Terça-feira, Abril 7, 2026
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RELEMBRE O CASO DO “LOUCO DA FOICE”: CABO MOURA LEVOU GOLPE DE FOICE NA CABEÇA AO ENFRENTAR O TERROR E ENTROU PARA A HISTÓRIA DE CRUZEIRO

O passado voltou à tona. E não por acaso. O caso que marcou Cruzeiro como um dos episódios mais violentos de sua história ressurge agora diante da população após a aprovação do projeto de lei da vereadora Eunice da Saúde, que denomina uma via pública em homenagem ao Cabo Moura. A proposta foi aprovada por unanimidade na 10ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Cruzeiro, realizada na segunda-feira, dia 6 de abril, reacendendo a memória de um dia que jamais será esquecido.

Cruzeiro já viveu dias de medo. Dias em que a rotina foi quebrada por gritos, correria e sangue. Um episódio que atravessou gerações e ficou marcado na memória da cidade como o caso do “Louco da Foice”. E no meio desse cenário de horror, surgiu um nome que virou símbolo de coragem: Cabo Moura.

Era 13 de agosto de 1987, um dia que parecia comum, mas que rapidamente se transformaria em um dos capítulos mais assustadores da história local. Um homem armado com uma foice começou a atacar pessoas nas proximidades do campo da Vila Batista, na parte alta da cidade. Sem aviso, sem piedade. O saldo foi brutal: duas pessoas mortas e outras quatro feridas.

O pânico tomou conta. Moradores corriam, gritavam, tentavam entender o que estava acontecendo. A cidade, por alguns instantes, parou diante da violência inesperada.

Foi nesse cenário que entrou em cena o Cabo Moura.

Mesmo fora de serviço, ele não hesitou. Ao perceber a gravidade da situação, desceu de um ônibus e partiu em direção ao agressor. Não havia tempo para esperar reforço. Não havia margem para cálculo. Era agir ou ver mais vidas sendo destruídas.

Segundo relatos da época, o criminoso já havia ferido outras pessoas quando Moura decidiu intervir. O confronto foi direto, corpo a corpo, com o agressor ainda armado com a foice. Durante a ação, o policial foi atingido na cabeça, levando um golpe de foice e sofrendo ferimentos graves.

Mas mesmo ferido, não recuou.

Demonstrando frieza, preparo e um senso de dever que ultrapassa qualquer descrição, Cabo Moura conseguiu reagir. Sacou sua arma, efetuou disparos e neutralizou o agressor. Ainda assim, a luta não terminou de imediato. O criminoso avançou novamente, iniciando uma nova tentativa de ataque.

Foi então que, com bravura e determinação, Moura conseguiu imobilizá-lo, colocando fim ao terror que tomava conta da cidade.

Naquele momento, Cruzeiro ganhava mais que um policial. Ganhava um herói.

Os registros da época, inclusive publicados no Jornal A Notícia, mostram o reconhecimento imediato da população. Moura foi homenageado publicamente, recebeu diploma, cartão de prata e o respeito de toda uma cidade que entendeu o tamanho do ato que havia presenciado.

Mais do que um enfrentamento, foi um gesto de entrega. Um homem que colocou a própria vida em risco para salvar desconhecidos.

Anos se passaram, mas a história permanece viva. Cabo Moura faleceu em 11 de maio de 2025, deixando um legado que ultrapassa o uniforme. Um legado de coragem, honra e compromisso com a vida.

Hoje, ao relembrar o caso do “Louco da Foice”, Cruzeiro não revive apenas um momento de terror. Revive também a força de um homem que decidiu agir quando todos estavam com medo.

E é justamente por isso que seu nome segue ecoando.

Porque heróis não nascem em tempos fáceis.

Eles surgem quando o medo toma conta e alguém decide enfrentá-lo.

Jornal A Notícia 🗞️

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