Boletim registrado pelo avô dias antes da tragédia pode reforçar investigação sobre morte de bebê em Cruzeiro
Novos elementos surgem em meio à investigação que apura a morte de um bebê de 29 dias em Cruzeiro. Dias antes do caso ganhar repercussão policial, o avô materno da criança já havia procurado a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência relatando medo e desconforto relacionado ao companheiro da filha.
O documento foi registrado em 20 de abril, uma semana antes da morte do recém-nascido, e descreve um ambiente familiar marcado por tensão e insegurança.
Segundo o boletim, o homem, de 62 anos, relatou sentir-se intimidado pela presença constante do namorado da filha dentro da residência onde ela estava morando temporariamente após o nascimento do bebê.
A filha havia retornado à casa do pai, localizada no bairro Vila Ana Rosa Novaes, em Cruzeiro, após dar à luz em 29 de março. Conforme o relato, a intenção era receber apoio familiar durante o período pós-parto.
Entretanto, o relacionamento da mulher passou a gerar conflitos dentro do imóvel.
No registro policial, o avô afirma que o companheiro da filha frequentava a casa e, em determinados períodos, chegou a permanecer no local, mesmo sem consentimento do proprietário.
Segundo o documento, ele teria deixado claro que não aceitava a permanência do homem na residência.
Ainda conforme o boletim, no dia em que procurou a delegacia, o avô relatou ter retornado de Guaratinguetá e encontrado o suspeito dentro do imóvel, aparentemente embriagado, com forte odor de álcool e cigarro, dormindo na cama da filha.
Uma semana depois, em 27 de abril, o bebê morreu após dar entrada em estado gravíssimo na Santa Casa de Misericórdia de Cruzeiro.
O caso passou inicialmente a ser tratado como suspeita de omissão, mas ganhou novo rumo após laudos periciais apontarem traumatismo craniano e lesões torácicas, reforçando a investigação por homicídio contra menor de 14 anos.
Os pais da criança permanecem presos após a Justiça converter a prisão em flagrante em preventiva.
A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, laudos e registros anteriores que possam contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos e o contexto familiar antes da morte do bebê.
O boletim registrado pelo avô agora passa a ser considerado uma peça relevante dentro da investigação.

