Sábado, Novembro 7, 2026
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MICROEXPLOSÃO ATMOSFÉRICA DEVASTA CACHOEIRA PAULISTA COM VENTOS DE 126 KM/H, ARRANCA TELHADOS E DERRUBA ÁRVORES; CANAS REGISTRA CHUVA DE 62 MM


Uma violenta tempestade provocou momentos de tensão e deixou um rastro de destruição em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, na tarde de sábado (7). O município foi atingido por uma microexplosão atmosférica, fenômeno meteorológico confirmado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, que provocou rajadas de vento de impressionantes 126,7 km/h. A força da ventania arrancou telhados de aproximadamente 20 residências, derrubou árvores, causou interrupções no fornecimento de energia elétrica e mobilizou equipes de emergência. Os bairros São José, Vila Carmem e São João estão entre os mais atingidos. O temporal também provocou transtornos em outras cidades da região, com destaque para Canas, que registrou 62 milímetros de chuva, o maior acumulado entre os municípios relacionados no levantamento estadual.

A intensidade da tempestade levou o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil a confirmar a ocorrência de uma microexplosão atmosférica em Cachoeira Paulista. O fenômeno, conhecido tecnicamente como microburst, acontece quando uma intensa corrente de ar desce rapidamente de uma nuvem de tempestade e, ao atingir o solo, espalha ventos extremamente fortes em diferentes direções. Dependendo de sua intensidade, esse deslocamento de ar pode provocar destelhamentos, quedas de árvores e danos consideráveis em estruturas urbanas, como os registrados no município.

Segundo o meteorologista sênior da Defesa Civil, William Minhoto, a velocidade dos ventos registrada em Cachoeira Paulista explica a dimensão dos estragos. “A microexplosão atmosférica é um fenômeno caracterizado por fortes correntes de ar descendentes que, ao atingir o solo, provocam ventos intensos. Em Cachoeira Paulista, registramos rajadas de 126,7 km/h, com potencial para causar destelhamentos e quedas de árvores”, explicou o especialista.

Nos bairros São José, Vila Carmem e São João, a força da ventania atingiu residências e provocou a queda de árvores em vias públicas. O primeiro levantamento da Defesa Civil apontava aproximadamente 15 imóveis com destelhamentos, mas uma atualização posterior elevou a estimativa para cerca de 20 casas afetadas. Em algumas residências, partes das coberturas foram arrancadas, exigindo a atuação das equipes municipais para identificar os danos e prestar assistência aos moradores. O balanço ainda era preliminar, e a quantidade definitiva de imóveis atingidos não havia sido divulgada.

Além dos danos às moradias, a tempestade também comprometeu o fornecimento de energia elétrica em pontos da cidade. Equipes da concessionária CPFL foram mobilizadas para trabalhar no restabelecimento do serviço, enquanto a Defesa Civil Municipal acompanhava as ocorrências e realizava o levantamento dos prejuízos. Até as últimas informações disponibilizadas, não havia um balanço oficial sobre o número de consumidores afetados ou a extensão das interrupções.

Diante dos estragos, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil disponibilizou materiais de ajuda humanitária para reforçar o atendimento às famílias atingidas. As equipes municipais permaneceram mobilizadas para avaliar as condições das residências e identificar as necessidades dos moradores. Entretanto, não foram divulgados números definitivos de famílias desalojadas ou desabrigadas, nem a quantidade de materiais destinados ao município.

A violência da tempestade também chamou a atenção pela intensidade dos ventos em comparação com as previsões meteorológicas divulgadas anteriormente. Na quarta-feira (4), a Defesa Civil havia alertado para a possibilidade de rajadas de até 80 km/h em diferentes regiões paulistas. Em Cachoeira Paulista, entretanto, a velocidade chegou a 126,7 km/h, superando aquele patamar em 46,7 km/h. A classificação do fenômeno como microexplosão atmosférica foi confirmada após a análise das condições registradas durante o temporal.

Enquanto Cachoeira Paulista enfrentava os efeitos da ventania, outras cidades do Vale do Paraíba também registravam chuvas intensas. Em Canas, o acumulado chegou a 62 milímetros, o maior volume entre os municípios informados no boletim da Defesa Civil. Lorena registrou 38 milímetros, enquanto Cunha e Aparecida contabilizaram 31 milímetros cada. Em Ubatuba, no Litoral Norte, foram registrados 29 milímetros; Lagoinha apresentou 26 milímetros; São José dos Campos, 22 milímetros; e Piquete, 20 milímetros.

Os acumulados demonstram a abrangência das áreas de instabilidade que avançaram sobre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte durante o sábado. Em Guaratinguetá e Lorena, as equipes municipais também atenderam ocorrências de quedas de árvores em vias públicas. Segundo a Defesa Civil, não houve registro de vítimas nesses casos. Os serviços de remoção e desobstrução foram realizados para restabelecer as condições de circulação nos pontos atingidos.

A situação meteorológica levou a Defesa Civil Estadual a intensificar a emissão de alertas à população. Ao longo do sábado, foram encaminhadas 72 mensagens de emergência por meio dos sistemas SMS e Cell Broadcast em diferentes regiões do estado. Em Cachoeira Paulista, moradores receberam avisos diretamente na tela de seus celulares sobre os riscos de chuva forte, rajadas de vento, descargas elétricas e possibilidade de granizo. O sistema Cell Broadcast permite o envio de mensagens emergenciais para aparelhos compatíveis localizados nas áreas abrangidas pelos alertas, sem necessidade de cadastro prévio.

Outros municípios da região também receberam avisos durante a passagem das tempestades. Em Caçapava e Monteiro Lobato, a Defesa Civil emitiu alertas severos para chuva forte, com indicação de avanço das instabilidades em direção a Taubaté. As mensagens orientavam os moradores a procurar abrigo em locais seguros e evitar exposição às condições meteorológicas adversas.

A instabilidade não ficou restrita ao Vale do Paraíba. Em outras regiões do estado de São Paulo, também foram registrados ventos de grande intensidade e danos provocados pelas tempestades. Em Penápolis, as rajadas chegaram a 118 km/h, enquanto Piracicaba registrou ventos de 96,1 km/h. Em Santa Isabel, houve quedas de árvores, destelhamentos e um deslizamento de terra. Já em São Roque, árvores caíram sobre vias públicas e provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica. Esses episódios ocorreram durante o mesmo período de instabilidade, mas a microexplosão atmosférica foi identificada especificamente em Cachoeira Paulista.

Diante da previsão de continuidade das chuvas, o Governo do Estado manteve o alerta laranja para temporais neste domingo (8). Segundo a Defesa Civil, ainda existe possibilidade de pancadas moderadas a fortes, acompanhadas de raios e rajadas localizadas de vento, principalmente nas regiões leste, norte e central do território paulista. As autoridades recomendam que a população acompanhe os comunicados oficiais e adote medidas de segurança, especialmente em locais que sofreram danos durante a tempestade.

Entre as orientações estão evitar permanecer debaixo de árvores, manter distância de postes e fios elétricos caídos, não atravessar áreas alagadas e procurar abrigo em estruturas seguras durante chuvas acompanhadas de descargas elétricas. Os moradores também podem receber avisos gratuitos da Defesa Civil enviando o CEP de sua localidade por mensagem SMS para o número 40199. Em situações de emergência, os contatos disponíveis são 199, da Defesa Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.

Até as últimas atualizações, não havia registro de feridos nas ocorrências informadas pela Defesa Civil. Em Cachoeira Paulista, as equipes continuavam realizando o levantamento dos prejuízos e o atendimento às famílias atingidas, enquanto a concessionária de energia atuava nos pontos afetados. O número definitivo de residências danificadas e a extensão dos prejuízos materiais ainda não haviam sido divulgados.

Foto reprodução: Árvore foi derruba em Cachoeira Paulista

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