Quarta-feira, Outubro 28, 2026
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FUGA PELA MADRUGADA: FLÁVIO BOLSONARO CRUZA FRONTEIRA COM A ARGENTINA ÀS 22H50, EMBARCA EM JATO PARTICULAR, PASSA PELO EQUADOR E DESEMBARCA NOS EUA APÓS DESCUMPRIR ORDEM DO STF


Uma viagem internacional realizada durante a madrugada, com passagem por três países e utilização de um avião particular, marcou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a entrega de seus passaportes. Acompanhado da esposa e das duas filhas, o parlamentar cruzou a fronteira brasileira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), embarcou em uma aeronave privada durante a madrugada de quarta-feira (28), fez escala no Equador e chegou aos Estados Unidos por volta das 10h25, no horário de Brasília. O deslocamento aconteceu depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar restrições à saída do senador do território nacional, no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

A trajetória da viagem começou a ser esclarecida após a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmar oficialmente a entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares no país. Segundo o órgão, o grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, exatamente às 22h50 de terça-feira. O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. Conforme informações divulgadas pela imprensa, Flávio apresentou um passaporte italiano durante o procedimento migratório, enquanto os demais familiares utilizaram documentos brasileiros.

Apenas 40 minutos depois da entrada na Argentina, às 23h30, a família foi registrada para embarque em um avião particular operado pela empresa argentina Baires Fly. O plano de voo indicava como destino inicial a cidade de Guayaquil, no Equador. A aeronave utilizada foi um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, identificado por plataformas especializadas em monitoramento de voos. Embora o embarque tenha sido registrado ainda na noite de terça-feira, o avião permaneceu em solo argentino até os primeiros minutos do dia seguinte.

Às 00h22 de quarta-feira (28), o Gulfstream G400 decolou de Puerto Iguazú e iniciou o trajeto internacional. O voo seguiu em direção ao Equador, sem retornar ao espaço aéreo brasileiro, conforme o percurso divulgado por sistemas de rastreamento. A escolha da rota chamou a atenção diante da determinação judicial que restringia a saída do senador do país e exigia a entrega de seus documentos de viagem. Até o momento, não houve esclarecimento público conclusivo sobre quem organizou o fretamento ou custeou o deslocamento.

Depois de aproximadamente cinco horas e meia de viagem, a aeronave chegou a Guayaquil, no Equador, por volta das 5h46, no horário de Brasília. O desembarque ou a permanência dos passageiros durante a escala não foram detalhados pelas autoridades consultadas. Pouco depois, às 6h22, o avião deixou o território equatoriano e iniciou a segunda etapa do percurso, desta vez com destino à Flórida, nos Estados Unidos.

O trajeto terminou na manhã de quarta-feira (28), quando o avião pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, por volta das 10h23, no horário de Brasília. A chegada confirmou o deslocamento internacional que vinha sendo acompanhado desde a noite anterior. Imagens divulgadas pela imprensa registraram Flávio Bolsonaro e seus familiares desembarcando da aeronave em território norte-americano. O senador chegou aos Estados Unidos aproximadamente 11 horas e meia depois de cruzar a fronteira brasileira com a Argentina.

A viagem ocorreu apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes para a adoção de medidas relacionadas aos passaportes do parlamentar. No domingo (25), o magistrado determinou o cancelamento dos documentos brasileiros de Flávio Bolsonaro e a entrega de eventuais passaportes estrangeiros. A decisão também estabeleceu restrições à sua saída do Brasil. De acordo com as informações divulgadas, a Polícia Federal comunicou ao Supremo o descumprimento da ordem de entrega dos documentos.

A investigação que motivou as medidas judiciais envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e também alcança o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos negam irregularidades. As suspeitas ainda estão submetidas à apuração, não havendo condenação definitiva relacionada aos fatos mencionados. A saída do Brasil ocorreu nesse contexto, mas não havia mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro quando ele atravessou a fronteira.

Outro aspecto que chamou a atenção foi a mudança de posicionamento público do senador. Na segunda-feira (26), após ser informado das medidas determinadas pelo STF, Flávio declarou que não pretendia deixar o Brasil e que permaneceria no país para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, na noite seguinte, cruzou a fronteira com a Argentina e iniciou o deslocamento que terminaria em Miami.

A saída aconteceu dois dias após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), quando Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula. Segundo os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, o presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto o senador recebeu 48,21%. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos. A eleição marcou o encerramento de uma campanha disputada e foi seguida pelo agravamento da situação judicial enfrentada pelo candidato derrotado.

Nos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump havia sinalizado que autorizaria a entrada de Flávio Bolsonaro e de seus familiares. Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à imprensa norte-americana a concessão de vistos para o grupo. A autorização migratória, entretanto, não representa necessariamente a concessão de asilo político, condição que não havia sido oficialmente confirmada até as informações disponíveis nesta quarta-feira.

Aliados do senador também passaram a comentar sua permanência em território norte-americano. Paulo Figueiredo, próximo à família Bolsonaro, afirmou que Flávio estaria em segurança e descansando com os familiares. Segundo ele, o parlamentar deverá conceder uma entrevista coletiva em Miami na quinta-feira (29), ocasião em que poderá apresentar sua versão sobre a saída do Brasil, as determinações judiciais e seus próximos passos políticos.

A situação jurídica do senador permanece sujeita a novos desdobramentos. O descumprimento de uma determinação judicial pode levar à reavaliação das medidas cautelares impostas, mas não significa automaticamente a decretação de prisão preventiva. Até as informações divulgadas, não havia confirmação de uma ordem de prisão expedida contra Flávio em razão da viagem. Também não existia confirmação de pedido formal de asilo político ou de uma data prevista para seu retorno ao Brasil.

A sequência documentada da viagem começou às 22h50 de terça-feira, com a travessia da fronteira argentina, passou pelo embarque privado às 23h30 e pela decolagem às 00h22 de quarta-feira. Depois da escala em Guayaquil, registrada por volta das 5h46, e da partida do Equador às 6h22, o trajeto foi encerrado com o pouso em Miami às 10h23. As informações sobre o deslocamento foram reunidas a partir de registros migratórios argentinos, monitoramento da aeronave e reportagens publicadas após a chegada aos Estados Unidos.

Foto Reprodução G1

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