Quinta-feira, Outubro 29, 2026
Cidades

SEQUESTRADA EM PLENA LUZ DO DIA, MULHER RELATA AGRESSÕES E AMEAÇAS DE MORTE EM CAÇAPAVA; EX-COMPANHEIRO E DUAS MULHERES CONTINUARÃO PRESOS


Uma mulher de 40 anos foi abordada em plena luz do dia, colocada à força dentro de um carro e levada para uma residência onde, segundo seu relato à polícia, sofreu agressões e ameaças de morte. O caso, registrado na quarta-feira (28), em Caçapava, no Vale do Paraíba, ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira (29), quando a Justiça decidiu manter presos três suspeitos após audiência de custódia. Entre os investigados está o ex-companheiro da vítima, de 46 anos, apontado como motorista do veículo utilizado na ação. Duas mulheres, de 33 e 47 anos, também permanecem presas. A Polícia Civil investiga os crimes de sequestro e cárcere privado, lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica. A suspeita é de que a violência esteja relacionada à cobrança de aproximadamente R$ 25 mil, valor que se tornou motivo de divergência entre a vítima e seu antigo companheiro.

A ocorrência começou por volta do meio-dia, no bairro Vila Menino Jesus, quando a mulher retornava ao trabalho após deixar os filhos em casa. Segundo as informações apresentadas à Polícia Civil, ela foi surpreendida por duas mulheres que desceram de um automóvel e exigiram que entrasse no veículo. A vítima teria resistido à abordagem, mas acabou sendo agredida e colocada à força no carro. O motorista seria seu ex-companheiro, com quem havia mantido um relacionamento encerrado havia menos de um mês. A ação aconteceu diante de testemunhas, que perceberam a situação e acionaram imediatamente a Polícia Militar.

A movimentação foi registrada por câmeras de segurança e por imagens que passaram a circular nas redes sociais. Um dos vídeos mostra o automóvel trafegando com as portas abertas, enquanto parte do corpo da mulher aparece para fora do veículo. Outra gravação registra a passagem do carro pela Rua Major Osório da Cunha Lara, nas proximidades do local onde ocorreu a abordagem. As imagens passaram a integrar a investigação e são analisadas pela Polícia Civil para esclarecer a dinâmica da ação, a resistência da vítima e a participação de cada investigado.

A atuação das testemunhas foi importante para a localização da mulher. Pessoas que presenciaram a abordagem acionaram o telefone 190 e conseguiram acompanhar informações sobre o trajeto do automóvel, auxiliando as equipes policiais na identificação do destino. Conforme a investigação, a vítima foi levada para uma residência no loteamento Pitangueiras, onde teria sido submetida a novas agressões e ameaças antes da chegada dos policiais militares.

Dentro do imóvel, a violência teria continuado. Segundo o depoimento da vítima, ela sofreu tapas e golpes, além de ameaças envolvendo uma ferramenta semelhante a uma enxada. Uma das investigadas teria utilizado o cabo do objeto para agredi-la e ameaçado atingir seu pescoço com a parte cortante. A mulher também relatou ter sido ameaçada de morte caso procurasse as autoridades para denunciar o ocorrido. Essas informações fazem parte da versão apresentada pela vítima e deverão ser confrontadas com os demais elementos reunidos durante o inquérito policial.

Em relatos anteriores, o advogado Jorge Gabriel de Souza, que representa a mulher, afirmou que ela havia sofrido agressões com pedaços de madeira e apresentava ferimentos no rosto, inclusive próximo a um dos olhos. A vítima passou por exame no Instituto Médico Legal (IML), procedimento destinado a documentar as lesões sofridas. O conteúdo do laudo pericial ainda não havia sido divulgado. O advogado também afirmou que a rápida intervenção da Polícia Militar foi fundamental para interromper as agressões, embora não exista conclusão pericial pública que permita determinar qual seria o desfecho sem a chegada das equipes.

Durante a ação policial no imóvel, quatro pessoas foram conduzidas à delegacia, mas uma atualização da Polícia Civil esclareceu que apenas três foram presas em flagrante. A quarta pessoa, uma mulher de 54 anos que estava na residência, não teve sua participação no crime demonstrada pelos elementos reunidos naquele momento. Por esse motivo, ela não permaneceu presa. A informação corrige as primeiras publicações sobre a ocorrência, que chegaram a mencionar a manutenção da prisão de quatro envolvidos.

Os três investigados presos foram identificados como Flavio Gouvea da Silva, de 46 anos, ex-companheiro da vítima; Naila Gabriela Mota dos Santos, de 33 anos; e Elisangela Aparecida da Silva, de 47 anos. Segundo a Polícia Civil, o homem é apontado como responsável por dirigir o automóvel utilizado para transportar a mulher, enquanto as duas investigadas são suspeitas de participação na abordagem e nas agressões. A responsabilidade individual de cada um ainda deverá ser esclarecida durante o andamento da investigação.

Na quinta-feira (29), os três passaram por audiência de custódia, quando a Justiça decidiu manter suas prisões. A decisão representa um novo desdobramento da ocorrência, que inicialmente havia resultado na condução dos envolvidos à delegacia e no registro dos fatos apresentados pelas partes. Os investigados continuam respondendo às suspeitas de sequestro e cárcere privado, lesão corporal e ameaça no contexto da Lei Maria da Penha, legislação destinada à proteção de mulheres em situações de violência doméstica e familiar.

Durante as diligências, a Polícia Civil também apreendeu cinco aparelhos celulares, uma peça de roupa e um automóvel relacionado à ocorrência. Os materiais foram incorporados à investigação e poderão auxiliar na verificação dos depoimentos e na reconstrução dos acontecimentos. Até as informações divulgadas, não havia resultado público de perícias nos aparelhos celulares nem confirmação de que tenham sido encontrados registros adicionais relacionados ao caso.

A investigação também procura esclarecer a origem da cobrança financeira que teria motivado o conflito. Segundo a vítima, o ex-companheiro havia entregado aproximadamente R$ 25 mil durante o relacionamento para ajudá-la a quitar dívidas pessoais. Ela sustenta que o dinheiro foi dado espontaneamente e que não existia obrigação de devolução. O relacionamento entre os dois teria durado cerca de um ano e terminado havia menos de um mês, circunstância que passou a integrar a apuração sobre o contexto dos acontecimentos.

A defesa dos suspeitos, representada pelo advogado Renato Gotuzo Germano, apresentou uma versão diferente. Segundo o defensor, existia uma dívida de aproximadamente R$ 25 mil, e desentendimentos relacionados à cobrança já haviam ocorrido anteriormente. Germano contesta a classificação jurídica atribuída ao episódio e sustenta que as informações disponíveis ainda não permitem concluir que houve sequestro. O advogado afirmou que pretende aguardar a conclusão do relatório da Polícia Civil para apresentar elementos que sustentem a versão de seus clientes.

Em depoimento, o ex-companheiro teria reconhecido que dirigia o automóvel, mas negado participação nas agressões. Ele também sustentou que a mulher teria entrado voluntariamente no carro. As duas investigadas, por sua vez, reconheceram a existência de confronto físico e o transporte da vítima até a residência, mas alegaram legítima defesa. Essas declarações divergem da versão apresentada pela mulher e serão analisadas juntamente com as imagens, os depoimentos das testemunhas e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Outro ponto da investigação envolve as ameaças relatadas pela vítima. Nas primeiras informações prestadas à Polícia Militar, a mulher afirmou que temia ser levada a um suposto “tribunal do crime”, expressão utilizada para descrever punições ilegais atribuídas a organizações criminosas. Entretanto, não havia confirmação de que os investigados integrassem uma facção ou de que a ocorrência estivesse efetivamente relacionada a esse tipo de prática. O relato permanece entre as informações que deverão ser analisadas pelas autoridades.

Diante das circunstâncias apresentadas, a vítima também solicitou medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. Essas medidas podem estabelecer restrições de aproximação, contato e outras determinações destinadas à proteção da mulher, conforme avaliação judicial. Até a última atualização, não havia confirmação pública sobre a decisão relacionada ao pedido apresentado.

Com a manutenção das três prisões após a audiência de custódia, a Polícia Civil prossegue com a investigação para esclarecer a dinâmica completa da abordagem, as agressões relatadas e a responsabilidade individual dos suspeitos. Os vídeos que mostram o automóvel em movimento, os relatos das testemunhas, os materiais apreendidos e o exame realizado no IML estão entre os elementos relacionados ao caso. A Justiça manteve presos Flavio Gouvea da Silva, Naila Gabriela Mota dos Santos e Elisangela Aparecida da Silva, enquanto a defesa contesta as acusações e aguarda a conclusão do inquérito policial.

Foto reprodução

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