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. A prisão desta terça-feira representa um novo capítulo nas investigações contra o suspeito e deve reforçar a apuração sobre sua suposta atuação dentro da estrutura criminosa em Ubatuba.

Com a captura, Edigleison permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil deve aprofundar as investigações sobre a ligação dele com o tráfico de drogas, possíveis homicídios, movimentação de valores e ações atribuídas ao crime organizado no Litoral Norte. Para as forças de segurança, a prisão de um investigado com esse histórico representa um avanço no enfrentamento à criminalidade em Ubatuba.

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