Domingo, Novembro 1, 2026
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VIAGENS CANCELADAS, SONHOS FRUSTRADOS E DINHEIRO SEM DEVOLUÇÃO: AGÊNCIA É INVESTIGADA E CLIENTES ESTIMAM PREJUÍZO SUPERIOR A R$ 50 MIL EM MINAS


O sonho de conhecer novos destinos, aproveitar as férias e viajar com a família acabou se transformando em uma longa espera pelo dinheiro de volta para consumidores de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. Uma série de cancelamentos de pacotes turísticos comercializados pela JS Turismo levou clientes a procurar a Polícia Civil, o Procon e a Justiça na tentativa de recuperar os valores pagos. Entre os destinos que deixaram de fazer parte dos planos dos consumidores estão Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, Cabo Frio, no Rio de Janeiro, Capitólio, em Minas Gerais, Caldas Novas, em Goiás, e até o Chile. Segundo estimativas apresentadas por um grupo de clientes, mais de 40 pessoas podem ter sido prejudicadas, com perdas que ultrapassariam R$ 50 mil. Os valores ainda não foram confirmados oficialmente pelas autoridades.

As denúncias ganharam repercussão depois que consumidores passaram a relatar cancelamentos comunicados pouco antes das datas previstas para as viagens. Em alguns casos, os preparativos já estavam concluídos, com malas organizadas, folgas programadas e expectativas criadas para momentos de descanso e lazer. O problema, porém, não terminou com a suspensão dos passeios. Clientes afirmam que enfrentam dificuldades para conseguir os reembolsos e que, mesmo após meses de cobranças, ainda aguardam uma solução.

Uma das consumidoras que relataram prejuízos é a auxiliar administrativa Aline Caroline Silva, que havia contratado dois pacotes com a agência. O primeiro tinha como destino Ubatuba, cidade do Litoral Norte paulista conhecida por suas praias e movimentação turística. Segundo Aline, a empresa comunicou que a viagem não seria realizada com menos de 24 horas de antecedência. A notícia chegou quando a família já havia organizado os preparativos para embarcar.

A frustração aumentou porque Aline também havia adquirido um segundo pacote, desta vez para o Chile. A viagem internacional representava um projeto especial para ela e o marido, que planejavam conhecer outro país. Entretanto, aproximadamente 15 dias antes da data prevista, receberam a informação de que o passeio também estava cancelado. Depois das duas experiências, a consumidora decidiu recorrer à Justiça para tentar obter a devolução dos valores pagos e buscar reparação pelos prejuízos que afirma ter sofrido.

A situação também atingiu a funcionária pública Elenice do Carmo Silva, que havia programado uma viagem para Cabo Frio, no litoral fluminense. Ela contou que pagou parte do pacote em dinheiro e dividiu o restante em dez parcelas no cartão de crédito. O planejamento envolvia compromissos profissionais, organização familiar e preparação para os dias de descanso. Entretanto, cerca de duas semanas antes da partida, recebeu a notícia de que a viagem não aconteceria. Desde então, passou a cobrar uma resposta sobre a devolução do dinheiro investido.

Outro consumidor que procurou seus direitos foi o empresário Wesley Ramon. Ele afirmou ter contratado dois passeios, um para Capitólio, em Minas Gerais, e outro para Caldas Novas, em Goiás. Nenhum deles foi realizado, segundo seu relato. Diante dos cancelamentos e das dificuldades para recuperar os valores, Wesley ingressou com uma ação judicial e também procurou o Procon. O empresário informou que já participou de duas audiências relacionadas ao caso, mas que o responsável pela empresa não teria comparecido aos encontros.

As reclamações não ficaram restritas aos consumidores que decidiram tornar suas histórias públicas. Segundo os relatos, um grupo de WhatsApp criado para reunir pessoas que enfrentavam problemas com os pacotes turísticos chegou a ultrapassar 140 participantes. Esse número, entretanto, não representa uma contagem oficial de vítimas, já que a participação no grupo não comprova, por si só, a existência de prejuízo financeiro ou contratação de serviços.

Em outubro, informações sobre a investigação apontavam que mais de 40 pessoas poderiam ter sido atingidas pelos cancelamentos. Um grupo de clientes também apresentou uma estimativa de prejuízos superior a R$ 50 mil, considerando valores desembolsados em pacotes que não teriam sido realizados nem integralmente reembolsados. A quantidade definitiva de consumidores prejudicados e o montante total envolvido ainda dependem de confirmação pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A situação da JS Turismo também chegou à Polícia Civil de Minas Gerais. A corporação informou que a 2ª Delegacia de Poços de Caldas instaurou procedimento investigativo para apurar as denúncias relacionadas aos pacotes cancelados e às dificuldades de ressarcimento. Algumas pessoas que procuraram a polícia já prestaram depoimentos, apresentando informações sobre as contratações e os problemas enfrentados.

O responsável pela agência também foi ouvido durante a investigação. Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, ele declarou que estava realizando a devolução dos valores de maneira gradual. A manifestação ocorreu antes da nova repercussão do caso, registrada no início de novembro, quando consumidores voltaram a relatar que permaneciam sem receber os reembolsos esperados.

Uma gravação divulgada em junho de 2026 também passou a integrar os relatos apresentados pelos consumidores. No vídeo, o responsável pela JS Turismo afirmou que a empresa havia encerrado suas atividades e reconheceu que não possuía condições financeiras de devolver simultaneamente todo o dinheiro devido aos clientes. Ele apresentou a possibilidade de realizar pagamentos parcelados, conforme sua disponibilidade de recursos, atendendo algumas famílias a cada mês.

A proposta, entretanto, não encerrou as reclamações. Consumidores afirmam que continuaram aguardando o cumprimento das promessas e que, em determinados momentos, tiveram dificuldades para obter informações sobre os pagamentos. Não há levantamento público confirmado sobre quantas pessoas conseguiram recuperar integralmente seus valores depois da divulgação do vídeo.

O Procon de Poços de Caldas também passou a acompanhar as reclamações. A coordenadora do órgão, Fernanda Soares, informou que pelo menos 14 consumidores haviam formalizado denúncias com características semelhantes envolvendo a empresa. Segundo ela, o responsável deveria ser notificado para prestar esclarecimentos sobre as reclamações apresentadas.

A coordenadora explicou que a não entrega de serviços contratados e a ausência de devolução dos valores pagos podem configurar infrações à legislação de defesa do consumidor. Dependendo das circunstâncias e das provas reunidas, os fatos também poderão ser analisados sob a perspectiva de eventual crime de estelionato. Essa possibilidade, entretanto, depende da investigação policial e não significa que a prática de fraude tenha sido comprovada.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece regras para situações em que serviços contratados não são prestados conforme a oferta. Nos casos de cancelamento por iniciativa do fornecedor, o consumidor pode buscar a restituição dos valores pagos, sem prejuízo de outras medidas cabíveis conforme as circunstâncias de cada contratação. Para formalizar reclamações, é importante preservar contratos, comprovantes de pagamento, mensagens trocadas com a empresa, anúncios e registros relacionados aos cancelamentos.

Além dos pedidos administrativos, parte dos consumidores decidiu recorrer ao Judiciário. As ações buscam respostas sobre o ressarcimento das quantias desembolsadas e, em alguns casos, indenizações por danos materiais e morais alegadamente sofridos. Os resultados dependem da análise individual dos processos, e não foram divulgadas decisões definitivas que permitam afirmar que todos os clientes terão os valores devolvidos.

As denúncias também levantaram questionamentos sobre a continuidade das atividades da empresa. Embora o responsável tenha afirmado em junho que a JS Turismo havia encerrado suas operações, publicações relacionadas à comercialização de pacotes turísticos foram mencionadas pelos consumidores como parte das informações que motivaram as reclamações. Não há confirmação atualizada sobre a situação cadastral da agência ou sobre eventual retomada de suas atividades.

Até as informações disponíveis neste domingo (1º de novembro), a Polícia Civil não havia divulgado conclusão definitiva da investigação, indiciamento ou identificação de crime comprovado. Também não foi apresentada uma relação oficial consolidada de todos os consumidores envolvidos, dos valores pagos ou das restituições realizadas. O responsável pela empresa foi procurado para comentar as novas reclamações, mas não houve manifestação localizada na divulgação mais recente do caso.

Enquanto a apuração continua, consumidores seguem buscando a devolução dos pagamentos referentes aos pacotes cancelados. Entre eles estão famílias que haviam organizado viagens nacionais e internacionais, assumido compromissos financeiros e reservado períodos de descanso. Os depoimentos apresentados à polícia, as reclamações encaminhadas ao Procon e as ações judiciais constituem os principais registros disponíveis sobre o caso.

Foto: Reprodução EPTV

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