PMs TERIAM ESCOLTADO COMBOIO DE CRIMINOSOS EM VOLTA REDONDA: CÂMERAS REVELAM MOVIMENTAÇÃO SUSPEITA, SEIS POLICIAIS SÃO TRANSFERIDOS E COMANDO DO BATALHÃO É TROCADO
Uma revelação envolvendo policiais militares e o violento ataque criminoso ao Complexo da Vila Brasília, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, provocou uma investigação interna na Polícia Militar do Rio de Janeiro e mudanças imediatas na estrutura de comando da corporação. Imagens de câmeras de segurança da Prefeitura mostram duas viaturas da PM trafegando à frente de um comboio de veículos utilizados por criminosos que participaram da invasão armada registrada no domingo (25). A suspeita de que agentes públicos possam ter facilitado a entrada do grupo levou à transferência de seis policiais militares, à substituição do comandante do 28º Batalhão e ao afastamento da chefia da companhia responsável pelo patrulhamento da região. A Corregedoria investiga se houve colaboração deliberada dos agentes com os invasores, que protagonizaram confrontos, mortes e incêndios de veículos durante a tentativa de assumir o controle de pontos de venda de drogas.
As imagens que deram origem à investigação foram captadas pelo sistema de monitoramento da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) de Volta Redonda. Nas gravações, divulgadas pela TV Rio Sul, duas viaturas da Polícia Militar aparecem seguindo por uma via da cidade, enquanto automóveis identificados pelas autoridades como utilizados pelos criminosos trafegam logo atrás. Segundo informações publicadas pela imprensa fluminense, o comboio registrado nas imagens reunia sete veículos associados ao ataque. A sequência levantou questionamentos sobre a atuação dos policiais que estavam nas viaturas e sobre a possibilidade de os invasores terem recebido algum tipo de auxílio durante o deslocamento.
O episódio ocorreu no domingo (25), quando mais de 20 homens fortemente armados chegaram ao Complexo da Vila Brasília para tentar disputar o controle de áreas utilizadas pelo tráfico de drogas. De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria saído do Morro da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, e utilizado diferentes automóveis para transportar os participantes da invasão. Os investigadores também identificaram o uso de roupas táticas semelhantes a uniformes policiais, estratégia que passou a integrar as apurações sobre a organização e a execução do ataque.
A presença dos criminosos desencadeou confrontos com equipes do Grupo de Apoio Tático (GAT) do 28º Batalhão de Polícia Militar. Segundo o balanço divulgado pelas autoridades, dois suspeitos morreram e outros dois ficaram feridos durante os episódios de violência. Um ônibus do transporte coletivo e um automóvel foram incendiados, provocando danos à fiação da rede pública e interrupções nos serviços de internet e telefonia em parte da Vila Brasília e em bairros próximos. A situação exigiu o reforço do policiamento e a mobilização de unidades especializadas para atuar na região.
Entretanto, enquanto as forças de segurança intensificavam as operações para localizar os participantes da invasão, as imagens do monitoramento municipal passaram a levantar suspeitas sobre a conduta de policiais que estavam de serviço no momento da chegada do comboio. A Prefeitura informou que encaminhou as gravações à Corregedoria da Polícia Militar ainda no domingo (25), permitindo que os órgãos responsáveis iniciassem a análise da movimentação das viaturas e dos veículos associados ao grupo criminoso.
A investigação está sob responsabilidade da 5ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), unidade encarregada de apurar possíveis irregularidades cometidas por integrantes da corporação. Além das imagens das câmeras municipais, também estão sendo analisados registros de câmeras corporais utilizadas pelos policiais. O objetivo é esclarecer se os agentes tinham conhecimento da presença dos criminosos, quais foram as circunstâncias do deslocamento e se houve alguma ação destinada a facilitar a entrada dos invasores no Complexo da Vila Brasília.
Diante da gravidade das suspeitas, seis policiais militares que atuavam nas duas viaturas envolvidas na apuração foram transferidos. A medida foi confirmada pela Prefeitura de Volta Redonda em comunicado divulgado na quarta-feira (28). Até o momento, não foram apresentados publicamente os nomes dos agentes, suas patentes individuais ou as unidades para as quais foram encaminhados. Também não há confirmação de prisão ou indiciamento dos policiais investigados. A transferência representa uma medida administrativa adotada durante a apuração e não constitui comprovação de participação criminosa.
As consequências administrativas também alcançaram o comando do 28º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento de Volta Redonda. Na quarta-feira (28), o tenente-coronel Décio Keiji Takamine assumiu a chefia da unidade, substituindo o comando anterior. A corporação também destituiu a chefia da companhia encarregada do patrulhamento na área onde ocorreu a invasão. As mudanças foram anunciadas em meio à investigação sobre a atuação das viaturas e à reorganização das operações de segurança na cidade.
A Prefeitura de Volta Redonda classificou a situação como extremamente grave e cobrou rigor na apuração dos fatos. Em manifestação oficial, a administração municipal defendeu que eventuais responsáveis sejam identificados e punidos conforme a legislação, ressaltando a necessidade de preservar a integridade da Polícia Militar e a confiança da população nos profissionais de segurança pública. O município também afirmou que continuará disponibilizando informações e imagens às autoridades responsáveis pela investigação.
Após a repercussão das gravações, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro confirmou a abertura de um procedimento para apurar a conduta dos agentes. A corporação informou que o policiamento em Volta Redonda foi reforçado com equipes especializadas, enquanto a Corregedoria conduz as diligências relacionadas às suspeitas de facilitação da invasão. O resultado da investigação deverá esclarecer se a presença das viaturas à frente dos automóveis correspondeu a uma ação de escolta deliberada ou se houve outra circunstância para aquela movimentação.
Além das transferências e mudanças no comando, o município anunciou a chegada de reforços policiais enviados da capital fluminense. Segundo a Prefeitura, mais de 16 policiais militares e quatro novas viaturas foram destinados ao reforço das operações de segurança, com previsão de ampliação do apoio por motocicletas. O contingente deverá contribuir para a manutenção da ocupação policial no Complexo da Vila Brasília e para o patrulhamento de outras regiões de Volta Redonda.
A investigação sobre a possível participação de policiais ocorre paralelamente às diligências destinadas a identificar e prender os criminosos envolvidos na invasão. Desde o domingo (25), operações realizadas pelas forças de segurança resultaram na localização de veículos utilizados pelo grupo, apreensões de armas, munições, granadas, roupas camufladas e entorpecentes. As autoridades também identificaram imóveis apontados como pontos de apoio utilizados durante a organização da ação criminosa.
A existência de imagens mostrando viaturas policiais à frente de veículos associados aos invasores constitui um elemento importante para a apuração, mas ainda não permite concluir que houve uma escolta intencional. A confirmação de eventual colaboração dependerá da análise dos registros, dos depoimentos dos agentes e de outros elementos reunidos pela Corregedoria. Até as informações divulgadas, não havia comprovação pública de pagamento, acordo ou participação direta dos seis policiais na organização do ataque.
O episódio acrescentou uma nova frente de investigação aos acontecimentos que atingiram Volta Redonda desde o domingo (25). Além da busca pelos integrantes do grupo armado que invadiu a Vila Brasília, a Polícia Militar agora investiga a conduta de seus próprios agentes durante a movimentação do comboio. Com seis policiais transferidos, mudanças no comando do batalhão e gravações oficiais sob análise, as autoridades procuram esclarecer se os criminosos receberam algum tipo de auxílio durante a invasão que deixou dois mortos, feridos e veículos incendiados no município.

Imagem mostra PMs acompanhando criminosos envolvidos no ataque na Vila Brasília, em Volta Redonda; 6 são transferidos – Foto: Divulgação

