EXPLOSÃO NA CSN ASSUSTA VOLTA REDONDA: ESTRONDO FAZ JANELAS TREMEREM, ENORME NUVEM DE FUMAÇA TOMA O CÉU E POLÍCIA INVESTIGA O ACIDENTE
Um forte estrondo, uma enorme nuvem de fumaça escura e relatos de portas e janelas tremendo em diferentes bairros de Volta Redonda marcaram a tarde de quarta-feira (28), após uma explosão nas instalações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no Sul Fluminense. O incidente aconteceu por volta das 13h30, durante uma operação de descarregamento de ferro-gusa na Usina Presidente Vargas, e provocou uma reação de grandes proporções, percebida por moradores de várias regiões da cidade. Imagens registradas após o acidente mostram uma coluna de fumaça se elevando sobre o complexo siderúrgico e formando uma nuvem que chamou a atenção pela dimensão. Apesar da intensidade da ocorrência, a empresa e o Corpo de Bombeiros confirmaram que ninguém ficou ferido. A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do acidente, enquanto o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi comunicado para acompanhar a situação.
A explosão aconteceu durante uma operação de cambagem, procedimento utilizado para descarregar materiais transportados em equipamentos especiais da siderúrgica. Segundo a CSN, trabalhadores realizavam o descarregamento de ferro-gusa de um carro-torpedo no Poço de Tombamento de Escória, conhecido como Kisch Pit, quando o material em alta temperatura entrou em contato com excesso de umidade presente no solo. A combinação provocou uma forte reação, acompanhada pela liberação de calor e fumaça em quantidade suficiente para ser observada tanto no interior da unidade industrial quanto em áreas externas da usina.
O barulho da explosão foi percebido em diferentes regiões de Volta Redonda. Moradores dos bairros Vila Mury, Vila Santa Cecília, Retiro, Beira-Rio, Aterrado, Sessenta e Belmonte relataram ter ouvido o estrondo. Em alguns locais, pessoas afirmaram que portas e janelas chegaram a tremer com a intensidade do ruído. A movimentação chamou a atenção de moradores, que registraram imagens da fumaça e passaram a compartilhar vídeos nas redes sociais. Até as informações divulgadas, não havia confirmação de danos estruturais em residências provocados pela reação ocorrida dentro da siderúrgica.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 13h42, aproximadamente 12 minutos depois do horário informado pela CSN para o início da ocorrência. Três viaturas foram mobilizadas para atender ao chamado e verificar a situação nas instalações industriais. Segundo a corporação, quando as equipes realizaram a inspeção, os focos iniciais de incêndio já haviam sido combatidos pela brigada interna da empresa. Durante a vistoria, os bombeiros não encontraram chamas remanescentes nem pessoas feridas.
A dimensão da nuvem de fumaça levantou questionamentos sobre o que poderia ter provocado uma reação tão intensa durante uma operação siderúrgica. O especialista em riscos e segurança Gerardo Portela, que trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional e participou da construção do Alto-Forno 2, explicou que o contato entre ferro-gusa superaquecido e água ou umidade pode desencadear uma expansão extremamente rápida de vapor, capaz de produzir uma onda de pressão e lançar resíduos para o alto.
O ferro-gusa é produzido a partir do processamento do minério de ferro em altos-fornos e pode atingir temperaturas superiores a 1.000 graus Celsius. Depois de produzido, o material é transportado em veículos especiais, conhecidos como carros-torpedo, para diferentes etapas do processo siderúrgico. Quando uma quantidade significativa de material incandescente entra em contato com água, a transferência de calor pode ocorrer de maneira muito rápida, provocando a transformação brusca do líquido em vapor.
Segundo Gerardo Portela, essa transformação explica como uma reação envolvendo água e material superaquecido pode gerar efeitos semelhantes aos de uma explosão. O aumento repentino do volume do vapor provoca uma diferença de pressão que pode deslocar materiais e projetar resíduos industriais para o alto. No caso de uma operação siderúrgica, a expansão também pode arrastar escória e partículas presentes no ambiente, contribuindo para a formação de uma grande nuvem de fumaça e poeira.
O especialista ressaltou que o fenômeno não depende necessariamente da presença de explosivos ou combustíveis. A própria expansão do vapor pode produzir uma reação de grande intensidade. Essa explicação é compatível com o mecanismo descrito pela CSN, que confirmou o contato de ferro-gusa em alta temperatura com excesso de umidade no solo. Entretanto, a identificação das condições específicas que permitiram essa ocorrência ainda depende da apuração técnica.
Em comunicado oficial, a Companhia Siderúrgica Nacional informou que a reação aconteceu no Poço de Tombamento de Escória da Usina Presidente Vargas. A empresa confirmou que o incidente gerou calor e fumaça em proporções visíveis dentro e fora do complexo industrial, mas destacou que não houve vítimas nem registro de feridos. A siderúrgica também afirmou que as causas do acidente estão sendo investigadas, sem detalhar por que havia excesso de umidade no local utilizado para o descarregamento.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que investigará as circunstâncias da explosão. A previsão divulgada era de que os procedimentos periciais fossem realizados após a conclusão dos trabalhos de rescaldo e das verificações de segurança conduzidas pelo Corpo de Bombeiros. A investigação deverá buscar esclarecimentos sobre as condições da operação, os fatores que contribuíram para o contato entre o ferro-gusa e a umidade e a eventual existência de problemas técnicos ou operacionais.
Até o momento, não havia sido apresentado laudo pericial conclusivo sobre o acidente. Também não foram divulgadas informações que permitam afirmar que houve falha humana, defeito em equipamentos ou descumprimento de procedimentos de segurança. Essas possibilidades dependerão da análise dos registros operacionais e dos demais elementos técnicos que venham a ser reunidos durante a investigação.
Outra frente de acompanhamento envolve o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que foi acionado para verificar a situação relacionada à ocorrência. A grande coluna de fumaça observada sobre a usina chamou a atenção para os possíveis efeitos ambientais da reação. Entretanto, não foram divulgados resultados de medições da qualidade do ar, análises da composição da fumaça ou confirmação de contaminação fora das instalações industriais. Sem essas informações, não é possível estabelecer a existência de danos ambientais específicos decorrentes do episódio.
A explosão ocorreu em uma das principais instalações industriais de Volta Redonda, cidade cuja atividade econômica e história estão diretamente relacionadas à produção siderúrgica. A Usina Presidente Vargas concentra operações que envolvem o processamento de materiais em temperaturas elevadas, exigindo procedimentos técnicos específicos para o transporte, manuseio e descarregamento de ferro-gusa e outros produtos utilizados na fabricação do aço.
Apesar da intensidade do estrondo e da ampla repercussão das imagens, o balanço divulgado pelas autoridades confirmou a ausência de vítimas. O Corpo de Bombeiros não identificou pessoas feridas nem focos de incêndio ativos durante a inspeção. A empresa, por sua vez, não informou a extensão de eventuais danos aos equipamentos ou se houve interrupção de setores da produção em consequência do incidente.
A reação provocada pelo contato entre ferro-gusa superaquecido e umidade é o mecanismo imediato informado oficialmente pela CSN. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias que levaram esse material a encontrar água ou umidade excessiva durante a operação e se existiam condições que poderiam ter evitado o acidente. Até a última atualização, a empresa mantinha a informação de que não houve feridos, enquanto a Polícia Civil e os órgãos responsáveis acompanhavam os desdobramentos da ocorrência.

Explosão durante operação na CSN – Foto: Reprodução/Redes Sociais

