EM PRIMEIRA MISSA COMO ARCEBISPO DE APARECIDA, DOM MÁRIO PEDE PAZ, CONDENA FEMINICÍDIO E DEFENDE IGREJA MAIS PRESENTE NA SOCIEDADE
A primeira missa de Dom Mário Antônio como novo arcebispo da Arquidiocese de Aparecida foi marcada por um discurso forte, social e carregado de reflexões sobre os desafios enfrentados pela população brasileira. Realizada neste sábado, dia 2 de maio, no Santuário Nacional, a celebração reuniu milhares de fiéis, religiosos, autoridades e representantes da Igreja Católica em um momento que marcou oficialmente o início de uma nova etapa à frente de uma das arquidioceses mais importantes do país. Em sua primeira homilia, Dom Mário deixou claro que pretende conduzir sua missão episcopal com olhar voltado não apenas à espiritualidade, mas também às dores humanas, defendendo uma Igreja presente nas discussões sociais, próxima dos mais vulneráveis e comprometida com a promoção da paz e da dignidade.
Durante a celebração, um dos momentos que mais chamou atenção foi quando o arcebispo abordou diretamente a questão da violência, especialmente os altos índices de feminicídio registrados no Brasil. Em tom firme, Dom Mário afirmou que a Igreja não pode permanecer em silêncio diante de situações que ferem a vida humana e destacou a necessidade de combater todas as formas de agressão. Segundo ele, a violência contra a mulher precisa ser enfrentada com seriedade e consciência coletiva, principalmente diante dos números que seguem crescendo em todo o país. “Nos interpela hoje a questão da violência, de qualquer forma, inclusive a violência contra a mulher. Devemos combater diante do vergonhoso número de feminicídios no nosso Brasil”, declarou diante dos fiéis presentes no Santuário Nacional.
Além do alerta sobre a violência doméstica e os crimes contra mulheres, Dom Mário também utilizou sua primeira homilia para defender a paz mundial. O arcebispo afirmou que guerras e conflitos não começam apenas quando há armas ou confrontos visíveis, mas nas atitudes humanas, na intolerância e nas divisões presentes dentro da sociedade. Inspirado nas mensagens do Papa Leão XIV, ele reforçou que os cristãos devem ser promotores da paz, do diálogo e da reconciliação. Em sua reflexão, destacou que a transformação social passa também pela mudança interior das pessoas, defendendo que a fé seja instrumento de união em tempos de tensão e polarização. “Cristo é a nossa paz”, afirmou ao incentivar os fiéis a assumirem compromisso com relações mais humanas e solidárias.
Ao longo do sermão, Dom Mário reforçou que a missão da Igreja não pode se limitar aos ritos religiosos ou à vivência espiritual dentro dos templos. Para ele, evangelizar também significa atuar diante dos problemas reais enfrentados pela população, como fome, pobreza, desigualdade e falta de moradia digna. Em diversos momentos da homilia, o novo arcebispo ressaltou que fé e responsabilidade social caminham juntas e que a Igreja precisa estar presente onde existem sofrimento, abandono e exclusão. Ele defendeu ações concretas de acolhimento e solidariedade, além de incentivar maior compromisso com iniciativas sociais capazes de transformar vidas. “A fome machuca, a fome dói, a fome mata”, declarou ao abordar a importância de combater o desperdício e ampliar gestos de partilha.
Dom Mário também apresentou aquilo que considera ser a base de sua caminhada episcopal. Segundo ele, seu programa de vida como arcebispo pode ser resumido na expressão “viver a Páscoa e dar muitos frutos”. O religioso afirmou que o papel do bispo é ajudar a conduzir a comunidade cristã pelo caminho do Evangelho, promovendo discernimento, acolhimento e unidade. Para o novo líder religioso, ser cristão exige movimento constante, crescimento espiritual e capacidade de conversão diária. Em sua visão, a Igreja deve ser missionária, peregrina e aberta ao diálogo, acompanhando as mudanças sociais sem perder sua essência evangelizadora.
Natural de Itararé, Dom Mário Antônio tem 59 anos e possui trajetória marcada por atuação em diferentes regiões do país. Antes de assumir a Arquidiocese de Aparecida, era arcebispo de Cuiabá e também exerceu funções pastorais em áreas da Amazônia, onde trabalhou em contextos ligados à vulnerabilidade social, migração e acolhimento humano. Ele sucede Dom Orlando Brandes, que deixa a liderança da arquidiocese após atingir a idade prevista pela Igreja Católica para aposentadoria episcopal.
A cerimônia contou com a presença de autoridades religiosas e políticas, entre elas o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin. O ambiente no Santuário Nacional foi marcado por emoção, expectativa e acolhimento ao novo arcebispo, que assume a responsabilidade de conduzir uma arquidiocese com forte relevância nacional e internacional, especialmente por abrigar o principal centro de peregrinação católica da América Latina.
Ao encerrar sua primeira missa como arcebispo, Dom Mário reforçou a importância da comunhão e da esperança, afirmando que a missão da Igreja deve ser a de aproximar pessoas, reconstruir laços e promover justiça. Segundo ele, produzir frutos significa levar esperança onde existe medo, construir unidade onde há divisão e fortalecer a presença cristã nas realidades mais difíceis da sociedade. A celebração marcou não apenas uma posse religiosa, mas também a apresentação pública do tom pastoral que deverá guiar sua atuação nos próximos anos à frente da Arquidiocese de Aparecida.

Foto: Reprodução/A12

