MINEIRA DESAPARECIDA HÁ MAIS DE DOIS MESES APÓS VIAGEM À EUROPA É ENCONTRADA VIVA, MAS FAMÍLIA AINDA NÃO SABE ONDE ELA ESTÁ NEM O QUE ACONTECEU
Após quase três meses de angústia, buscas e incertezas, a família de Lucimara Caroline Norberto Ferreira, de 32 anos, moradora de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, finalmente recebeu a notícia de que a brasileira está viva e foi localizada no exterior. Entretanto, a confirmação, divulgada na sexta-feira (6), trouxe um novo capítulo de dúvidas: os familiares ainda não sabem em qual país ela se encontra, o que aconteceu durante o período em que permaneceu incomunicável ou quando poderão conversar novamente com ela. Mãe de três filhos, Lucimara havia viajado para fora do Brasil e, após informar que estava em Paris, na França, deixou de manter contato com os parentes em 15 de agosto. Desde então, a família procurava informações sobre seu paradeiro, temendo que algo grave pudesse ter acontecido.
A localização foi comunicada pelo advogado Telêmaco Marrace de Oliveira, responsável por acompanhar o caso e prestar assistência à família. Segundo ele, a informação chegou por meio de uma comunicação do Departamento de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores. O relato recebido indica que Lucimara foi encontrada e está bem, mas o país onde ela se encontra permanece sob sigilo. A mãe, Julmara Clementino Norberto, já foi informada sobre a localização da filha, embora ainda não tenha conseguido esclarecer as circunstâncias de seu desaparecimento.
De acordo com o advogado, a divulgação do paradeiro depende de autorização da própria brasileira. Ele explicou que representantes do Ministério das Relações Exteriores deverão buscar essa autorização para que informações adicionais possam ser compartilhadas com os familiares. Enquanto isso, a família permanece sem saber as condições em que Lucimara está vivendo e o motivo pelo qual deixou de se comunicar durante tanto tempo.
A falta de esclarecimentos levou o advogado a levantar questionamentos sobre a situação da brasileira no exterior. Em entrevista ao portal BHAZ, Telêmaco afirmou que ainda será necessário descobrir se Lucimara está internada, sob responsabilidade de alguma autoridade ou enfrentando outra circunstância que explique a ausência de contato. Essas possibilidades, entretanto, foram apresentadas apenas como dúvidas, sem qualquer confirmação de que a mulher esteja hospitalizada, presa ou envolvida em alguma ocorrência policial.
O desaparecimento ganhou repercussão após a família procurar ajuda para localizar Lucimara. Moradora do bairro Cidade Jardim, em Pouso Alegre, ela vivia com a mãe e dois dos três filhos. Segundo Julmara, a filha deixou a residência informando que precisava viajar e pediu que ela ficasse responsável pelas crianças durante sua ausência. Naquele momento, a mãe acreditava que a viagem estivesse relacionada ao trabalho e não imaginava que ficaria tanto tempo sem notícias.
Em entrevista concedida anteriormente à EPTV, Julmara relembrou a última conversa que teve com a filha antes da viagem. “Falou pra mim: ‘Mãe, eu vou viajar, a senhora fica com as crianças’. Pra mim, ela estava trabalhando. ‘Vou viajar, a senhora fica com as crianças, porque eu preciso que a senhora fique com as crianças’. Falei: ‘Tá bom, Lucimara’. Ela falou: ‘Vou, mãe’. Ela não voltou mais”, contou a costureira.
Informações relacionadas ao boletim de ocorrência registrado pelo irmão de Lucimara apontam que ela deixou a residência familiar em 11 de julho. O registro policial foi formalizado no dia 14 daquele mês. Posteriormente, a mulher conseguiu estabelecer contato com os parentes e informou que estava em Paris, na França. A última comunicação conhecida aconteceu em 15 de agosto, quando os familiares deixaram de receber notícias sobre sua localização e suas condições.
Com o passar das semanas, a ausência de contato aumentou a preocupação da mãe, principalmente porque Lucimara sempre demonstrou vínculo com os filhos. Julmara relatou que acreditava na possibilidade de a filha ter perdido o acesso ao telefone celular ou estar enfrentando alguma situação que a impedisse de procurar os parentes. Na ocasião, afirmou que não acreditava que Lucimara tivesse simplesmente decidido abandonar as crianças sem apresentar uma explicação.
“Ela não falou comigo, não tenho contato com ela, não sei onde ela está, não faço ideia de onde esteja. Agora, uma coisa eu sei: o celular dela está trancado, porque ela não entra em contato. Alguma coisa aconteceu com o celular e ele não está com ela. Porque, se estivesse com ela, ela tinha entrado em contato comigo. Ela ama essas crianças, ela não abandona os filhos dela”, declarou Julmara durante as buscas.
Os três filhos de Lucimara permaneceram no Brasil durante o período sem notícias da mãe. As duas crianças mais novas, de 6 e 7 anos, ficaram sob os cuidados da avó materna, enquanto o filho mais velho, de 12 anos, permaneceu com o pai. A família continuou procurando informações que pudessem ajudar a esclarecer o paradeiro da brasileira.
Durante as buscas, surgiram relatos sobre possíveis deslocamentos de Lucimara por diferentes países. Segundo informações divulgadas pelo portal BHAZ, os familiares receberam indícios de que ela poderia ter passado por Madri, na Espanha. Também tiveram acesso a uma fotografia que supostamente indicava sua presença em um hotel no Laos, país do Sudeste Asiático. Entretanto, nenhuma dessas informações foi comprovada, e não há confirmação de que Lucimara tenha efetivamente passado por esses locais.
Outro episódio aumentou as dúvidas da família. Em entrevista divulgada pelo Portal da Cidade Pouso Alegre, Julmara relatou ter recebido ligações telefônicas com origem aparente na Bulgária nos dias 15, 16 e 19 de outubro. As chamadas não chegaram a resultar em uma conversa, e não foi possível identificar quem estava tentando estabelecer contato. Também não existem elementos confirmados que permitam relacionar essas ligações ao desaparecimento de Lucimara.
A Polícia Civil de Minas Gerais chegou a realizar diligências para verificar informações relacionadas à saída da brasileira do território nacional. Antes da confirmação apresentada pelo advogado, as autoridades ainda buscavam esclarecer as circunstâncias da viagem e obter dados que ajudassem a identificar o paradeiro da mulher. O caso também passou a contar com acompanhamento do Ministério das Relações Exteriores.
Em manifestação oficial, o Itamaraty confirmou ter conhecimento da ocorrência e informou que mantém contato com os familiares. O órgão explicou que a assistência consular segue normas nacionais e internacionais e que informações específicas sobre cidadãos brasileiros atendidos no exterior são protegidas por regras de privacidade. Por essa razão, o Ministério não divulgou publicamente o país onde Lucimara se encontra nem detalhes sobre sua situação.
A confirmação de que Lucimara está viva representa uma mudança importante no caso, mas ainda não encerra as dúvidas da família. Até as informações disponíveis neste sábado (7), não havia confirmação de que a brasileira tivesse conversado diretamente com a mãe, informado os motivos do longo período sem comunicação ou apresentado uma previsão de retorno ao Brasil. O advogado continua acompanhando a situação, enquanto os familiares aguardam autorização para receber informações adicionais sobre o paradeiro e as condições em que Lucimara foi localizada.

Foto: Reprodução EPTV

