Domingo, Novembro 1, 2026
Capa

SERVIDORA COM DEFICIÊNCIA É EXONERADA APÓS CRITICAR FLÁVIO BOLSONARO; MAJOR ACUSADO DE FILMAR POLICIAL NO BANHO RECEBE REPREENSÃO EM SP


Duas situações envolvendo a administração do Governo de São Paulo ganharam repercussão após a divulgação de decisões administrativas relacionadas a uma servidora com deficiência e a um oficial da Polícia Militar. De um lado, Silvana Pereira Gimenes perdeu o cargo de coordenadora na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência três dias depois de criticar uma declaração de Flávio Bolsonaro (PL). De outro, o major Leonardo Casabona recebeu uma repreensão administrativa em um procedimento relacionado a um episódio no alojamento feminino da Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes, onde é acusado de ter filmado uma colega de corporação durante o banho. Os dois casos são independentes, mas passaram a ser apresentados em reportagens que discutem as justificativas e os procedimentos disciplinares adotados na gestão estadual.

A exoneração de Silvana ocorreu após uma manifestação publicada nas redes sociais sobre uma declaração de Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial da TV Globo, realizado em 23 de outubro. Na ocasião, o candidato do PL se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “nove dedos”, em referência à deficiência física do adversário. A expressão foi criticada por associar uma característica física a uma provocação política. Flávio posteriormente pediu desculpas pela declaração.

Silvana, que também é pessoa com deficiência, manifestou sua discordância publicamente no dia 24 de outubro. A servidora criticou o uso de referências a deficiências físicas como forma de ataque pessoal e classificou a declaração como capacitista. Três dias depois, em 27 de outubro, foi formalizada sua exoneração do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O ato foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia seguinte.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, Silvana possui uma trajetória de aproximadamente 41 anos no serviço público estadual. A exoneração atingiu a função comissionada que exercia na secretaria, mas não representou o encerramento de seu vínculo permanente com o Estado. A servidora relatou que nunca havia passado por uma exoneração semelhante ao longo de sua carreira e levantou questionamentos sobre a proximidade entre a manifestação nas redes sociais e a decisão administrativa. Entretanto, afirmou não possuir elementos suficientes para garantir que a crítica tenha sido o motivo de sua saída.

O Governo de São Paulo apresentou uma explicação diferente para a exoneração. Em nota encaminhada à imprensa, a administração estadual informou que o cargo ocupado por Silvana era de livre nomeação e exoneração e que a mudança ocorreu em razão de ajustes administrativos na estrutura da secretaria. O secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, assumiu a responsabilidade pela decisão e afirmou que a medida teve como objetivo reorganizar atribuições e evitar sobreposição de funções. Ele negou qualquer relação entre o desligamento da coordenadora e suas manifestações políticas.

A repercussão do episódio também envolveu questionamentos sobre o intervalo de três dias entre a crítica publicada pela servidora e a formalização da exoneração. Embora a sequência dos acontecimentos esteja documentada, não foram apresentados elementos conclusivos que comprovem uma relação de causa e efeito entre os dois fatos. A versão da servidora e a justificativa administrativa do governo integram as informações divulgadas sobre o caso.

Em outro episódio envolvendo a administração estadual, o major da Polícia Militar Leonardo Casabona tornou-se alvo de uma denúncia criminal relacionada a um acontecimento registrado em 9 de outubro de 2024, nas dependências da Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, o oficial teria filmado uma tenente enquanto ela tomava banho em uma instalação destinada ao público feminino.

Conforme os detalhes divulgados pelo Estadão, a policial teria percebido um aparelho celular com a câmera apontada em sua direção durante o banho. Após se cobrir com uma toalha e sair do banheiro, teria encontrado Casabona segurando um telefone. A situação foi comunicada à Corregedoria da Polícia Militar em 14 de outubro de 2024, cinco dias depois do episódio relatado. Na época, o oficial ainda ocupava o posto de capitão.

A denúncia criminal foi apresentada em 26 de maio de 2026 pela promotora Giovana Ortolano Guerreiro. O Ministério Público atribuiu ao oficial uma possível violação da intimidade da policial, relacionada ao registro não autorizado de imagens íntimas. O processo foi encaminhado à Justiça Militar, responsável pela análise das acusações e das provas reunidas. Até as informações disponíveis, não havia confirmação de condenação definitiva do major.

Um dos pontos que ganharam destaque nas reportagens foi a punição aplicada administrativamente ao oficial. Um boletim reservado da Polícia Militar, datado de 18 de maio de 2026, registrou uma repreensão relacionada à conduta do major nas dependências do alojamento feminino. Entretanto, conforme a documentação descrita pela imprensa, o ato disciplinar mencionava uma situação envolvendo o biombo do alojamento e não fazia referência expressa à acusação de filmagem durante o banho.

A distinção entre o procedimento administrativo e a denúncia criminal é importante para compreender a situação. A repreensão foi aplicada no âmbito disciplinar da corporação, enquanto a acusação sobre a suposta gravação de imagens íntimas passou a ser examinada judicialmente. Dessa forma, a punição administrativa divulgada não representa uma decisão judicial sobre a denúncia de filmagem.

Casabona apresentou sua versão dos acontecimentos e, conforme as reportagens, afirmou que a situação teria sido um mal-entendido e uma brincadeira de mau gosto. O Ministério Público, por sua vez, apresentou denúncia baseada nos elementos reunidos durante a apuração. As versões deverão ser analisadas no processo judicial, observando o direito de defesa do acusado e os procedimentos previstos na legislação.

Procurada pela CBN Vale, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar instaurou um inquérito policial militar após tomar conhecimento da denúncia. A pasta confirmou a existência de uma punição administrativa e informou que o oficial havia sido denunciado à Justiça Militar, onde o processo continuava em julgamento. Em sua manifestação, o governo afirmou repudiar condutas incompatíveis com os deveres da atividade policial.

Os dois episódios passaram a receber atenção conjunta após a divulgação das reportagens sobre a exoneração de Silvana Pereira Gimenes e a repreensão administrativa aplicada ao major Leonardo Casabona. No primeiro caso, o governo sustenta que a saída da coordenadora foi motivada por uma reorganização administrativa e nega retaliação política. No segundo, a Secretaria da Segurança Pública confirma a apuração disciplinar e a existência de um processo criminal ainda sem decisão definitiva divulgada.

Até as informações publicadas em 31 de outubro, não havia comprovação de que a exoneração de Silvana tivesse sido motivada por sua crítica a Flávio Bolsonaro. Também não havia confirmação de condenação judicial de Leonardo Casabona pela acusação de filmagem. A servidora permanece vinculada ao serviço público estadual, enquanto o caso envolvendo o oficial continua sujeito aos procedimentos judiciais correspondentes.

Foto: Reprodução Redes Sociais/Instagram:@guarujaprefeitura

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!