Sexta-feira, Maio 1, 2026
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ABSOLVIDO: PADRASTO ACUSADO DE MATAR MENINO DE 3 ANOS DEIXA PRISÃO APÓS DECISÃO DO JÚRI EM VARGINHA

O julgamento que mobilizou familiares, advogados e moradores de Varginha terminou com uma reviravolta que provocou forte repercussão. O homem acusado de matar o menino Davi Miranda Totti, de apenas 3 anos, foi absolvido após decisão do Tribunal do Júri realizada entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30). Leonardo José Cardoso Azevedo Capitâneo, padrasto da criança, respondia por homicídio qualificado e tortura, mas acabou inocentado após os jurados concluírem que não havia comprovação suficiente de autoria.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que houve crime, mas rejeitou a acusação de que Leonardo teria sido o responsável pela morte do menino. A decisão foi tomada por maioria de votos, encerrando um processo que gerou grande expectativa desde a prisão preventiva do réu. Com o entendimento de que não ficou comprovado que ele foi o autor das agressões, a Justiça determinou a expedição imediata do alvará de soltura.

O caso ganhou repercussão desde fevereiro de 2025, quando Davi deu entrada em uma unidade de pronto atendimento em estado grave. Segundo registros médicos, a criança apresentava diversos ferimentos pelo corpo, hematomas, sangramento ocular e bucal, além de traumatismo craniano. O quadro clínico levantou suspeitas imediatas de violência, levando a Polícia Militar a ser acionada.

Na época, Leonardo afirmou em depoimento que havia colocado o menino para dormir e negou qualquer agressão. Disse ainda desconhecer a origem das lesões encontradas no corpo da criança. Davi permaneceu internado por 14 dias no Hospital Regional de Varginha, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou a tese de homicídio qualificado cometido com extrema crueldade, alegando que a vítima não teve chance de defesa devido à idade. A acusação pediu condenação, argumentando que os ferimentos não seriam compatíveis com um acidente doméstico.

Já a defesa adotou uma linha completamente diferente, afirmando que não houve espancamento e que tudo teria ocorrido após uma queda dentro da residência. Segundo o advogado Fábio Gaudêncio, a análise apresentada em plenário demonstrou inconsistências na investigação e indicou que a morte teria sido consequência de um acidente doméstico.

“Ao longo dos dois dias de julgamento, ficou demonstrado que não houve agressão e que tudo ocorreu após uma queda dentro da casa”, afirmou a defesa.

Após a apresentação das provas e depoimentos, os jurados seguiram para votação em sala secreta. Embora tenham reconhecido a existência do crime, entenderam que não ficou comprovado que Leonardo foi o autor. A votação terminou em 4 votos a 2 pela negativa de autoria, resultando na absolvição.

A decisão provocou forte reação da família paterna de Davi, que acompanhou o julgamento. Em nota, os familiares afirmaram que o resultado reacendeu uma dor profunda e trouxe sensação de injustiça.

Segundo o posicionamento divulgado, a absolvição foi recebida com indignação e sofrimento, embora a família mantenha esperança na continuidade do processo por meio de recurso.

A defesa comemorou o resultado e afirmou que a decisão do júri reforça que não havia provas suficientes para condenação. Já o Ministério Público ainda poderá recorrer da sentença.

O caso segue cercado por forte impacto emocional e repercussão pública, principalmente pela gravidade das acusações e pela morte de uma criança tão pequena. Mesmo com a absolvição, a história continua marcada por questionamentos, dor e expectativa de novos desdobramentos judiciais.

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