POLÍCIA CIVIL DETALHA PRISÃO DOS PAIS APÓS MORTE SUSPEITA DE RECÉM NASCIDO EM CRUZEIRO; CASO É TRATADO COMO HOMICÍDIO CONTRA MENOR
A morte de um bebê de apenas 29 dias, registrada na tarde desta segunda-feira, dia 27 de abril, em Cruzeiro, ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação oficial do boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Civil. O caso passou a ser enquadrado como homicídio contra menor de 14 anos, previsto no artigo 121 do Código Penal.
A ocorrência começou dentro do Pronto Atendimento da Santa Casa de Misericórdia de Cruzeiro, quando médicos acionaram as autoridades após a entrada do recém-nascido em estado crítico. A criança chegou à unidade hospitalar sem reação, apresentando cianose, ausência de sinais vitais efetivos e sangramento intenso pelas vias aéreas.
Mesmo diante de uma corrida contra o tempo, equipes médicas realizaram procedimentos avançados de reanimação por mais de trinta minutos. Apesar das tentativas, o óbito foi confirmado pouco depois.
Diante das condições observadas, profissionais da saúde passaram a suspeitar que a morte não seria compatível com um quadro natural ou súbito. Segundo relatos médicos registrados oficialmente, o bebê apresentava hematomas, coloração arroxeada, livedo reticular, sangramento oral intenso e líquido nos pulmões.
A gravidade dos sinais levou à comunicação imediata da Polícia Civil.
Equipes do Plantão Policial de Cruzeiro seguiram até o hospital acompanhadas da autoridade policial, onde ouviram médicos, enfermeiros e iniciaram as primeiras diligências ainda dentro da unidade.
Durante os depoimentos, profissionais reforçaram que as características clínicas encontradas não eram compatíveis com uma morte repentina simples, fortalecendo a suspeita de violência ou omissão grave.
Os pais da criança, identificados apenas pelas iniciais M.S.D. e R.C.S.M., foram ouvidos e, segundo o boletim, apresentaram versões consideradas vagas e contraditórias.
A mãe relatou que o bebê teria permanecido horas sem supervisão, o que chamou atenção dos investigadores devido à idade extremamente delicada da criança.
Outro fator que pesou contra o casal foi o comportamento descrito por funcionários do hospital. O pai teria apresentado agressividade durante o atendimento, inclusive contra profissionais da saúde.
Ainda segundo a Polícia Civil, uma filha do casal, de aproximadamente dois anos, também estava presente e foi encaminhada ao Conselho Tutelar para acolhimento e proteção.
Durante as diligências, os policiais encontraram com o pai um recipiente comumente utilizado para armazenamento de substâncias entorpecentes. Conforme o boletim, ambos admitiram uso de drogas horas antes do ocorrido.
A investigação também aponta que o homem possui antecedentes criminais e histórico de comportamento violento, circunstâncias consideradas relevantes para a decisão policial.
Com base no conjunto de elementos reunidos — incluindo prontuários médicos, depoimentos, inconsistências nas versões apresentadas, indícios de negligência e contexto familiar — a Polícia Civil determinou a prisão em flagrante do casal.
A autoridade policial também solicitou a conversão da prisão em preventiva, diante da gravidade do caso e da necessidade de preservação da ordem pública.
O Instituto Médico Legal foi acionado para realização do exame necroscópico, que deverá apontar oficialmente a causa da morte.
O caso continua sendo investigado pela Delegacia Seccional de Cruzeiro.
A Polícia Civil destacou que a rápida atuação integrada entre equipes médicas e policiais foi fundamental para garantir a coleta imediata de provas e a responsabilização inicial dos envolvidos.
Reportagem em atualização.
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