SALVOU AS CRIANÇAS, MAS NÃO CONSEGUIU SE SALVAR: DRAMA EM UBATUBA
O domingo, dia 5, amanheceu com sol, mar aberto e famílias espalhadas pela areia, mas terminou marcado por uma cena de desespero, coragem e comoção na Praia das Toninhas, em Ubatuba. Em meio ao vai e vem das ondas, um homem comum protagonizou um ato extraordinário. Adélio Alves Pires, de 49 anos, entrou no mar para salvar crianças que lutavam contra a correnteza. Salvou. Mas não conseguiu voltar.
Morador de Patrocínio, Adélio deixa esposa e dois filhos. Ele estava na praia como qualquer outro visitante, quando percebeu o perigo. Crianças tinham dificuldade para retornar à faixa de areia, sendo puxadas pela força do mar. Em um instante que separa o medo da coragem, ele não hesitou. Avançou contra as águas, enfrentou a correnteza e conseguiu retirar as vítimas do risco.
Mas o mar, implacável, cobrou seu preço.
O chamado de emergência foi registrado por volta das 8h50. Em poucos minutos, três viaturas e seis bombeiros do Grupamento de Bombeiros Marítimo chegaram ao local, iniciando uma corrida contra o tempo. Adélio foi encontrado em estado gravíssimo, classificado como afogamento grau 6, o nível mais crítico, que indica risco extremo de morte.
Na areia, sob os olhares apreensivos de quem acompanhava a cena, começaram as manobras de reanimação cardiopulmonar. Cada segundo era decisivo. Cada tentativa, uma esperança. E por um momento, o impossível pareceu acontecer. Os sinais vitais foram retomados.
A luta, porém, estava longe do fim.
Colocado em uma unidade de suporte avançado, ele foi encaminhado para atendimento médico. Durante o trajeto, uma nova parada cardiorrespiratória interrompeu novamente a esperança. A equipe seguiu tentando, insistindo, lutando contra o tempo. Mas, desta vez, não houve retorno. O óbito foi confirmado ainda durante o atendimento.
A notícia se espalhou rapidamente, trazendo consigo um sentimento coletivo de tristeza e respeito. Adélio não era apenas mais uma vítima do mar. Era o homem que escolheu salvar. Que colocou a vida de outros acima da sua própria. Que, diante do perigo, não recuou.
Na tarde de segunda-feira, dia 6, o silêncio tomou conta do cemitério municipal de Patrocínio. Familiares, amigos e moradores se reuniram para a despedida. Entre lágrimas e abraços, ficou a certeza de que ali não se enterrava apenas um homem, mas se eternizava um herói.
Porque há histórias que não terminam na tragédia. Elas continuam ecoando como exemplo. E a de Adélio Alves Pires é uma delas. Um homem que entrou no mar para salvar vidas… e saiu da história como símbolo de coragem, humanidade e amor ao próximo.


