“VOU ESTAR COM VOCÊ ATÉ O FIM”: PAI SE EMOCIONA AO VER FILHA ATROPELADA POR MOTORISTA EMBRIAGADO EM ILHABELA; POLÍCIA INVESTIGA TENTATIVA DE HOMICÍDIO
O que deveria ser uma tarde de alegria, brincadeiras e diversão terminou em dor, lágrimas e uma família diante de uma situação que jamais imaginou enfrentar. Sofia, de apenas 9 anos, estava a caminho de uma festa infantil quando foi atropelada por um motorista embriagado durante uma carreata política em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. A menina sofreu fraturas na perna direita e precisou ser internada. Ao vê-la hospitalizada, sentindo dores e impossibilitada de realizar atividades que fazem parte de sua infância, o pai, Jerrimar Pereira da Silva, não conseguiu esconder a emoção. Em uma mensagem dirigida à filha, fez uma promessa que resume seu sentimento: “Eu só quero que você saiba que eu te amo muito e vou estar com você até o fim.” O motorista, de 56 anos, foi preso em flagrante, e a Polícia Civil registrou a ocorrência como tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.
O atropelamento aconteceu na tarde de sábado (24), por volta das 16h, na Rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha. Sofia estava acompanhada de outras crianças e seguia para uma festa infantil quando um automóvel saiu do fluxo de uma carreata política e invadiu uma área utilizada por pedestres e ciclistas. O veículo atingiu a menina e Ítalo, de 5 anos, que também precisou de atendimento médico. Imagens divulgadas após o ocorrido registraram o momento em que as crianças foram atingidas, provocando repercussão nas redes sociais.
Em entrevista ao TH+ SBT Vale, Jerrimar contou que recebeu a notícia do atropelamento por meio do pai de Ítalo, amigo de Sofia. O pai descreveu a relação de companheirismo que mantém com a filha, lembrando que a menina costuma acompanhá-lo em sua rotina de trabalho e em viagens. Para ele, a dor não está apenas nos ferimentos provocados pelo atropelamento, mas também em ver a criança privada, ainda que temporariamente, das atividades que tanto gosta de realizar.
“Ela é minha parceira. Ela sempre está comigo. No meu trabalho, quando ela sai da escola, eu busco ela, ela fica comigo. Viaja comigo”, contou Jerrimar. Segundo o pai, Sofia tem familiaridade com o trânsito justamente por acompanhá-lo em diferentes atividades e teria percebido a aproximação do automóvel, tentando escapar antes de ser atingida. Apesar da tentativa, não conseguiu evitar o atropelamento.
A menina sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita, com desvio dos ossos. Conforme as informações divulgadas pela Prefeitura de Ilhabela, Sofia passou por um procedimento médico para redução das fraturas e permaneceu internada, com a perna imobilizada e quadro clínico estável. Embora a condição médica informada fosse estável, o pai descreveu a dificuldade de acompanhar a recuperação da filha e vê-la sentindo dores.
“Ela está ali agora sem poder se mover como gosta, sentindo dor, sob efeito de remédio. É doloroso para mim, tanto quanto é para ela. A gente está bem chocado com tudo isso ainda”, relatou. Ao falar diretamente com Sofia, Jerrimar deixou uma mensagem de amor e apoio, reafirmando que permanecerá ao lado dela durante a recuperação. A declaração emocionada deu uma dimensão humana ao episódio que, até então, vinha sendo marcado principalmente pelas imagens do atropelamento e pelas informações policiais.
Outra família também tenta lidar com as consequências do que aconteceu. Ana Cristiane, mãe de Ítalo, de 5 anos, contou que estava responsável por três crianças no momento do atropelamento. Segundo ela, tudo aconteceu rapidamente, enquanto os pequenos se divertiam e seguiam para a festa. A mãe relatou que ficou sem conseguir compreender imediatamente a situação, antes de tentar ajudar as crianças atingidas.
“Foi um momento de plena euforia. Estava tudo muito feliz, as crianças correndo. E ali realmente eu fiquei sem entender o que aconteceu. Eu dei uma travadinha, não consegui processar realmente”, contou Ana. O atropelamento também abalou outro filho da mulher, que é autista e presenciou a situação. Ítalo teve uma das pernas atingida pelo automóvel, mas os exames não identificaram fratura. Ele recebeu alta hospitalar na noite de sábado (24), embora ainda apresentasse dificuldade para movimentar o pé naquele momento.
Além dos ferimentos e do susto, uma pergunta feita por Ítalo revelou a preocupação que permaneceu após o atropelamento. Segundo Ana Cristiane, o menino passou a questionar se o motorista havia percebido sua presença e se realmente pretendia atingi-lo. “Mãe, será que ele me viu e queria fazer isso mesmo?”, perguntou a criança, conforme o relato da mãe. Ana afirmou que não sabe o que o condutor pensava naquele momento e que não poderia atribuir a ele uma intenção sem conhecer as circunstâncias.
O motorista foi identificado como Cardjon Peixoto, de 56 anos. Segundo as informações policiais, ele admitiu ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir, mas afirmou que teria confundido os pedais do acelerador e do freio de um automóvel com transmissão automática. O homem recusou o teste do bafômetro, porém uma avaliação médica confirmou sinais de embriaguez. Durante a ocorrência, os policiais também encontraram uma lata de cerveja no interior do veículo. Após o atropelamento, o condutor foi levado à delegacia e preso em flagrante.
A Polícia Civil registrou o caso como tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro. A autoridade policial também solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva e a suspensão cautelar do direito de dirigir do investigado. O enquadramento representa a avaliação inicial da polícia sobre os fatos e não constitui uma condenação. A investigação deverá esclarecer a dinâmica do atropelamento e a responsabilidade criminal do motorista.
Em manifestação encaminhada à imprensa, a defesa de Cardjon Peixoto afirmou que o atropelamento foi um acidente de trânsito provocado por um erro momentâneo ao acionar os pedais do automóvel. A advogada declarou que o motorista está abalado e manifestou solidariedade às crianças e aos familiares. Também negou que ele tivesse a intenção de atingir as vítimas ou que o episódio apresentasse motivação política. O atropelamento aconteceu durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro, enquanto o automóvel apresentava adesivos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, não há comprovação de que o ocorrido tenha sido motivado por divergências políticas.
Enquanto a Polícia Civil reúne depoimentos e analisa as imagens para esclarecer o caso, as famílias concentram suas atenções na recuperação das crianças. Ítalo já havia recebido alta hospitalar, enquanto Sofia permanecia internada na última atualização médica divulgada, recuperando-se das fraturas na perna direita. Para Jerrimar, a prioridade é acompanhar a filha durante esse período, oferecendo o apoio que sempre fez parte da relação entre os dois. Sua mensagem à menina permanece como uma das declarações mais marcantes do caso: “Eu te amo muito e vou estar com você até o fim.”

