MATOU JÉSSICA COM SEIS TIROS E DEIXOU QUATRO FILHAS SEM A MÃE: HOMEM É CONDENADO A 28 ANOS DE PRISÃO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Mais de dois anos após o assassinato de Jéssica Caroline Coutinho Fidêncio, de 32 anos, morta com seis tiros em uma rua de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a Justiça condenou o responsável pelo crime a 28 anos e três meses de prisão. Breno Fernandes de Souza foi considerado culpado pelo feminicídio da mulher, que deixou quatro filhas e duas netas. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (5 de novembro), no Tribunal do Júri de São José dos Campos, e terminou com a determinação de cumprimento imediato da pena em regime fechado. O crime, registrado em junho de 2024, foi captado por câmeras de segurança e investigado com o auxílio de imagens que permitiram reconstruir os deslocamentos do condenado antes e depois do assassinato.
Jéssica foi morta na noite de sábado (29 de junho de 2024), na Avenida Conde Francisco Matarazzo, no bairro Jardim Altos de Santana, na Zona Norte da cidade. Segundo a investigação, Breno se aproximou da vítima utilizando uma bicicleta e efetuou seis disparos de arma de fogo. Os tiros atingiram diferentes regiões do corpo da mulher, incluindo o tórax e os braços. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao pronto-socorro da Vila Industrial, mas não resistiu aos ferimentos.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da abordagem. Nas gravações, Jéssica aparece caminhando pela via quando um homem se aproxima de bicicleta. Em seguida, são ouvidos os disparos, e o autor deixa o local. O assassinato aconteceu por volta das 20h30, em uma região onde também ocorria uma festa junina. Moradores relataram ter ouvido os tiros durante o evento, sem compreender inicialmente a gravidade do que havia acontecido nas proximidades.
As investigações apontaram que Breno e Jéssica haviam mantido um envolvimento anterior. Segundo relatos de familiares, a mulher vinha recebendo ameaças de um homem que não aceitava o afastamento. A Polícia Civil trabalhou com a hipótese de que o crime tivesse sido motivado por ciúmes. Durante o julgamento, os jurados reconheceram as circunstâncias que qualificaram o assassinato como feminicídio, incluindo motivo fútil, utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima e violência relacionada à condição de mulher.
A identificação do autor contou com o trabalho de monitoramento realizado pelo Centro de Segurança e Inteligência (CSI) de São José dos Campos. Conforme informações divulgadas durante a investigação, as câmeras permitiram acompanhar o trajeto do suspeito desde sua residência até a região onde Jéssica foi assassinada, além de registrar seu deslocamento de retorno após o crime. As imagens contribuíram para o trabalho policial e para a localização do investigado.
Breno foi preso na tarde de quarta-feira (3 de julho de 2024), quatro dias depois do assassinato, no bairro Vila Maria, na região central de São José dos Campos. Durante a ação, os policiais localizaram a bicicleta associada à fuga, além de drogas, materiais utilizados para acondicionamento de entorpecentes e aparelhos celulares. Na época da prisão, o suspeito negou envolvimento no crime, mas posteriormente foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O assassinato interrompeu a vida de uma mulher que trabalhava em um lava-rápido e era mãe de quatro filhas, que tinham 17, 12, 8 e 7 anos na época. Jéssica também era avó de duas crianças. Familiares relataram que ela se dedicava às filhas e enfrentava dificuldades relacionadas às ameaças que vinha recebendo. A morte provocou repercussão na Zona Norte de São José dos Campos, especialmente depois da divulgação das imagens que registraram a violência do ataque.
Durante o julgamento realizado nesta quinta-feira, os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do feminicídio. Breno foi condenado a 22 anos de reclusão pelo assassinato. Na definição da pena, foram consideradas as qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença, além da reincidência do réu, conforme os fundamentos apresentados na decisão judicial.
A condenação também incluiu o crime de tráfico de drogas. Segundo a sentença, em 3 de julho de 2024, quatro dias após o feminicídio, Breno mantinha entorpecentes destinados à comercialização em um imóvel localizado na Vila Maria. Na ocasião, foram apreendidos 2,6 gramas de crack e 195,47 gramas de maconha, além de recipientes utilizados para armazenar e acondicionar as substâncias.
Pelo tráfico, o réu recebeu mais seis anos e três meses de prisão, além de 583 dias-multa. Com a soma das condenações, a pena total chegou a 28 anos e três meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O juiz responsável pela sentença também determinou o início imediato do cumprimento da pena e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade. A decisão não impede a apresentação de recursos às instâncias superiores, mas estabelece que Breno permaneça preso enquanto forem observadas as determinações judiciais aplicáveis ao caso.
A investigação também identificou antecedentes criminais de Breno relacionados ao tráfico de drogas. Conforme informações divulgadas em julho de 2024, ele já havia sido preso por esse tipo de crime em 2021. O histórico foi considerado na análise judicial da reincidência, conforme registrado na sentença.
A condenação encerra a etapa de julgamento pelo Tribunal do Júri, mais de dois anos após a morte de Jéssica. Até as informações disponíveis, não havia sido divulgada manifestação da defesa sobre a sentença desta quinta-feira, nem confirmação de eventual recurso apresentado após a decisão.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

