SEM DINHEIRO PARA PAGAR PASSAGEM DOS FILHOS, PAI DIZ TER SIDO EXPULSO DE ÔNIBUS E EMPURRADO NA FRENTE DAS CRIANÇAS EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
O que deveria ser apenas o trajeto de duas crianças até a escola terminou em discussão, constrangimento e intervenção da Guarda Civil Municipal em São José dos Campos. O jardineiro Fabrício Oliveira, de 33 anos, afirma que foi expulso de um ônibus coletivo após não conseguir pagar as passagens dos filhos, de 7 e 9 anos. Segundo ele, a situação se agravou quando um funcionário teria feito ameaças e o empurrado na presença das crianças. O episódio aconteceu por volta das 12h15, durante uma viagem pela região do bairro Bom Retiro, e levantou questionamentos sobre as dificuldades enfrentadas pela família para garantir o deslocamento dos estudantes.
De acordo com Fabrício, ele embarcou no coletivo acompanhado dos dois filhos e conseguiu pagar apenas a própria passagem. Sem dinheiro suficiente para custear as tarifas das crianças, pediu que elas passassem por baixo da catraca para continuar o percurso até as unidades escolares. O cobrador, entretanto, teria impedido a passagem, iniciando um desentendimento dentro do ônibus. A discussão ganhou proporções maiores, levando o motorista a interromper a viagem.
O jardineiro relata que a confusão continuou na calçada, onde teria sido ameaçado e empurrado por um funcionário do transporte público diante dos filhos. Segundo sua versão, um passageiro que acompanhava a situação precisou intervir para evitar que o desentendimento terminasse em agressões mais graves. A Guarda Civil Municipal foi acionada e compareceu ao local para controlar a ocorrência. Fabrício nega ter desrespeitado ou desacatado os profissionais envolvidos e sustenta que sua intenção era conseguir levar as crianças à escola.
Os filhos do jardineiro frequentam duas unidades de ensino diferentes: a Escola Municipal Antônio Palma e a Escola Estadual João Ferreira. O deslocamento ocorre entre a região do Bom Retiro e o Novo Horizonte, trajeto que passou a fazer parte da rotina familiar após mudanças recentes na organização do dia a dia. Fabrício explicou que anteriormente não dependia do transporte coletivo da mesma maneira, mas que agora precisa utilizar o ônibus para acompanhar os filhos até as escolas.
A dificuldade financeira para arcar com as passagens está no centro da reclamação. Em São José dos Campos, a tarifa convencional paga em dinheiro é de R$ 6,50, enquanto o Bilhete Único Comum oferece passagem por R$ 5,25. Já estudantes com o benefício correspondente pagam R$ 2,50. Considerando apenas o pagamento em dinheiro, as três passagens representariam um gasto de R$ 19,50 por embarque, valor que pode pesar no orçamento familiar quando o deslocamento precisa ser realizado diariamente. Não foi informado se as crianças possuem cartões estudantis ou se a família já solicitou algum benefício.
O município também possui regras para a concessão de transporte escolar gratuito a estudantes das redes municipal e estadual. A legislação prevê critérios relacionados à distância entre a residência e a escola, à disponibilidade de vagas e às condições de segurança do percurso. Entretanto, o direito ao benefício depende da análise de cada situação, não significando que todas as crianças possam utilizar gratuitamente qualquer linha do transporte coletivo.
Fabrício afirma que pretende procurar os órgãos responsáveis para verificar a possibilidade de garantir a gratuidade aos filhos. Para ele, a necessidade de utilizar o ônibus não pode comprometer a frequência escolar das crianças. O jardineiro ressaltou que sua situação financeira dificulta o pagamento das tarifas e que buscará uma solução para continuar realizando o deslocamento até as unidades de ensino.
Além da discussão sobre as passagens, o episódio envolve a denúncia de uma possível agressão praticada por um funcionário do transporte público. Até as informações disponíveis, não houve confirmação independente de que o jardineiro tenha sido ameaçado ou empurrado. Também não foram divulgados registros de imagens que permitam esclarecer a dinâmica do desentendimento, nem informações sobre eventual procedimento administrativo ou policial relacionado à conduta dos envolvidos.
Até o momento, não há manifestação pública da Secretaria de Mobilidade Urbana de São José dos Campos ou da empresa responsável pelo coletivo sobre as acusações apresentadas pelo jardineiro. O espaço do Jornal A Notícia permanece aberto para que a Prefeitura, a empresa de transporte e os profissionais envolvidos possam apresentar suas versões e os esclarecimentos que considerarem necessários.

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