Quinta-feira, Abril 2, 2026
Cidades

Execução brutal: advogado é morto a tiros durante cumprimento de penhora em São Vicente

Uma tarde que deveria ser marcada pelo cumprimento da lei terminou em violência e morte no litoral paulista. Um advogado foi executado a tiros enquanto realizava um procedimento judicial na cidade de São Vicente, escancarando os riscos que cercam o exercício da advocacia em situações de conflito direto envolvendo bens e interesses financeiros.

A vítima foi identificada como Maurício Almeida de Albuquerque, que morreu ainda no local após ser atingido por disparos de arma de fogo. O crime ocorreu por volta das 13h, dentro de uma empresa de contêineres localizada na Rua João Chancharulo, no bairro Jardim Rio Branco, em uma área de atividade empresarial.

Segundo as informações apuradas, o advogado participava do cumprimento de uma ordem judicial de penhora de bens, vinculada a um processo trabalhista da 2ª Vara do Trabalho de Guarujá. A medida judicial tinha como objetivo garantir o pagamento de uma dívida por meio da apreensão de patrimônio do devedor, procedimento comum no âmbito da Justiça do Trabalho, mas que, neste caso, acabou desencadeando um episódio de extrema violência.

Relatos iniciais indicam que os disparos ocorreram logo após o início — ou durante — a execução da ordem judicial. Ainda não há confirmação oficial sobre quantos envolvidos participaram da ação criminosa, nem sobre a dinâmica exata do ataque, o que reforça a complexidade do caso.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foram acionadas rapidamente e, ao chegarem ao local, encontraram duas pessoas feridas por arma de fogo. Maurício já estava em estado grave e não resistiu aos ferimentos, tendo o óbito confirmado ainda na cena, antes mesmo de qualquer possibilidade de remoção hospitalar.

Além do advogado, um segundo homem, de 44 anos, também foi atingido pelos disparos. Ele sofreu ferimentos no tórax, braço e membros inferiores, o que indica que esteve diretamente exposto à linha de fogo durante o ataque. Apesar da gravidade das lesões, a vítima foi socorrida consciente e encaminhada ao Hospital do Vicentino, onde permanece sob cuidados médicos.

A Secretaria de Saúde informou que não pode divulgar detalhes sobre o estado clínico do paciente, seguindo o que determina o Código de Ética Médica, que proíbe a exposição de informações obtidas no exercício profissional sem autorização do próprio paciente ou de seus responsáveis.

O caso gerou forte repercussão no meio jurídico da Baixada Santista e acendeu um alerta sobre a segurança de profissionais que atuam no cumprimento de decisões judiciais, especialmente em situações que envolvem conflitos patrimoniais. Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil – Guarujá informou que acompanha atentamente a ocorrência e aguarda a consolidação das informações por parte das autoridades.

A entidade também confirmou que acionou a Comissão de Prerrogativas, responsável por zelar pelos direitos e garantias do exercício da advocacia, e não descarta a adoção de medidas institucionais caso seja constatada qualquer violação às prerrogativas profissionais.

Até o momento, nenhum suspeito foi identificado. A autoria e a motivação do crime seguem sob investigação, e a expectativa é que imagens de segurança, testemunhos e perícias técnicas ajudem a esclarecer o que levou à execução do advogado em pleno exercício de sua função.

O caso expõe, de forma contundente, a tensão que pode envolver o cumprimento de ordens judiciais e reforça a necessidade de medidas que garantam maior segurança aos profissionais do direito. Enquanto isso, a morte de Maurício Almeida de Albuquerque deixa uma marca de indignação e levanta questionamentos sobre os limites da violência em conflitos que deveriam ser resolvidos exclusivamente dentro da legalidade.

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