Quinta-feira, Novembro 5, 2026
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PF APREENDE SETE FUZIS E PRENDE MILITAR DA MARINHA EM OPERAÇÃO CONTRA FRAUDE NA COMPRA DE ARMAS; DOIS POLICIAIS MILITARES TAMBÉM SÃO INVESTIGADOS


Uma operação da Polícia Federal contra um suposto esquema de corrupção e fraudes na autorização para compra de armas e munições terminou com a prisão em flagrante de um militar da Marinha e a apreensão de dez armas de fogo, incluindo sete fuzis, no estado do Rio de Janeiro. A ação aconteceu na quarta-feira (4 de novembro), durante a segunda fase da Operação Polaridade, que teve Volta Redonda, no Sul Fluminense, entre as cinco cidades investigadas. Dois policiais militares da ativa também estão entre os alvos das investigações, que apuram a suspeita de pagamentos ilegais para facilitar a aprovação de pedidos de aquisição de armamentos destinados a colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs).

A operação foi realizada com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro e envolveu o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorreram em Volta Redonda, Rio das Ostras, Macaé, São Pedro da Aldeia e Araruama. Durante as buscas, os agentes apreenderam sete fuzis, uma pistola, um revólver e uma espingarda, além de documentos e equipamentos eletrônicos que serão submetidos à análise pericial.

Um dos desdobramentos da operação foi a prisão em flagrante de um militar da Marinha do Brasil por posse irregular de arma de fogo. A Polícia Federal não divulgou a identidade, a patente ou a unidade militar do homem. Também não foram apresentados detalhes sobre o endereço onde ocorreu a prisão. A corporação não esclareceu se o mandado de prisão temporária expedido na operação foi cumprido contra outro investigado.

Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou indícios de que interessados em adquirir armas e munições teriam realizado pagamentos indevidos a um funcionário terceirizado para obter a aprovação irregular de requerimentos no Sistema Nacional de Armas, na modalidade Sinarm-CAC. A suspeita é de que pedidos tenham sido autorizados mesmo sem o cumprimento das exigências legais necessárias para a aquisição dos armamentos.

O sistema é utilizado no controle de procedimentos relacionados às atividades de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. De acordo com a investigação, as possíveis irregularidades envolvem a utilização indevida de procedimentos administrativos para permitir a aquisição de armas e munições. A Polícia Federal busca identificar os envolvidos, os valores eventualmente pagos e a extensão das autorizações suspeitas.

A participação de dois policiais militares da ativa entre os investigados levou a operação a contar com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar fluminense. Entretanto, não há confirmação de que os dois agentes tenham sido presos durante as diligências. As responsabilidades individuais ainda deverão ser estabelecidas a partir das provas reunidas e da continuidade da investigação.

A segunda fase da Operação Polaridade representa mais uma etapa de uma investigação iniciada em setembro. Na primeira fase, deflagrada em 4 de setembro, a Polícia Federal cumpriu medidas judiciais relacionadas a suspeitas de irregularidades na aquisição e no registro de armamentos. Na ocasião, foram expedidos 20 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em municípios do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Durante aquela etapa, os investigadores identificaram indícios de utilização de documentos repetidos, comprovantes de residência suspeitos e ausência de documentação obrigatória em processos de autorização. Esses elementos passaram a ser analisados para verificar se houve manipulação de informações destinadas à aprovação de pedidos de compra de armas e munições.

As diligências continuaram nas semanas seguintes. Em setembro, a Polícia Federal informou a apreensão de dez fuzis e sete pistolas relacionadas às investigações. Já em outubro, outras quatro pistolas foram recolhidas durante ações realizadas em Magé e Duque de Caxias. Segundo a corporação, parte dos armamentos havia sido adquirida mediante documentação supostamente falsa. As apreensões desta quarta-feira integram uma nova fase da mesma apuração.

Em Volta Redonda, a atuação da Polícia Federal ocorreu no contexto das medidas judiciais executadas simultaneamente em diferentes regiões do estado. Embora o município esteja entre os locais investigados, não foi divulgada uma relação individualizada das armas encontradas em cada cidade. Portanto, o balanço de sete fuzis e outras três armas apreendidas corresponde ao conjunto da operação, não exclusivamente às diligências realizadas no Sul Fluminense.

Além dos armamentos, os policiais recolheram aparelhos eletrônicos e documentos que poderão contribuir para a identificação de possíveis beneficiários das autorizações suspeitas. O material será analisado para esclarecer as circunstâncias das aquisições e verificar se houve participação de outras pessoas no esquema investigado.

Conforme a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder, de acordo com a participação individual apurada, por crimes como corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, falsidade ideológica, associação criminosa e comércio ilegal de armas de fogo. As suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e das providências judiciais cabíveis.

Até as informações divulgadas, não foram identificados publicamente os dois policiais militares investigados, nem esclarecidos os valores dos pagamentos suspeitos ou a quantidade total de autorizações que podem ter sido concedidas irregularmente. A Polícia Federal também não apresentou um balanço consolidado de todos os armamentos apreendidos desde o início da Operação Polaridade.

A investigação prossegue com a análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e armas recolhidas durante as diligências. Os resultados deverão auxiliar na identificação dos participantes do suposto esquema e no esclarecimento de como teriam ocorrido as irregularidades nos procedimentos de autorização para aquisição de armamentos.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

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