Quinta-feira, Maio 14, 2026
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“MINHA IRMÃ NÃO ERA SÓ MAIS UM NÚMERO”: MORTE DE GABI POR DENGUE EM TAUBATÉ GERA COMOÇÃO E FAMÍLIA APONTA NEGLIGÊNCIA

“Tá apertando demais a saudade, como dói não ter você aqui.” A frase publicada pela tatuadora Larissa nas redes sociais traduz a dor de uma família que perdeu Gabriella Caroline Custódio, de apenas 13 anos, vítima de dengue em Taubaté. A morte da adolescente, chamada carinhosamente de Gabi, provocou forte comoção e levantou questionamentos sobre os atendimentos recebidos por ela na UPA Central do município, em meio ao cenário de epidemia de dengue decretado na cidade.

A família afirma que Gabriella procurou atendimento médico mais de uma vez antes de morrer e aponta possível negligência durante a assistência prestada na unidade de pronto atendimento. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Larissa relatou os últimos dias da irmã e fez um apelo para que outras famílias fiquem em alerta. Emocionada, ela afirmou que a intenção da exposição não era apenas denunciar o que considera falhas no atendimento, mas também impedir que outras pessoas passem pela mesma dor.

“Minha irmã não era só mais um número”, declarou Larissa, ao criticar a forma como, segundo ela, pacientes estariam sendo tratados nas unidades de saúde. No relato, a jovem afirmou que Gabriella foi levada à UPA pela primeira vez no dia 1º de abril, apresentando sintomas da doença. Ainda de acordo com a família, mesmo com saturação baixa, a adolescente teria recebido diagnóstico inicial de gripe e foi liberada para voltar para casa.

Dois dias depois, com piora no quadro clínico, Gabriella retornou à unidade. Segundo os familiares, os profissionais levantaram a suspeita de dengue, mas mantiveram a orientação de tratamento domiciliar. A situação, conforme relatado pela irmã, se agravou rapidamente nos dias seguintes, até que, no dia 7 de abril, a adolescente acordou com as pontas dos dedos arroxeadas e dificuldade para respirar.

Larissa contou que uma enfermeira percebeu a gravidade do estado da irmã e iniciou atendimento com oxigênio após constatar saturação muito baixa. Segundo ela, o quadro já era crítico naquele momento. A família relatou ainda que, após a realização de exames, foi constatado comprometimento importante no pulmão esquerdo de Gabriella. A adolescente precisou ser entubada e foi transferida para o Hospital Municipal Universitário de Taubaté, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

De acordo com a família, o laudo apontou broncopneumonia associada ao quadro de dengue. A morte de Gabriella ampliou a dor e a revolta dos familiares, que cobram respostas sobre os procedimentos adotados durante os atendimentos na UPA Central. Nas redes sociais, a irmã da adolescente publicou homenagens emocionadas e relembrou a importância de Gabi em sua vida, descrevendo a jovem como apoio emocional, melhor amiga e uma pessoa cheia de sonhos.

Em uma das mensagens, Larissa lamentou o futuro interrompido da irmã. “Você merecia tanto viver. Eu queria te ver crescer e se tornar a mulher maravilhosa que estava se tornando”, escreveu. As publicações mobilizaram amigos, familiares e moradores de Taubaté, que compartilharam fotos, lembranças e mensagens de despedida. Gabriella foi descrita por pessoas próximas como uma menina inteligente, educada, forte e cheia de planos.

A Prefeitura de Taubaté informou que a Secretaria de Saúde está em posse do prontuário da paciente e que irá apurar o caso para verificar os protocolos adotados durante os atendimentos realizados na UPA Central. A administração municipal também afirmou que exames póstumos feitos pelo Instituto Adolfo Lutz deram resultado positivo para dengue, descartando outras hipóteses levantadas anteriormente em razão de sintomas semelhantes.

Taubaté enfrenta situação de epidemia de dengue. Gabriella Caroline Custódio foi a segunda morte confirmada pela doença no município neste ano. Segundo a Prefeitura, a adolescente morava no Residencial Estoril e morreu no dia 8 de abril. A confirmação da causa da morte ocorreu após exames laboratoriais divulgados no fim do mês.

A primeira morte por dengue confirmada na cidade foi de um homem de 80 anos, morador do Jardim Gurilândia. Ele morreu no dia 5 de abril, e o óbito foi confirmado oficialmente no dia 23 do mesmo mês. Diante do avanço da doença, a Prefeitura reforçou que as principais formas de prevenção continuam sendo o combate aos criadouros do mosquito transmissor e a vacinação de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.

Enquanto o poder público promete apurar os atendimentos, a família de Gabriella busca respostas. A dor da perda se mistura à indignação de quem acredita que a adolescente poderia ter tido outro desfecho. Para Larissa, a história da irmã precisa ser lembrada não como estatística, mas como um alerta. Gabi tinha nome, família, sonhos e uma vida inteira pela frente.

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