ALERTA EM CANAS: SURTO DE MÃO-PÉ-BOCA ATINGE 16 CRIANÇAS, FECHA CRECHE MUNICIPAL E MOBILIZA EQUIPES DE SAÚDE
Um surto da síndrome mão-pé-boca provocou a suspensão das aulas de uma creche municipal em Canas, no interior de São Paulo, após a confirmação de 16 crianças infectadas. A situação levou a Prefeitura a adotar medidas emergenciais para conter a transmissão da doença, que é altamente contagiosa e atinge principalmente crianças pequenas. As atividades da Creche Municipal Leda Maria Bilard de Carvalho, localizada na região central da cidade, foram suspensas nesta quarta-feira (28) e quinta-feira (29), afetando a rotina das 132 crianças atendidas pela unidade. A decisão foi formalizada por decreto municipal e inclui procedimentos de limpeza e desinfecção dos ambientes, além do acompanhamento da situação pelas equipes de Saúde e Educação.
A medida foi oficializada por meio do Decreto Municipal nº 69/2026, publicado na terça-feira (27), após a identificação dos casos entre as crianças matriculadas na creche. Segundo a administração municipal, a interrupção temporária das atividades tem caráter preventivo e busca reduzir a circulação do vírus no ambiente escolar, evitando que outras crianças sejam infectadas. Os 16 casos registrados representam aproximadamente 12% do total de alunos atendidos pela instituição, situação que motivou a adoção de medidas para controlar a transmissão.
Durante o período sem aulas, a unidade deverá passar por procedimentos de higienização e desinfecção, especialmente nos espaços utilizados diariamente pelas crianças. A atenção estará voltada para salas de atividades, brinquedos, mobiliários, utensílios e objetos compartilhados, que podem contribuir para a disseminação do vírus quando contaminados. As ações serão desenvolvidas pelas secretarias municipais de Educação e Saúde, seguindo orientações sanitárias para ambientes de educação infantil.
A secretária municipal de Saúde, Dra. Carmem Conti, informou que as famílias estão recebendo orientações sobre a doença e que a rede municipal disponibilizou atendimento médico para os próximos dias, caso seja necessário. A medida busca oferecer suporte aos responsáveis pelas crianças e permitir a avaliação de possíveis novos casos. Até as informações divulgadas, não havia confirmação de internações relacionadas ao surto nem detalhes sobre a distribuição dos casos entre as diferentes turmas da creche.
A síndrome mão-pé-boca é uma infecção viral causada por enterovírus, especialmente os do grupo Coxsackie, e recebe esse nome porque suas manifestações mais características são lesões que aparecem nas mãos, nos pés e no interior da boca. Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, a doença é mais frequente em crianças menores de cinco anos, especialmente aquelas que frequentam creches e ambientes coletivos, onde o contato próximo e o compartilhamento de objetos favorecem a transmissão.
Os primeiros sintomas podem incluir febre, falta de apetite, mal-estar e irritabilidade. Com a evolução da infecção, podem surgir pequenas manchas avermelhadas, bolhas nas mãos e nos pés e feridas dolorosas na boca. Essas lesões podem dificultar a alimentação e a ingestão de líquidos, principalmente entre crianças pequenas. Em alguns casos, também podem ocorrer manifestações em outras partes do corpo, como nádegas e pernas. A intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra, e nem todas as crianças apresentam todas as manifestações características da doença.
Um dos principais desafios para controlar a síndrome é a facilidade de transmissão. O vírus pode circular por meio da saliva, de secreções respiratórias, do líquido presente nas lesões, das fezes e do contato com superfícies ou objetos contaminados. A transmissão também pode ocorrer antes do aparecimento dos primeiros sintomas, o que dificulta a identificação imediata de todas as pessoas infectadas. Mesmo após a melhora, a eliminação do vírus pelas fezes pode continuar por semanas, tornando indispensáveis os cuidados com a higiene das mãos.
De acordo com o pediatra Fernando Henrique Vargas DegioVani, a síndrome mão-pé-boca costuma apresentar evolução limitada, com duração média de aproximadamente sete dias. Não existe tratamento antiviral específico de uso rotineiro para a doença, e os cuidados são direcionados principalmente ao alívio da febre, da dor e dos demais sintomas. A hidratação é uma das principais recomendações, já que as feridas na boca podem provocar desconforto e fazer com que a criança recuse água e alimentos.
Os responsáveis devem procurar atendimento médico quando a criança apresentar dificuldade para ingerir líquidos, diminuição importante da quantidade de urina, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral. A avaliação profissional também é importante para orientar os cuidados necessários e definir o período adequado de afastamento das atividades escolares. Crianças que apresentam sintomas não devem ser enviadas à creche sem orientação médica, especialmente diante da ocorrência de vários casos no mesmo ambiente.
A prevenção envolve medidas simples, mas fundamentais para reduzir a circulação do vírus. Entre elas estão lavar frequentemente as mãos com água e sabão, principalmente após a troca de fraldas e o uso do banheiro, higienizar brinquedos e superfícies de contato frequente e evitar o compartilhamento de copos, talheres e outros objetos de uso pessoal. Nos ambientes escolares, a limpeza adequada dos espaços e o acompanhamento de crianças com sintomas são importantes para diminuir o risco de novos casos.
A suspensão das atividades na Creche Municipal Leda Maria Bilard de Carvalho foi determinada para quarta-feira (28) e quinta-feira (29). Na sexta-feira (30), não haverá aulas em razão do ponto facultativo relacionado ao Dia do Servidor Público, enquanto a segunda-feira (2 de novembro) corresponde ao feriado de Finados. Com isso, a previsão é que as crianças retornem à unidade na terça-feira (3), desde que a evolução dos casos permita a retomada segura das atividades. A confirmação do retorno dependerá da avaliação da situação sanitária.
Até o momento, as informações divulgadas se referem especificamente à Creche Municipal Leda Maria Bilard de Carvalho. Não há confirmação de suspensão de atividades em outras unidades da rede municipal de ensino de Canas. A Prefeitura orienta as famílias a acompanharem os comunicados oficiais e manterem atenção ao aparecimento de sintomas nas crianças, enquanto as equipes responsáveis realizam os procedimentos de higienização e acompanham a evolução dos casos registrados.

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