ACUSADO DE MATAR E ENTERRAR NAMORADA EM CARAGUATATUBA VIRA RÉU POR FEMINICÍDIO
A Justiça aceitou a denúncia contra André Luiz Apolinário, acusado de matar a namorada, Cássia Kerolin de Souza Elias, de 27 anos, e enterrar o corpo da vítima dentro de um barraco de madeira no bairro Rio do Ouro, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Com a decisão, André, que já está preso, passou oficialmente à condição de réu no processo e poderá ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O crime aconteceu em fevereiro deste ano e ganhou grande repercussão pela gravidade dos fatos e pela forma como o corpo da vítima foi encontrado. Cássia foi localizada enterrada dentro do imóvel após familiares acionarem a polícia, preocupados com o desaparecimento da jovem. A partir das informações repassadas pelos parentes, as equipes iniciaram as diligências e chegaram ao barraco onde havia sinais de movimentação recente de terra.
Segundo o boletim de ocorrência, o corpo da vítima estava enterrado a cerca de um metro de profundidade. A descoberta confirmou a suspeita de que algo grave havia acontecido e fez a investigação avançar rapidamente. No dia seguinte ao encontro do cadáver, André Luiz Apolinário foi preso temporariamente e passou a ser investigado pela Polícia Civil pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.
De acordo com o Ministério Público, Cássia teria sido morta após uma discussão com o acusado. A denúncia aponta que André teria utilizado um objeto para golpear a vítima na cabeça. Para o MP, o crime foi cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima, qualificadora que agrava a acusação e será analisada ao longo do processo judicial.
Com o recebimento da denúncia, André Luiz Apolinário responderá por feminicídio e ocultação de cadáver. O feminicídio é a qualificadora aplicada em crimes contra mulheres em razão da condição de sexo feminino, especialmente em contextos de violência doméstica, familiar ou de menosprezo à mulher. Já a ocultação de cadáver se refere à tentativa de esconder o corpo da vítima após o crime, dificultando a localização e a apuração dos fatos.
A decisão da Justiça marca uma nova etapa do caso. A partir de agora, o processo seguirá para a fase de instrução, quando testemunhas poderão ser ouvidas, provas serão analisadas e a defesa terá oportunidade de apresentar sua versão. Ao final dessa fase, caberá à Justiça decidir se o acusado será pronunciado, ou seja, se irá a julgamento popular no Tribunal do Júri.
O caso representa mais um episódio grave de violência contra a mulher e reforça a importância da atuação das autoridades diante de situações de desaparecimento, especialmente quando há indícios de crime. A localização do corpo dentro do barraco, os sinais de terra mexida no imóvel e os demais elementos reunidos pela investigação foram considerados pelo Ministério Público na denúncia apresentada à Justiça.
André Luiz Apolinário permanece preso enquanto o processo segue em tramitação. A reportagem será atualizada caso a defesa do acusado se manifeste.


