ELA APRENDEU A MERGULHAR PARA ENCONTRAR O FILHO: A BUSCA DE UMA MÃE POR COPILOTO DESAPARECIDO HÁ QUASE CINCO ANOS
Há quase cinco anos, Ana Regina Agostinho enfrenta a angústia de não saber onde está o filho, José Porfírio de Brito Júnior, que tinha apenas 20 anos quando desapareceu em um acidente aéreo no mar entre Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, e Paraty, no Rio de Janeiro. Desde 24 de novembro de 2021, a mãe transformou a procura pelo jovem em uma missão que a levou a percorrer o litoral, organizar campanhas para custear embarcações e até aprender a mergulhar. Mesmo depois do encerramento das buscas oficiais, ela continuou procurando respostas sobre o paradeiro do filho, que atuava como copiloto de um avião bimotor desaparecido durante um voo entre Campinas e o Rio de Janeiro.
O acidente aconteceu na noite de 24 de novembro de 2021, quando a aeronave Piper PA-34-220T, de matrícula PP-WRS, desapareceu enquanto realizava o trajeto entre o Aeroporto Campo dos Amarais, em Campinas, e o Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Três pessoas estavam a bordo: o piloto Gustavo Calçado Carneiro, de 27 anos, o copiloto José Porfírio de Brito Júnior e o passageiro Sérgio Alves Dias Filho, de 45 anos. Gustavo foi encontrado morto no mar no dia seguinte, mas José e Sérgio nunca foram localizados.
A tragédia mobilizou uma grande operação envolvendo a Força Aérea Brasileira (FAB), a Marinha do Brasil e equipes dos Corpos de Bombeiros de São Paulo e do Rio de Janeiro. Aeronaves, embarcações e equipamentos de sonar foram utilizados para tentar encontrar os desaparecidos e localizar os destroços do avião. Durante as buscas, fragmentos associados à aeronave chegaram a ser recuperados, mas não foi possível identificar o local onde estariam os dois ocupantes. A FAB encerrou sua participação em 4 de dezembro de 2021, enquanto outras equipes permaneceram mobilizadas por mais alguns dias.
Para Ana Regina, entretanto, o fim das operações oficiais não significou o encerramento da procura. Sem conseguir respostas sobre o filho, ela decidiu continuar as buscas por iniciativa própria. Ao longo dos anos, retornou diversas vezes ao litoral, alugou embarcações e contou com a colaboração de pescadores e voluntários. Também promoveu campanhas e rifas para arrecadar recursos destinados às viagens e às tentativas de localização dos desaparecidos. A mãe chegou a relatar que deixou o trabalho para dedicar mais tempo à procura.
Em 2023, Ana Regina tomou uma decisão que se tornou um dos aspectos mais marcantes dessa história: começou a fazer aulas de mergulho. Mesmo tendo medo do mar, decidiu aprender a atividade para tentar participar pessoalmente das buscas nas águas onde o filho desapareceu. A iniciativa demonstrou a dimensão de seus esforços para encontrar José, especialmente diante das dificuldades de localização da aeronave e da ausência de novas operações oficiais.
Durante as buscas, alguns objetos associados ao avião e ao copiloto foram recuperados. Entre eles estavam uma mochila reconhecida pela família e uma poltrona da aeronave. Os materiais foram importantes para os familiares, mas não permitiram determinar o paradeiro de José. A mesma incerteza permanece para a família de Sérgio Alves Dias Filho, o terceiro ocupante do bimotor, que também continua desaparecido.
Uma informação importante sobre a tragédia foi divulgada em 30 de dezembro de 2025, quando o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou o relatório final sobre o acidente. O documento apontou deficiências no planejamento do voo e levantou a possibilidade de insuficiência de combustível, situação conhecida como pane seca. Entretanto, os investigadores não conseguiram comprovar definitivamente que a falta de combustível tenha sido a causa da queda.
Segundo a análise técnica, o planejamento apresentado para o voo indicava autonomia de aproximadamente três horas e meia, mas os cálculos examinados pelo Cenipa levantaram questionamentos sobre a quantidade de combustível disponível para cumprir o trajeto com as reservas necessárias. O relatório também considerou relatos de falhas nos dois motores e tentativas de religá-los. Apesar desses elementos, a investigação não conseguiu descartar completamente outras possibilidades para a ocorrência.
A divulgação do relatório trouxe informações sobre as possíveis causas do acidente, mas não respondeu à principal pergunta das famílias: onde estão José Porfírio e Sérgio Alves Dias Filho. Até as informações disponíveis, não havia confirmação da recuperação da parte principal da fuselagem ou da localização dos dois desaparecidos. Também não foram anunciadas novas operações oficiais de busca para 2026.
No próximo dia 24 de novembro, o desaparecimento completará cinco anos. José tinha apenas 20 anos quando realizou aquele voo, e sua mãe segue convivendo com a ausência de respostas sobre o que aconteceu depois que o avião desapareceu no mar. Entre viagens ao litoral, objetos recuperados e o aprendizado do mergulho, Ana Regina mantém viva a procura pelo filho, mesmo após quase meia década sem conseguir localizá-lo.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

