Mistério internacional: jovem de Pouso Alegre some na Tailândia e gera apreensão às vésperas da liberdade
O caso da jovem Mary Hellen Coelho Silva, de 25 anos, natural de Pouso Alegre, em Minas Gerais, voltou a provocar forte comoção e preocupação após um novo e inquietante desdobramento. Presa na Tailândia desde 2022 por envolvimento com tráfico internacional de drogas, a brasileira deixou de manter qualquer contato com sua defesa nos últimos meses, justamente em um momento considerado crucial para o desfecho de sua pena.
A interrupção da comunicação aconteceu no início deste ano e, desde então, o silêncio tem sido absoluto. Até então, o contato entre Mary Hellen, sua advogada e familiares ocorria por meio de chamadas de vídeo intermediadas pela embaixada brasileira. Esse canal, porém, deixou de funcionar sem explicações claras, mergulhando o caso em um cenário de incerteza e angústia.
Sem o apoio consular, a situação se tornou ainda mais delicada. A defesa relata dificuldades severas para obter informações básicas sobre o estado da jovem, o andamento do processo e até mesmo sua condição atual dentro do sistema prisional tailandês. Barreiras como o idioma, as diferenças jurídicas e a distância geográfica, que já eram obstáculos naturais, passaram a ser praticamente intransponíveis sem qualquer tipo de intermediação oficial.
O último contato com Mary Hellen ocorreu ainda no ano passado, quando havia sinais positivos em relação ao caso. Na ocasião, ela já havia conseguido benefícios importantes, como a redução da pena por bom comportamento e o perdão de multas aplicadas na condenação. Restava apenas a análise de um pedido final que poderia antecipar sua liberação. A expectativa era de que a jovem pudesse deixar a prisão ainda no primeiro semestre de 2026.
O cenário atual, no entanto, é completamente diferente. O silêncio prolongado acendeu um alerta não apenas na equipe jurídica, mas principalmente na família, que vive dias de apreensão sem qualquer atualização concreta. Diante da falta de respostas, os familiares passaram a buscar alternativas para retomar o controle da situação.
Entre as medidas adotadas está a tentativa de contratar um advogado diretamente na Tailândia, seja de forma particular ou até mesmo com apoio voluntário. A estratégia tem como objetivo romper o bloqueio de informações, garantir acesso aos autos do processo e acompanhar de perto a fase final do cumprimento da pena, que pode ser decisiva para o retorno da brasileira ao Brasil.
O caso remonta a fevereiro de 2022, quando Mary Hellen foi presa no aeroporto de Bangkok ao lado de outros brasileiros, transportando cocaína escondida em malas. Posteriormente, ela admitiu participação no crime, afirmando ter atuado como “mula” do tráfico. A Justiça tailandesa a condenou a 9 anos e 6 meses de prisão, pena que acabou sendo reduzida ao longo do tempo em razão de benefícios legais e bom comportamento dentro do sistema prisional.
Agora, o que deveria ser um momento de expectativa pela liberdade se transforma em um cenário de incerteza. Sem contato, sem informações oficiais e sem o suporte necessário, o caso levanta questionamentos e amplia a tensão em torno do destino da jovem mineira.
A prioridade da defesa, neste momento, é restabelecer o contato, obter informações concretas e garantir que, ao fim da pena, Mary Hellen possa retornar ao Brasil em segurança. Enquanto isso não acontece, o silêncio segue como o principal personagem dessa história.


