ACIMA DAS DIFERENÇAS RELIGIOSAS: VEREADOR DO PT E PRATICANTE DA UMBANDA APRESENTA MOÇÃO EM DEFESA DE PADRE
Em meio a uma polêmica envolvendo manifestações políticas, críticas e um abaixo-assinado que pede a saída do padre Daniel Adão Lopes da Paróquia Santo Antônio, em Paraibuna, no Vale do Paraíba, uma iniciativa apresentada na Câmara Municipal chamou a atenção pela aproximação entre diferentes tradições religiosas. O vereador José Prado Junior, conhecido como Juninho Social (PT), praticante da Umbanda, apresentou uma Moção de Solidariedade ao sacerdote católico, defendendo o respeito à liberdade de expressão e à diversidade religiosa. A proposta, apresentada na sexta-feira (6), surgiu após relatos de hostilidade contra o padre em razão de suas opiniões sobre o cenário político brasileiro. O parlamentar sustenta que divergências ideológicas não devem se transformar em perseguições pessoais ou manifestações de intolerância.
A controvérsia ganhou repercussão após declarações atribuídas ao padre Daniel sobre a relação entre política e religião, especialmente críticas a movimentos identificados com a extrema direita. Segundo informações divulgadas pelo Portal AquiVale, moradores organizaram um abaixo-assinado solicitando a retirada do sacerdote de Paraibuna. O documento teria sido encaminhado ao bispo da Diocese de São José dos Campos, Dom José Valmor Cesar Teixeira. Entretanto, não foram divulgados o número de assinaturas reunidas, a íntegra das justificativas apresentadas pelos organizadores ou uma manifestação oficial da Diocese sobre o pedido.
Diante desse cenário, Juninho Social apresentou a Moção de Solidariedade ao padre Daniel, manifestando preocupação com os ataques e a hostilidade que, segundo os relatos mencionados no documento, o sacerdote teria enfrentado após expressar seu posicionamento individual. O texto defende que a liberdade de pensamento deve ser preservada independentemente das convicções políticas ou religiosas de cada pessoa e ressalta que discordâncias não justificam perseguições pessoais.
A iniciativa ganhou destaque por partir de um vereador filiado ao Partido dos Trabalhadores e praticante da Umbanda em apoio a um sacerdote da Igreja Católica. Embora pertençam a tradições religiosas diferentes, o parlamentar decidiu apresentar uma manifestação formal de solidariedade ao padre. O documento não exige concordância com as posições políticas do religioso, mas defende seu direito de expressar opiniões e de ser tratado com respeito diante das divergências.
Na moção, Juninho Social também reconhece o trabalho pastoral e social desenvolvido por Daniel Adão Lopes junto à comunidade de Paraibuna. O texto menciona manifestações de apoio de fiéis, lideranças locais e representantes de diferentes tradições religiosas, incluindo comunidades de matriz africana e indígena. A proposta solicita que a manifestação de solidariedade seja encaminhada oficialmente ao padre Daniel e ao bispo Dom José Valmor Cesar Teixeira.
Para fundamentar sua posição, a moção apresenta referências à doutrina e aos documentos da Igreja Católica. Entre eles estão o Código de Direito Canônico e a encíclica Fratelli Tutti, publicada pelo papa Francisco, que aborda a fraternidade, a convivência social e a importância do diálogo entre pessoas de diferentes origens e convicções. Essas referências aparecem no documento como argumentos em defesa do respeito à diversidade e da rejeição à hostilidade motivada por diferenças de pensamento.
A manifestação do vereador ocorre em um momento de mobilização de diferentes grupos da comunidade. Enquanto um abaixo-assinado solicita a saída do sacerdote, apoiadores organizaram uma petição intitulada “Manifestação pela Paz e pela Comunhão”, dirigida ao bispo diocesano. O documento pede que a Diocese ouça o padre Daniel e os diferentes integrantes da comunidade antes de qualquer decisão relacionada à sua permanência na Paróquia Santo Antônio.
A petição favorável ao sacerdote também defende que divergências políticas não comprometam a convivência religiosa e solicita a continuidade do trabalho pastoral desenvolvido por Daniel em Paraibuna. O texto reúne referências ao Código de Direito Canônico, ao documento conciliar Nostra aetate e à encíclica Fratelli Tutti. Até as informações disponíveis, não havia confirmação pública sobre a quantidade de assinaturas reunidas ou eventual resposta do bispo aos pedidos apresentados.
Daniel Adão Lopes assumiu a Paróquia Santo Antônio em fevereiro de 2026, após atuar na Paróquia Santa Rita de Cássia, em São José dos Campos. Sua transferência foi determinada por decreto diocesano assinado em 12 de dezembro de 2025. Natural de São José dos Campos, o sacerdote nasceu em 4 de setembro de 1989 e foi ordenado padre em 21 de setembro de 2018. Antes de assumir suas funções em Paraibuna, também desenvolveu atividades relacionadas à formação em fé, política e cidadania.
Juninho Social, por sua vez, está no segundo mandato como vereador de Paraibuna. Ele foi eleito pela primeira vez em 2020, pelo PDT, com 325 votos, e conquistou a reeleição em 2024, pelo PT, recebendo 449 votos. A apresentação da Moção de Solidariedade acrescentou uma manifestação parlamentar ao debate sobre a atuação do padre, que já vinha sendo acompanhado por mobilizações de moradores e publicações nas redes sociais.
Apesar da repercussão, não foi localizada confirmação pública de que o bispo Dom José Valmor Cesar Teixeira tenha determinado a transferência ou o afastamento do sacerdote em decorrência dos questionamentos. O site oficial da Diocese de São José dos Campos continua identificando Daniel Adão Lopes como pároco da Paróquia Santo Antônio. Também não havia confirmação sobre o resultado de eventual votação da moção apresentada por Juninho Social ou sobre seu encaminhamento definitivo aos destinatários.
A iniciativa apresentada na Câmara Municipal reúne elementos que ultrapassam a discussão sobre as manifestações políticas do padre. O vereador umbandista formalizou apoio ao sacerdote católico em uma proposta que defende o respeito à liberdade religiosa e de expressão, enquanto diferentes grupos continuam se manifestando sobre sua permanência na comunidade. Até o momento, não foi divulgada decisão oficial da Diocese sobre o abaixo-assinado contrário ao padre ou sobre a petição apresentada por seus apoiadores.

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