DOR E REVOLTA EM LORENA: MÃE REVELA AGRESSÕES ANTES DE FEMINICÍDIO E DESABAFA ‘ELA CHEGAVA MACHUCADA’
A dor de uma mãe ganhou voz em meio a uma tragédia que poderia ter sido evitada. Em Lorena, o assassinato de Josima Rodrigues da Silva, de 34 anos, escancarou um histórico de violência que, segundo a família, já vinha sendo vivido em silêncio e sofrimento. Em um relato emocionado, a mãe da vítima revelou que a filha já chegava em casa machucada após agressões do ex-companheiro.
“Ela me contava que ele batia nela, agredia muito. Às vezes chegava machucada. Eu aconselhava, tentava ajudar”, desabafou Luzia Rodrigues, evidenciando que os sinais de perigo já existiam muito antes do crime que tirou a vida da filha.
O feminicídio aconteceu na noite de domingo, dia 19, na Avenida Coronel José Vicente, no bairro Vila Hepacaré, em frente à casa de Josima. O ex-companheiro, identificado como Antônio Marcos Noronha Silva, de 47 anos, atacou a vítima com golpes de faca em plena via pública, em uma cena de extrema violência que chocou moradores da região.
Josima não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, com sinais de hemorragia intensa. O namorado dela, que estava presente no momento do ataque, também foi ferido ao tentar intervir e prestar socorro, sendo encaminhado para atendimento médico.
A ação só foi interrompida após um pedido de ajuda feito por uma testemunha. A Guarda Civil Municipal foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou o suspeito fugindo. Houve perseguição imediata, e o homem foi alcançado, imobilizado e preso em flagrante.
O caso revolta ainda mais pela circunstância que antecede o crime. Josima já havia conseguido na Justiça uma medida protetiva contra o agressor dias antes do assassinato. A decisão judicial, que deveria garantir sua segurança, foi completamente ignorada, resultando em uma tragédia anunciada.
Durante a ocorrência, a faca utilizada no crime foi apreendida e encaminhada para perícia. O suspeito, que já possui antecedentes, permanece preso e deve passar por audiência de custódia. O caso foi registrado como feminicídio consumado e tentativa de homicídio.
A despedida da vítima acontece em meio a um clima de dor profunda e indignação. Para a família, resta a saudade e a sensação de impotência diante de uma violência que deixou marcas irreparáveis. “O pior é saber que minha filha não vai voltar, mas ver ele preso conforta um pouco o coração”, disse a mãe, emocionada.
A morte de Josima não é apenas mais um caso. É o retrato de uma realidade dura, em que mulheres ainda são vítimas mesmo após buscarem ajuda e proteção. O episódio reforça a urgência de medidas mais eficazes para garantir a segurança de quem vive sob ameaça.
Entre lágrimas, lembranças e homenagens, a história de Josima se transforma em um alerta. Um grito por justiça e por mudanças, para que outras vidas não sejam interrompidas da mesma forma.


