Dois meses sem respostas: mãe clama por justiça após morte de Bryan em escola de Taubaté
As paredes da casa onde Bryan Schroll vivia em Taubaté ainda guardam vestígios de sua presença: a bicicleta encostada na garagem, os desenhos feitos com capricho, os brinquedos silenciosos e a ausência ensurdecedora do riso infantil. Aos 9 anos, o menino morreu de forma repentina após passar mal durante o horário escolar, e, dois meses depois, a mãe segue mergulhada em dor e angústia, em busca de respostas que ainda não vieram.
“Ele era meu companheirinho, meu tudo. Estava sempre ao meu lado. Me perguntava: ‘Mamãe, onde você vai?’, ‘Mamãe, volta logo?’”, relembra, emocionada, a mãe do menino, que ainda tenta entender como a rotina foi rompida de maneira tão brusca. Bryan morreu no dia 8 de março, após se sentir mal na escola localizada no bairro Chácara Flórida, em Taubaté.
Segundo o relato da mãe, o menino começou a se queixar de dores de cabeça por volta das 15h. A escola a chamou, e ela o levou para casa, acreditando que descanso e um remédio resolveriam. Mas o quadro piorou rapidamente. “Ele começou a convulsionar. Eu limpava a baba do rosto dele, batia nas costas, peguei ele no colo e saí correndo para a UPA. De lá, foi transferido para o Hospital Municipal, mas não resistiu”, conta, com a voz embargada.
Desde então, a espera por respostas virou rotina. A causa da morte permanece indefinida, e o laudo toxicológico do Instituto Médico Legal, esperado inicialmente em 30 dias, ainda não foi entregue. “Já passaram quase 60 dias. Toda hora me falam para ter paciência. Mas como se tem paciência vivendo isso? Eu vou atrás quase todos os dias”, desabafa.
Imagens das câmeras de segurança da escola mostram Bryan brincando pela manhã durante uma aula de dança. No entanto, no período da tarde, após a aula de educação física, ele já demonstra mal-estar: aparece encostado em uma parede, segurando a cabeça, e depois está cabisbaixo no refeitório. Funcionárias o acompanham até a saída da escola, após ele vomitar.
A mãe questiona a conduta da escola diante do estado do menino. “Ele estava sofrendo, coçando a cabeça, chorando… E eu vejo uma falha no cuidado. Faltou atenção. Faltou perceber que aquele era o amor da minha vida.”
Bryan era uma criança alegre, apaixonada por jiu-jitsu, desenhos animados e arte. Nos últimos tempos, havia se encantado por origamis e gostava de desenhar personagens com incrível precisão. “Ele não sabia que seria graduado no jiu-jitsu. Achava que era só uma homenagem. Ficou radiante.”
Hoje, a casa que antes transbordava alegria se transformou em um espaço de silêncio e saudade. “Minha casa é vazia, minha casa é fria. Eu só quero saber o que aconteceu com o meu filho.”


