Terça-feira, Novembro 3, 2026
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“MEU FILHO NÃO ATIROU”: MÃE DE JOVEM MORTO PELA PM EM CARAGUATATUBA CONTESTA VERSÃO POLICIAL E REVELA QUE FOI ALGEMADA AO TENTAR SOCORRÊ-LO


A morte de Luan Vitor Silva Santos, de 21 anos, durante uma intervenção da Polícia Militar em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, ganhou novos desdobramentos após sua mãe, Lidiane, apresentar uma versão diferente daquela registrada pelos policiais. O jovem morreu na tarde de segunda-feira (2 de novembro), no bairro Jardim Olaria, após uma ação em que dois militares efetuaram cinco disparos com um fuzil e uma pistola calibre .40. A mãe afirma que o filho não estava armado quando os agentes chegaram à residência e que os policiais entraram atirando. Ela também revelou ter sido impedida de se aproximar de Luan após ouvir os tiros e acabou algemada durante a tentativa de socorrê-lo.

Em seu relato, Lidiane reconheceu que o filho havia efetuado um disparo para o alto aproximadamente meia hora antes da chegada da Polícia Militar. Segundo ela, Luan teria agido para intimidar o ex-companheiro de sua esposa, que estaria ameaçando a família. Entretanto, a mãe sustenta que a situação já havia terminado quando a equipe policial apareceu e que o rapaz não ofereceu resistência armada durante a abordagem. Emocionada, ela contestou a informação de que teria ocorrido uma reação contra os militares. “Meu filho não atirou, meu filho não atirou”, declarou, referindo-se ao momento da intervenção policial.

A versão apresentada pela família contrasta com o boletim de ocorrência. Segundo o registro, os policiais foram acionados após uma denúncia envolvendo ameaça e disparo de arma de fogo. O chamado teria sido feito por Warllan, ex-companheiro da esposa de Luan, que havia ido à residência para entregar a filha que tem com a mulher. Durante a visita, ocorreu um desentendimento entre os dois homens. O solicitante afirmou que teria sido ameaçado e relatou ter ouvido um disparo quando deixava o imóvel, sem identificar de onde o tiro havia partido.

Conforme a versão dos militares, ao chegarem à Viela do Ipiranga, no Jardim Olaria, os agentes visualizaram Luan entrando rapidamente na residência. Na sequência, o jovem teria retirado uma arma de fabricação artesanal de uma mochila e desobedecido às determinações para abandonar o armamento. Diante da situação, um policial efetuou três disparos de fuzil, enquanto outro realizou dois tiros com uma pistola calibre .40. O registro também menciona a possibilidade de o jovem ter disparado contra a equipe, circunstância que ainda depende de confirmação pericial.

A mãe, por outro lado, afirma que os agentes tinham ampla visão da área externa para o interior do imóvel e sustenta que os disparos começaram assim que os policiais chegaram. Para Lidiane, não houve confronto armado no momento da abordagem. A divergência entre os relatos é um dos principais pontos que deverão ser esclarecidos pela investigação, especialmente porque a própria mãe reconhece a existência de um tiro anterior, mas nega que o filho tenha utilizado uma arma contra os policiais durante a intervenção.

Outro momento relatado por Lidiane aconteceu imediatamente após os disparos. Ao perceber que o filho havia sido atingido, ela tentou entrar na residência para verificar sua situação, mas afirma ter sido impedida pelos militares. Segundo seu depoimento, a tentativa de ultrapassar o bloqueio terminou quando ela atingiu uma viatura policial e foi algemada. A mulher questionou a maneira como foi tratada enquanto procurava informações sobre o estado de saúde do filho.

O episódio envolvendo a viatura foi registrado como dano qualificado. A autoridade policial formalizou o flagrante e arbitrou fiança equivalente a um salário mínimo. A ocorrência, inicialmente divulgada apenas como a prisão de uma mulher por danificar um veículo policial, ganhou um novo contexto com a identificação de Lidiane como mãe do jovem morto. A situação deverá ser considerada separadamente da investigação sobre os disparos que provocaram a morte de Luan.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para prestar atendimento, mas a morte do jovem foi constatada no local. A declaração de óbito aponta hemorragia interna aguda, trauma torácico e ferimento por arma de fogo como causas da morte. Embora o registro policial informe cinco disparos efetuados pelos militares, os dados disponíveis não permitem afirmar que todos os projéteis tenham atingido o rapaz.

Ao falar sobre o filho, Lidiane o descreveu como um jovem trabalhador, brincalhão e muito querido pela família. Luan deixou uma criança de dois anos, que, segundo a avó, está sob seus cuidados. A mãe também afirmou desconhecer a existência de drogas na residência, contrariando as informações sobre os materiais encontrados pelos policiais durante os procedimentos realizados no imóvel.

Segundo o boletim de ocorrência, foram apreendidos uma arma artesanal calibre .380, munições, um caderno com anotações e aproximadamente 919 gramas de substância com características de maconha, distribuídas em porções e um tijolo. Os materiais foram encaminhados para análise, e sua apreensão passou a integrar a investigação. A companheira de Luan também foi incluída nas apurações relacionadas aos objetos encontrados, mas não havia confirmação de prisão ou indiciamento dela por tráfico nas informações divulgadas.

A Polícia Técnico-Científica realizou os levantamentos no local, enquanto a autoridade policial determinou exames balísticos, análise da arma artesanal e exame necroscópico. Também foi solicitada a preservação de eventuais imagens captadas por câmeras corporais dos militares, equipamentos instalados nas viaturas e sistemas de monitoramento de imóveis próximos. Esses registros poderão ajudar a reconstruir os momentos anteriores aos disparos e esclarecer a posição dos envolvidos durante a ação.

Uma cápsula deflagrada encontrada no quintal da residência também deverá ser examinada. O objetivo é verificar sua origem e eventual relação com o disparo anterior relatado pela mãe ou com os acontecimentos durante a intervenção. Até o momento, não foram divulgados resultados conclusivos que comprovem que Luan tenha atirado contra os policiais.

O caso foi registrado na Polícia Civil como morte decorrente de intervenção policial. A investigação deverá confrontar os depoimentos da família, dos militares e das demais pessoas envolvidas com os vestígios materiais e as imagens eventualmente obtidas. A existência de versões divergentes torna os exames periciais fundamentais para esclarecer a sequência dos acontecimentos e avaliar as circunstâncias em que os policiais utilizaram suas armas.

Até as informações disponíveis, não havia sido divulgada uma conclusão oficial sobre a legalidade da intervenção ou eventual responsabilização dos agentes. A versão de que Luan representava uma ameaça armada permanece sob apuração, assim como a afirmação da mãe de que os policiais chegaram atirando contra o filho, que, segundo ela, já estava desarmado.

Reprodução/Redes sociais

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