Quinta-feira, Abril 30, 2026
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JOVEM DE 21 ANOS MORRE COM SUSPEITA DE DENGUE HEMORRÁGICA E FAMÍLIA DENUNCIA DEMORA EM ATENDIMENTO EM TAUBATÉ

A morte da jovem Kaliene Aparecida Scarpa da Silva, de apenas 21 anos, causou forte comoção em Taubaté e levantou questionamentos sobre o atendimento recebido durante os dias em que buscou ajuda médica. Moradora do bairro Parque Três Marias, Kaliene morreu com suspeita de dengue hemorrágica após apresentar rápida piora clínica. Familiares afirmam que o caso foi agravado por falhas no atendimento inicial, ausência de exames específicos e demora na transferência hospitalar, fatores que, segundo eles, podem ter comprometido as chances de sobrevivência da jovem.

Descrita por parentes e amigos como uma pessoa doce, alegre e cheia de planos, Kaliene trabalhava com crianças em uma creche e sonhava em seguir carreira como perita criminal. Segundo familiares, ela começou a apresentar sintomas no fim de semana e procurou atendimento médico na UPA San Marino no domingo (26). Na ocasião, de acordo com relatos da família, a jovem foi avaliada, recebeu diagnóstico de virose e foi liberada para retornar para casa. O que mais revolta os parentes é o fato de, segundo eles, não ter sido realizado exame específico para dengue, mesmo diante do cenário de epidemia já decretado na cidade.

A madrinha de Kaliene, Natália Scarpa Ferraz, afirma que a família saiu da unidade acreditando que se tratava de algo passageiro, mas logo percebeu que o quadro clínico evoluía rapidamente. Segundo ela, a jovem retornou para casa ainda debilitada, apresentando dores, febre e indisposição, mas sem orientação específica relacionada à possibilidade de dengue grave. Para os familiares, a ausência de investigação mais aprofundada no primeiro atendimento representou um momento decisivo.

“Não fizeram sequer um exame de dengue. Disseram que era uma virose e mandaram ela embora”, afirmou Natália.

Naquele período, Taubaté já enfrentava crescimento expressivo de casos da doença. Até quarta-feira (29), o município registrava centenas de confirmações positivas, além de mortes e investigações relacionadas à dengue. A cidade havia decretado situação de epidemia poucos dias antes, aumentando a preocupação entre moradores e profissionais da saúde.

Segundo a família, o estado de Kaliene piorou de forma intensa entre a noite de segunda-feira (27) e a madrugada de terça-feira (28). A jovem passou a apresentar hematomas pelo corpo, sangramentos intensos e sinais que, posteriormente, foram associados à dengue hemorrágica. O agravamento ocorreu em poucas horas, levando parentes a procurarem novamente atendimento médico.

Ao retornarem à unidade de saúde, os familiares afirmam que a gravidade finalmente foi reconhecida. Médicos teriam indicado necessidade urgente de transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva, diante do risco iminente de falência orgânica. Porém, segundo relatos, a espera por uma vaga acabou se prolongando.

A família afirma que a urgência foi identificada ainda pela manhã, mas a confirmação da transferência hospitalar demorou horas para acontecer. Esse intervalo é apontado pelos parentes como um dos momentos mais dolorosos da situação, já que Kaliene seguia apresentando piora enquanto aguardava encaminhamento.

“A urgência foi reconhecida às 7h, mas a vaga só foi confirmada perto das 15h. Perdemos tempo precioso”, relatou a madrinha.

Kaliene foi transferida para o Hospital Municipal Universitário de Taubaté e chegou à unidade por volta das 16h. Poucos minutos depois, às 16h22, teve o óbito confirmado. A rapidez entre a chegada ao hospital e a morte reforçou a sensação de impotência entre os familiares, que acreditam que a jovem já chegou à unidade em estado extremamente crítico.

A dor da perda veio acompanhada por questionamentos. A família afirma que busca respostas para entender se o desfecho poderia ter sido evitado com diagnóstico mais rápido e atendimento precoce. O sentimento predominante, segundo os parentes, é de que o agravamento da doença não recebeu a atenção necessária no início dos sintomas.

“O que custa um exame simples? Custa uma vida?”, questionou a madrinha.

Além da denúncia envolvendo possível negligência, familiares também chamam atenção para o avanço da dengue na região onde Kaliene morava. Segundo eles, outros moradores da mesma rua também apresentaram sintomas recentemente, reforçando a preocupação com a circulação do vírus no bairro.

Enquanto aguardavam a liberação do corpo, parentes relataram que equipes realizavam aplicação de inseticida contra o mosquito transmissor na região.

“Enquanto esperávamos, estavam passando veneno contra a dengue na rua. Para ela, já era tarde demais”, afirmou Natália.

Kaliene é lembrada por amigos e familiares como uma jovem carinhosa, dedicada e muito ligada às crianças. Trabalhava em creche, tinha planos de crescimento profissional e alimentava o sonho de atuar na área criminalística. Pessoas próximas descrevem sua personalidade como acolhedora e generosa.

“Tinha um sorriso que iluminava tudo. Era amor em forma de pessoa”, contou uma familiar.

A Prefeitura de Taubaté informou que o caso está sendo analisado pela Secretaria de Saúde. Segundo nota oficial, equipes da Vigilância Epidemiológica e do setor de Urgência e Emergência realizam análise detalhada dos prontuários médicos, fluxos de atendimento e condutas adotadas na UPA San Marino.

O município afirmou ainda que, caso sejam identificadas inconsistências nos procedimentos, poderá ser aberta sindicância para apuração de responsabilidades junto à organização responsável pela gestão da unidade.

Enquanto a investigação segue em andamento, a morte de Kaliene reacende o alerta sobre a gravidade da dengue, especialmente em períodos de epidemia. O caso também reforça a importância do diagnóstico precoce, monitoramento rigoroso e rápida intervenção diante de sinais de agravamento, principalmente em pacientes que apresentam sintomas compatíveis com formas graves da doença.

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