Domingo, Junho 7, 2026
Capa

MARRETA NA HISTÓRIA: Prefeito destrói cocho em ato simbólico e Câmara reage com cobrança por explicações


Uma cena que era para simbolizar avanço acabou virando alvo de polêmica e indignação em Poços de Caldas. Durante um ato público que marcou o fim das charretes puxadas por cavalos na cidade, o prefeito Paulo Ney utilizou uma marreta para destruir um cocho localizado na Praça Getúlio Vargas, gesto que repercutiu negativamente e gerou questionamentos imediatos por parte do Legislativo.

A ação ocorreu na segunda-feira (16), sob aplausos de ativistas da causa animal que acompanhavam o evento. O cocho, que por anos serviu como bebedouro para os animais das charretes, foi alvo do ato simbólico conduzido pelo chefe do Executivo. No entanto, o que era para representar um novo momento para a cidade acabou sendo interpretado por muitos como um desrespeito à memória histórica local e aos trabalhadores que dependiam da atividade.

A reação veio rápida. A Câmara Municipal aprovou por unanimidade um requerimento apresentado pelo vereador Thiago Mafra, exigindo esclarecimentos formais sobre a legalidade da ação e questionando se houve autorização dos órgãos competentes para a intervenção no espaço.

O ponto central da discussão gira em torno do valor histórico do local. A Praça Getúlio Vargas integra o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro da cidade, tombado em nível estadual desde 1989 e também protegido pelo município desde 2006. De acordo com a legislação local, qualquer alteração em bens inseridos em áreas tombadas depende de autorização específica, inclusive do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (CONDEPHACT).

Apesar disso, a Divisão de Patrimônio Construído e Tombamento informou que o cocho em si não possuía tombamento individual e seria uma estrutura relativamente recente. Ainda assim, especialistas alertam que isso não elimina a necessidade de preservação do conjunto histórico.

O professor e historiador Hugo Pontes reforçou que todos os elementos inseridos em uma área tombada compõem a memória coletiva e devem ser tratados com cautela. Segundo ele, mais do que remover ou descaracterizar, o ideal seria preservar e sinalizar o espaço, registrando a importância das charretes na história da cidade.

Após a repercussão, a prefeitura realizou uma intervenção no local, reconstruindo a área. No entanto, o resultado também gerou críticas: o novo espaço foi cimentado, perdeu a fonte de água e recebeu terra e plantas, o que, na avaliação de especialistas, descaracterizou completamente o elemento original.

Enquanto isso, a cidade segue em um momento de transição. As tradicionais charretes deixaram de circular, mas as carruagens elétricas que deveriam substituí-las ainda não têm prazo definido para entrar em operação, deixando um vazio não apenas urbano, mas também simbólico em um dos pontos mais emblemáticos de Poços de Caldas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!